Atletas da equipe da UFJF são convocados para os Jogos da Juventude 2026

Laura Maria Andrade e Arthur Peterson, ambos de 16 anos, da equipe Atletismo UFJF, foram convocados para representar Minas Gerais nos Jogos da Juventude 2026, evento organizado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). A jovem estuda na Escola Estadual Ali Halfeld, que fica no Bairro Nossa Senhora de Lourdes, Zona Sudeste da cidade, e mora no mesmo bairro. Já o colega de equipe é morador do São Mateus, na Zona Sul, e estuda no Colégio Stella Matutina, Centro.

Classificados ao ganharem as etapas estaduais dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG), Laura vai competir nos 100 metros com barreiras, e Arthur, nos 3 mil metros rasos e nos 800 metros rasos. Ambos entre os dias 20 e 22 de outubro, ainda sem data certa.

Na modalidade do atletismo, cada estado brasileiro pode inscrever até 28 atletas (14 homens e 14 mulheres), entre 15 e 17 anos de idade, sendo que a 14ª vaga é exclusiva para inscrição de atleta na prova de marcha atlética, não podendo ser utilizada para inscrição de atletas em outras provas. O limite de participação por atleta é de duas provas individuais e livre nas provas de revezamentos.

Do campo à Fogueira

Atletas da UFJF são convocados para os Jogos da Juventude 2026
Destaque nos 1.500 e 3 mil metros, Arthur Peterson representa Juiz de Fora desde os 13 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Assim como grande parte dos garotos brasileiros, Arthur era mais um que tinha o sonho de ser jogador de futebol, e seguia o sonho morando com a mãe, no Rio de Janeiro. Aos 13 anos, surgiu a oportunidade de se mudar para Juiz de Fora, morando com o pai, para treinar no Uberabinha.

No gramado, Arthur já era “correria”, jogava de lateral-esquerdo. Até que sofreu uma lesão, ficou três meses parado e foi perdendo espaço no clube. Enquanto isso, o pai sempre fazia corridas de longas distâncias, e acabou inscrevendo o filho na Corrida da Fogueira, uma das provas de rua mais tradicionais do país.

Arthur fez a prova sem treinar nada, apenas jogando futebol e se recuperando. E gostou. “Como eu já estava perdendo espaço no clube, foi uma ideia que abriu na minha cabeça. Foi um período de reflexão e de tomar decisões do que eu queria para a minha vida”, relembra.

Depois da Fogueira, o pai de Arthur o colocou no projeto de Atletismo da UFJF, onde já entrou com o treinador que segue até hoje, Francisco Lima. Em três semanas, teria o Campeonato Mineiro Sub-16 de 2024. Pouco tempo de treino, sem fazer ideia de quem eram os adversários, de como seria a prova, ou da sensação de competir em uma pista de atletismo, “sem expectativa nenhuma”. Fez mil metros em 2 minutos e 52 segundos e se sagrou campeão estadual.

Daí veio a certeza e o foco total no atletismo. Em 2025, com mais tempo de treino, ganhou bronze nos 3 mil metros do Brasileiro sub-18, logo em sua primeira competição a nível nacional. “Meu treinador com certeza foi uma ajuda muito grande. Sempre me apoiou, sempre conversou muito comigo. Sem ele, eu não teria alcançado essa marca e nem estaria onde eu estou hoje”, valoriza.

“Ele realmente é tudo isso mesmo”, brinca o treinador, “é um menino bem diferente. Ele teve uma progressão bem rápida no início, foi campeão mineiro, medalhista do campeonato nacional ano passado”. 

A gratidão do atleta também vai à psicóloga com quem se tratava e à família, por um momento que exigiu maturidade desde cedo. “A transição do futebol para o atletismo era um período de incertezas, eu não sabia ainda o que eu queria. Tudo tem os dois lados. Eu tinha que pensar quais seriam as consequências, sejam boas ou ruins. Abrir mão de um sonho que eu tinha desde pequeno, que sempre treinei muito para alcançar. Mas eles sempre me apoiaram”.

