De Ubá

Jéssica Ladeira vai disputar, em 20 de setembro, uma das provas mais importantes de sua carreira. Aos 32 anos, a corredora de Ubá estará em Copenhague, na Dinamarca, para representar o Brasil no Mundial de Corrida de Rua. A vaga, confirmada pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), veio após uma temporada construída justamente para chegar a esse momento.

Jéssica garantiu a classificação ao vencer o Campeonato Brasileiro de Corrida de Rua na meia maratona, disputado dentro da Meia Maratona Internacional do Rio, no último dia 16. Ela completou os 21 quilômetros em 1h16min58s e, além do título nacional, terminou em terceiro lugar na classificação geral da prova.

“Era um dos meus objetivos desde o começo do ano, estar indo para o Mundial de Corrida de Rua. A gente treinou muito para essa seletiva, deu certo e agora é dar continuidade ao trabalho”, afirmou Jéssica em entrevista à Tribuna.

Embora o intervalo entre a classificação e o Mundial seja de pouco mais de um mês, a preparação começou muito antes. Como a competição internacional já estava entre as metas da temporada, Jéssica e sua equipe organizaram os treinamentos considerando a possibilidade de conquistar a vaga. Agora, a atleta segue o planejamento já iniciado, com atenção também à adaptação para a prova na Dinamarca.

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A diferença entre Jéssica e Núbia Oliveira, vencedora da Meia Maratona Internacional do Rio, foi de apenas quatro segundos (Foto: Acervo Pessoal)

Das primeiras corridas com o pai ao segundo Mundial

Natural de Ubá, Jéssica começou a correr ainda criança, influenciada pelo pai, Leonardo do Carmo Soares, também corredor. O esporte, inicialmente presente na rotina familiar, aos poucos passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida até se transformar em carreira.

Ainda jovem, começou a disputar provas de maior nível e, ao longo dos anos, construiu uma trajetória marcada por competições nacionais e internacionais, além de títulos brasileiros e sul-americanos.

A prova em Copenhague marca a segunda participação de Jéssica em uma edição de Mundial. A primeira experiência foi na disputa de Cross Country, na Polônia. Desta vez, ela estreia em um Mundial de Corrida de Rua, na distância da meia maratona.

A classificação chega também em meio a uma temporada de resultados expressivos. Em maio, Jéssica foi a melhor brasileira na Maratona Internacional de Porto Alegre pelo segundo ano consecutivo. Terminou em sexto lugar geral e completou os 42 quilômetros em 2h37min, novo recorde pessoal, reduzindo em mais de cinco minutos sua marca anterior.

No Mundial, outro objetivo acompanha a disputa por uma boa colocação: melhorar novamente sua marca pessoal na meia maratona. A meta é completar os 21 quilômetros abaixo de 1h15.

Prova não encerra temporada

Copenhague será mais um compromisso dentro de um calendário que permanece cheio até o fim do ano. Poucos dias depois de correr em vias dinamarquesas, Jéssica pretende voltar às competições no Brasil.

No dia 27 de setembro, está prevista sua participação nas Dez Milhas Garoto, no Espírito Santo. Em seguida, começa a preparação para a Maratona de Valência, no fim do ano, outro dos principais objetivos da temporada.

A sequência de provas também faz parte de um planejamento que olha além de 2026. “Com certeza a gente está trabalhando muito para participar dos Jogos Olímpicos na maratona. Antes, o nosso foco maior é o Pan-Americano no ano que vem”.

Segundo Jéssica, competir em provas de alto nível ao longo da temporada também é uma forma de acumular resultados e pontos importantes para buscar essas classificações.

Apoio para correr ainda mais longe

Para sustentar uma rotina de treinos, viagens e competições de alto nível, Jéssica destaca a importância do apoio financeiro. Atualmente, ela conta com patrocínios que ajudam a viabilizar sua participação nas principais provas do calendário, mas acredita que uma estrutura maior pode permitir novos avanços.

“Ser atleta de alto nível requer muita estrutura. A gente espera que mais empresas possam olhar por nós e apoiar”, afirma.

O pedido é direcionado especialmente às empresas de Ubá, cidade que a atleta representa nas competições. Para a corredora, ampliar o apoio permitiria investir em etapas importantes da preparação.

A vaga no Mundial consolida uma temporada de evolução para Jéssica, mas não encerra os planos da ubaense. Entre recordes pessoais e provas internacionais, Copenhague aparece como mais um passo de uma trajetória que agora mira desafios ainda maiores.

*Estagiário sob supervisão do editor Bruno Kaehler