Uma fala de Wagner Moura, 50, no programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, em 4 de agosto, tem gerado repercussão nos últimos dias. O artista usou a expressão “fascismo de esquerda” para comentar uma questão identitária na conversa com o jornalista Pedro Bial, 68.

O programa foi um bate-papo com ator sobre a nova peça dele, “Um Julgamento”, de Cristiane Jatahy, que trata de assuntos relacionados ao cancelamento de uma figura perante à sociedade.

Ao longo do discurso, Wagner Moura comentou sobre ter se tornado uma figura atribuída aos movimentos de esquerda, ao mesmo tempo que se mostrou disposto a dialogar com grupos ligados à direita. “Cansei de ser odiado”, avaliou.

O artista comentou sobre as críticas que recebe por ser uma pessoa ligada à esquerda, a ao mesmo tempo ser um homem bem-sucedido financeiramente, mesmo vindo de um lugar humilde do interior da Bahia. Ele apontou que é questionado sobre se colocar a favor da justiça social e das minorias, defendendo gays, mesmo não sendo gay, ou pretos, mesmo sendo branco, ou então se posicionando sobre a política brasileira mesmo atuando em produções dos Estados Unidos.

Moura também levantou questionamentos feitos pela direita que de certa forma ele também concorda. “A esquerda sempre diz: ‘a gente quer seguridade social, a gente quer cultura, a gente quer educação gratuita, a gente quer tudo isso’. A direita faz uma pergunta que eu acho justa, que é: ‘quem vai pagar isso que você quer?’. São os contribuintes? A gente vai aumentar os impostos? Essa discussão eu acho muito boa, mas não tem”, declarou.

Em seguida, Pedro Bial apontou que questionamentos sobre as atitudes dele passaram a ser feitos pela esquerda. “(Está entrando) nesse mesmo lugar. Fascismo de esquerda. ‘Fascisminho de esquerda’, de não pode, não sei o que lá”, disparou o astro de “O Agente Secreto”.

O comentário de Wagner Moura gerou críticas nas redes sociais nos últimos dias. À Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (18), o ator recuou sobre a fala e disse que não usou o termo correto para tecer a crítica.

“Eu apoio todos os movimentos identitários. Todos. Mas não a cultura do cancelamento. Acho covarde. Venha da direita ou da esquerda”, declarou ele.

“O personagem que faço na peça ‘Um Julgamento’ é uma pessoa que foi cancelada. Mas errei ao chamar isso de ‘fascisminho de esquerda’. Não é um termo apropriado e é insensível ao fato de que são historicamente as minorias que sofrem a violência que caracteriza o fascismo”, encerrou.

Além de “Guerra Civil” e “Narcos”: produções com Wagner Moura