Descobrindo as barreiras

Atletas da UFJF são convocados para os Jogos da Juventude 2026
Laura também irá disputar o Campeonato Brasileiro Sub-18 de Atletismo, e criou vaquinha para ajudar com as despesas (Foto: Arquivo pessoal)

Antes de competir no atletismo, Laura também jogava futebol, mas nada muito sério, apenas por diversão. Até que, em 2022, chegaram os Jogos Intercolegiais e um professor perguntou quem da turma gostava de correr e, assim, ela foi inscrita.

O detalhe é que só foi saber que correria com barreiras no mesmo dia da competição, quando já tinha chegado na Universidade Federal. “Eu não tinha noção de quais provas eram o atletismo, para mim, era só correr. No dia que eu cheguei e descobri que tinha salto, arremesso, a corrida com barreira…”.

Mesmo assim, foi vice-campeã, e só não pegou o primeiro lugar porque achou que bastava ultrapassar os obstáculos para concluir a prova. De fato, aquela primeira linha de chegada era mero detalhe para o que estava por vir. “A partir dessa experiência eu comecei a gostar mais do esporte. Em 2023, eu comecei a treinar a convite de uma amiga e comecei a me dedicar mais. Fui nos treinos e, conhecendo melhor as provas, acabei percebendo que eu tinha muita facilidade em fazer barreira”, conta.

Ela também faz questão de enaltecer pessoas importantes para a própria evolução no atletismo, “principalmente a Raissa Mattos, o Luiz Henrique Bolais e o Filipe Sirimarco”. “Cada um deles teve um papel importante na minha caminhada e no meu desenvolvimento como atleta. A Raissa, em especial, porque foi ela que me apresentou as barreiras e eu sou muito grata por todo o apoio, ensinamento e dedicação deles comigo”.

“A Laura tem um caminho muito promissor pela frente”, projeta Bolais, o atual treinador. “Sempre dedicada aos treinos, quase nunca falta, e sempre se compromete a entregar o seu melhor dentro das pistas”.

Ele também ressalta o trabalho “fantástico” realizado com ela, anteriormente, pelos outros dois ex-bolsistas de extensão do projeto de Atletismo da UFJF.

Campeonato Brasileiro e vaquinha

Além dos Jogos da Juventude, neste ano ela também terá a oportunidade de disputar o Campeonato Brasileiro Sub-18 de Atletismo, que será realizado de 21 a 23 de agosto, em São Paulo. Para ajudar a custear a viagem, hospedagem, alimentação e preparação para o campeonato, lançou uma vaquinha, que pode ser acessada neste linkNa vaquinha, ela ressalta que, além de campeã do JEMG, é também bicampeã estadual dos 400 metros com barreiras e conquistou o terceiro lugar no Campeonato Mineiro Sub-18 em 2025.

Expectativas de medalhas

Nos 100 metros com barreiras, o melhor tempo de Laura é de 16 segundos e 81 centésimos. Embora a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) não conte a marca do JEMG para estabelecer o ranking nacional, esse tempo a colocaria entre as 30 melhores. A meta para os Jogos da Juventude é buscar uma boa colocação, “quem sabe até um pódio”. Mais do que isso, está ansiosa para representar bem Juiz de Fora e Minas Gerais, e “aproveitar essa experiência para aprender e continuar evoluindo no atletismo”.

Ela sabe valorizar apenas a participação porque ela própria já é uma grande conquista. “Eu estava muito focada para dar tudo certo. Eu fui treinar mesmo quando eu estava muito cansada. Foi muito esforço, disciplina e vontade de conseguir essa oportunidade”. 

Além disso, como é do esporte, no caminho há decepções que engrandecem os êxitos. “Em 2025, eu acabei ficando em quarto lugar. Eu falei que queria e ia ganhar em 2026 e acabou dando tudo certo. Quando consegui a classificação, fiquei bastante feliz, chorei bastante, porque vi que tudo que eu tinha me esforçado, tudo que tinha deixado para trás para conseguir ganhar, tinha valido a pena”.

