
O JF Vôlei encerrou a participação no Campeonato Mineiro de Vôlei Masculino 2026 com uma vitória surpreendente. Na noite de segunda-feira (5), na Arena UniBH, em Belo Horizonte, a equipe de Juiz de Fora virou sobre o Itambé Minas por 3 sets a 2. O time perdia por 2 sets a 0. As parciais foram de 24/26, 21/25, 25/17, 25/22 e 16/14. Com a vitória, o JF Vôlei derrubou a invencibilidade do rival no estadual.
Depois de sair atrás em dois sets, o time juiz-forano cresceu no terceiro, aproveitou uma sequência de erros do adversário e abriu 17/12 para fechar em 25/17. No quarto set, o JF Vôlei passou boa parte à frente do placar, segurou a vantagem na reta final e fez 25/22, forçando o tie-break. O set de desempate foi equilibrado do início ao fim, com o Minas tendo duas oportunidades de fechar a partida. Em um dos lances decisivos, um desafio por possível invasão na linha central paralisou o jogo com o placar em 14/14; na sequência, os juiz-foranos aproveitaram melhor os pontos decisivos e fecharam em 16/14.

Já classificado e com a liderança assegurada, o Minas entrou em quadra com os titulares poupados e espaço para reservas e atletas da base. A vitória, ainda assim, teve peso simbólico para o projeto juiz-forano. “É uma vitória extremamente importante. Estamos batalhando dia após dia, com uma jornada muito pesada. Tentamos recuperar ao máximo os atletas, abrimos mão de treinos. Não deu para contar com todos, mas mostramos a força do grupo, todos fazendo o máximo”, afirma o técnico André Silva.
“Me deixa muito feliz. Acho que fechamos o ciclo do Mineiro da melhor forma possível. É difícil performar com tantos fatores: dormir fora, comer diferente, acaba acumulando. Chuvas pesadas, acidentes no caminho. Não entramos em desespero, trabalhamos ponto a ponto”, completa.
O ponteiro Nathan Krupp, um dos reforços do clube para a temporada, também fez questão de destacar a força da equipe na reta final. “Tivemos resiliência. Viemos de uma semana fora de casa, viajando. Foram 13 sets jogados em cinco dias, não é fácil”, pondera o atleta.
A vitória sobre o Minas foi a primeira e única do JF Vôlei na competição. O time disputou cinco jogos na primeira fase, com quatro derrotas e um triunfo, e terminou na quinta colocação. Na estreia, em casa, no Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos, a equipe foi superada pelo Praia Clube por 3 sets a 2, no tie-break. Pela segunda rodada, também diante da torcida, venceu o primeiro set do Sada Cruzeiro, por 25/23, mas sofreu a virada e perdeu por 3 a 1.
Na sequência, saiu atrás do Azulim Monte Carmelo por 2 a 0, buscou o empate, mas caiu no tie-break por 3 a 2, com a parcial de desempate em 15/6. A derrota por 3 sets a 0 para o Montes Claros, no dia 3, em jogo antecedido por forte chuva que causou queda de energia e pontos de alagamento no ginásio, tirou as chances de classificação — o time entrou em quadra diante do Minas já sem chances de semifinal.
Na classificação final, Itambé Minas liderou com quatro vitórias e uma derrota, seguido por Sada Cruzeiro, Praia Clube e Azulim Monte Carmelo, que completaram os classificados às semifinais, com Montes Claros em sexto. A fase final será disputada no Mineirinho, em Belo Horizonte, na sexta-feira (9), às 18h, com Itambé Minas x Azulim Monte Carmelo, e às 20h30, com Sada Cruzeiro x Praia Clube. A disputa de terceiro lugar e a final acontecem no domingo (11), às 8h e às 11h. O Sada Cruzeiro, atual campeão e dono de 16 títulos estaduais seguidos, tenta se aproximar do Minas, maior vencedor da história, com 22 troféus.

JF Vôlei na Superliga B
O quinto lugar no Campeonato Mineiro encerrou a primeira parte da temporada do JF Vôlei, mas o que está à frente define o ano do clube. Rebaixado na Superliga A 2025/2026, quando terminou na lanterna com uma vitória em 22 jogos, o time de Juiz de Fora disputa a partir de novembro a Superliga B, segunda divisão do vôlei nacional, que reúne 14 equipes e garante ao campeão e ao vice o acesso à elite.
O estadual, na avaliação da comissão técnica, funcionou como laboratório para a nova divisão. Para o desafio, o clube mantém a parceria com o Sada Cruzeiro, fechada em 21 de agosto, dez anos depois do acordo que rendeu ao JF Vôlei a melhor campanha da sua história na elite — a sétima posição na fase classificatória e a primeira vaga em playoffs, com 12 vitórias e 10 derrotas na temporada 2016/2017, quando o Cruzeiro emprestou 12 jogadores e o técnico Henrique Furtado.
Pelo novo vínculo, oito atletas da base do Sada foram emprestados ao time juiz-forano, com os salários pagos pelo clube celeste, enquanto o JF Vôlei arca com as despesas na cidade, como hospedagem, alimentação e transporte.
“Nos deu um fôlego muito importante, para que a gente tivesse a garantia de que a gente teria um time em quadra. A partir disso, fomos para contratações pontuais, que foram muito facilitadas, porque são oito atletas a menos com salários a pagar”, explicou o diretor Maurício Bara à época.
Os emprestados são o líbero Arthur Lessa, o oposto Apolo Dantas, os ponteiros Ceará, Lucas Righi e Geílson, os centrais Pedro Dybax e Pedro Couto e o levantador Arthur Jaeger. Até o momento, não foram confirmados reforços para a Superliga B.
Além dos emprestados, o clube renovou com o levantador Tarik Bellini e o líbero Pedro Mococa e contratou o central Mateus Logan, o ponteiro Nathan Krupp e o oposto argentino Gonzalo Lapera, que volta a Juiz de Fora depois de conquistar a Superliga C de 2023/2024 pelo próprio JF Vôlei. “Na última vez que vim, era um time com mais experiência, com maiores jogadores. Neste ano, começamos com jogadores de base, inclusive do Sada. Mas é um time que, ao longo do tempo, vai dar ritmo”, acredita Lapera.
O comando técnico segue com André Silva, na terceira temporada consecutiva à frente do projeto e o mesmo que conduziu o time ao acesso na Superliga B em 2025, com campanha que chegou a emplacar 15 vitórias seguidas. A integração com os atletas vindos do Cruzeiro tem a ponte de Marcos Nascimento, o Marcão, coordenador da base do Sada e ex-treinador do JF Vôlei, campeão da Superliga B com o clube em 2021.
A Superliga B 2026/2027 terá o Araguari Vôlei como único outro representante de Minas Gerais na disputa, além de equipes de vários estados. Nathan Krupp, bicampeão da competição e com três acessos na carreira, chega com a meta do título para o JF Vôlei. Enquanto isso, o time segue a preparação em Juiz de Fora até a estreia, prevista ainda para novembro.
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