Duane “Keffe D” Davis foi condenado nesta segunda-feira (31) por assassinato em primeiro grau com uso de arma letal, com a intenção de promover, favorecer ou auxiliar uma organização criminosa, pela morte da lenda do hip-hop Tupac Shakur.
Davis é a única pessoa já acusada formalmente pelo assassinato de Shakur, morto a tiros em 1996, em Las Vegas. Os promotores não afirmaram que Davis disparou os tiros que mataram Tupac, mas o acusaram de ter orquestrado o assassinato.
Nos Estados Unidos, assassinato em primeiro grau diz respeito à categoria mais grave de homicídio, indicando que a morte foi considerada intencional e premeditada pelo júri. Ou, no mínimo, reuniu agravantes que possam se assemelhar, aos olhos da lei do estado em que ela ocorreu, a esse nível de delito.
Familiares de Tupac Shakur demonstraram emoção ao ouvirem a leitura do veredicto de culpado contra Keffe D. Não houve reações audíveis no tribunal, mas Sekyiwa “Set” Shakur, irmã do rapper, pareceu chorar baixinho.
Uma tese muito ventilada foi deixada de lado pelos promotores. A hipótese de adicionar um possível agravante por envolvimento de gangues foi descartada devido a “questões logísticas relacionadas a testemunhas”, disse o vice-procurador-chefe do distrito, Binu Palal, no tribunal.
Keffe D só saberá sua sentença pelo assassinato de Tupac Shakur daqui a seis semanas, no dia 13 de outubro. Até lá, ele deverá permanecer sob custódia, sem direito a fiança até a audiência. Nesse caso, a juíza Carli Kierny pode aplicar até a pena de prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional.
A condenação aconteceu duas semanas antes do dia 13 de setembro, data em que a morte de Tupac completaria 30 anos. Ele morreu no University Medical Center, a menos de três quilômetros do tribunal de Las Vegas, onde Davis foi julgado por orquestrar o tiroteio de 1996.
Tupac tinha 25 anos quando levou quatro tiros — ele faleceu seis dias depois. Davis é acusado de comandar o ataque contra o rapper como retaliação a um ataque ao sobrinho dele, Orlando “Baby Lane” Anderson, que teria sido espancado pelo famoso e sua gangue.
Histórico de violência
Tupac tinha um histórico violento antes de se envolver na briga que resultou em sua morte. Em 1993, ele foi acusado de atirar em dois policiais durante uma briga em Atlanta.
As acusações foram retiradas formalmente, mas, no ano seguinte, o rapper se viu alvo de um problema maior: uma fã o acusou de abusar sexualmente dela em um encontro em um hotel. Na época, o The New York Times afirmou que o astro do hip-hop se declarou inocente, garantindo que o encontro teria sido consensual.
Durante a deliberação do júri, Shakur foi a um estúdio de gravação em Nova York, onde foi abordado e levou cinco tiros ao tentar escapar.
Após cirurgia, o rapper foi ao julgamento com muitas sequelas, e foi condenado a 18 meses de prisão. Ele recorreu e fez um acordo com Marion “Suge” Knight, executivo da Death Row Records, a principal distribuidora de hip-hop da região da Califórnia, para ter valor para pagar a fiança e seguir em liberdade.
Em “dívida”, a relação com Knight reforçou o envolvimento de Tupac com as gangues que disputavam espaço e sucesso na época. Nos anos que se seguiram, o cenário violento entre os grupos levou a ataques entre seus integrantes, com desfechos graves.
*Com informações da Reuters e da CNN Internacional
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