Bolais reforça que as expectativas são grandes em relação ao nacional. “Toda a equipe está animada e certa de que ela fará grandes resultados. O objetivo sempre é estar no pódio em qualquer competição, mas o mais importante é a constância que estamos tendo entre as competições deste ano, estamos muito satisfeitos com o ano até agora e esperançosos para os próximos”.

Para Arthur, a situação é um pouco diferente, já que ele não treina normalmente para um tipo de prova que vai participar, e é um treino bem diferente. “As minhas provas são os 1.500 e os 3 mil metros. Acabou que eu classifiquei nos 800 e nos 3 mil metros, porque nos Jogos Escolares não tem 1.500 metros”, explica.

“Como eu não treino para os 800 metros, então eu não tenho uma expectativa maior. Eu vou ficar muito satisfeito de ‘apenas’ bater meu recorde pessoal”, afirma, se referindo à marca de 1 minuto e 58 segundos.

“Mas, nos 3 mil, a história já é diferente”. Nessa distância, ele ocupa o quarto lugar no ranking brasileiro sub-18 e 17º no ranking sul-americano. O melhor tempo que já marcou é de 8 minutos e 58 segundos. O objetivo declarado é de sair com alguma medalha dos Jogos.

O treinador Francisco pondera que “é um objetivo muito difícil, porque os outros atletas também têm essa meta, todo mundo quer ser campeão”. “Mas ele é um garoto muito talentoso, dedicado, treina muito, leva muito a sério (…). Não seria uma surpresa ele ser campeão ou sair com uma medalha, é o nosso objetivo”.

Rotina de treinos

Para buscar esses resultados, a rotina de treinos de ambos é árdua. Ele treina seis vezes por semana. Pela manhã, corrida e, à tarde, fortalecimento. Duas vezes por semana ainda encerra com mais uma sessão de corrida.

“Com o treinador, a gente tem a metodologia de treinar bastante volume, bastantes quilômetros rodados, para ter uma base aeróbica bem grande”, explica. “E, depois, quando estiver mais perto da prova, a gente coloca a intensidade mais alta, diminui o volume e faz um polimento para a prova”.

Bolais conta que já está começando a implementar treinos voltados para os 400 metros com barreiras para Laura, por interesse dela, visando uma evolução para os próximos anos. Atualmente, para a prova que competirá, fazem três treinos por semana, por volta de 2 horas e meia, podendo prolongar ou encurtar um pouco.

Na segunda-feira, primeiro, um fortalecimento muscular na academia, tanto superior, quanto inferior, e depois um trabalho técnico na pista: “Passar a barreira baixo, passar uma barreira só, tentar fazer força para sair mais rápido do bloco e, consequentemente, dar três passadas entre uma barreira e outra, não repicar o movimento (vir num ritmo e tentar consertar no meio antes de passar a barreira)”. No fim, ainda fazem 80 metros com barreira;

Na quarta, começam na academia focando em um treino de explosão, para ganhar mais potência, principalmente pelo período de muitas competições. Aí, trabalham Levantamentos de Peso Olímpico, movimentos do crossfit. Depois, sobem para a pista da Universidade e fazem um treino variado de técnica com resistência aeróbica. Na sexta, também iniciam com os mesmos movimentos de LPO e, depois, fazem um treino totalmente de resistência aeróbica.

Jogos da Juventude

Uma das principais competições multiesportivas para jovens atletas do Brasil, organizada pelo COB, será realizada pela primeira vez em Foz do Iguaçu (PR), entre os dias 19 de outubro e 3 de novembro, e deve contar com cerca de 5 mil atletas, provenientes de escolas públicas e privadas de todo o país.

Além do atletismo, o programa esportivo também inclui as modalidades águas abertas, badminton, basquete, ciclismo, esgrima, futsal, ginástica artística, ginástica rítmica, handebol, judô, natação, remo virtual, taekwondo, tênis de mesa, tiro com arco, triatlo, vôlei de praia, voleibol e wrestling.