Copa do Mundo 2026: Tribuna de Minas contou o Mundial a partir das ruas e das pessoas de Juiz de Fora e região

por jf - copa - tribuna na copa

A Copa do Mundo de 2026 termina neste domingo (19), com Espanha e Argentina frente a frente na decisão, marcada para as 16h, no horário de Brasília. O torneio foi disputado pela primeira vez em três países – Estados Unidos, México e Canadá -, mas também ganhou vida longe dos estádios.
Ao longo de cerca de dois meses, entre o período que antecedeu a competição e os jogos do Mundial, a editoria de Esportes da Tribuna de Minas acompanhou como Juiz de Fora e cidades da região se prepararam, torceram e reagiram à campanha da Seleção Brasileira. Eliminado pela Noruega nas oitavas de final, o Brasil não conquistou o hexacampeonato, mas a torcida local esteve presente nas páginas do jornal, no site e nas redes sociais da Tribuna.
A cobertura reuniu histórias das ruas, análises de especialistas, lembranças de outras Copas e personagens que ajudaram a contar o Mundial a partir de Minas Gerais.

A Copa vivida em Juiz de Fora

Antes mesmo da estreia do Brasil, a Tribuna acompanhou as diferentes formas encontradas pelos moradores para entrar no clima da Copa.
No Bairro Industrial, por exemplo, a pintura das ruas ajudou a recuperar uma tradição depois dos impactos provocados pelas fortes chuvas registradas no início do ano. No Caiçaras, moradores voltaram a colorir a Rua Dnar Rocha. Já no Centro, vizinhos da Travessa Professor Leonelo Fortini se reuniram para acompanhar as partidas da Seleção.

A mobilização também chegou ao Campo das Vertentes. Em São João del-Rei, estudantes universitários se organizaram para retomar a tradição de pintar as ruas com as cores do Brasil.
Ao longo da competição, a torcedores assistiram aos jogos da Seleção Brasileira em diferentes lugares: bares, feijoadas, casas e até no estacionamento do Estádio Municipal e do próprio estádio em que o confronto futebolístico ocorria nos Estados Unidos da América. Antes do Mundial, torcedores de Juiz de Fora e São João del-Rei também foram ouvidos no Maracanã durante um dos últimos amistosos da Seleção antes da estreia. A prática dos bolões, brincadeira paralela comum entre amigos que acompanham os resultados dos jogos, também foi noticiada.

Análises, expectativas e frustração

A cobertura não ficou restrita às manifestações da torcida. Desde a convocação dos 26 jogadores, treinadores e profissionais ligados ao futebol da cidade foram convidados a avaliar as escolhas de Carlo Ancelotti e o desempenho do Brasil.
Antes do confronto contra o Haiti, a Tribuna também ouviu o treinador Rafael Novaes, que acompanhou de perto a formação de atletas que defenderam a seleção haitiana. Após a eliminação para a Noruega, no dia 5 de julho, torcedores de Juiz de Fora dividiram a frustração com o resultado e defenderam mudanças para o próximo ciclo.
O serviço ao leitor também esteve presente ao longo de todo o torneio, com informações sobre horários, transmissões, escalações esperadas e os principais assuntos que cercaram a Seleção, como a condição física de Neymar e as decisões da comissão técnica.

Uma nova geração de torcedores

A Copa também foi contada pelo olhar de quem ainda começa a construir sua relação com o futebol.
Davi Vicente, de 11 anos, conhecido como “Ronaldinho” da Cidade Alta, e Daniel Caetano, o “comentarista mirim” que chama atenção pela memória sobre o esporte, representaram uma geração que ainda não viu o Brasil conquistar uma Copa do Mundo.
No Bairro Caiçaras, a estudante Kauane Vitória, também de 11 anos, foi uma das participantes da pintura da rua e ajudou a manter viva uma tradição que atravessa diferentes gerações.

Do mundo para Minas Gerais

A presença de estudantes estrangeiros em instituições de ensino da região permitiu mostrar como a Copa foi acompanhada por torcedores de outros países que vivem em Minas Gerais.
Antonio López, mexicano e mestrando em Administração na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); Pablo Martinez e Julianna Sarah, estudantes estadunidenses da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ); e Danielson Gomes, nascido em Cabo Verde e graduando em Ciência da Computação na UFJF, estiveram entre os personagens ouvidos durante a competição.

“Os relatos mostraram como o Mundial também serviu de ponto de encontro entre diferentes culturas, experiências e formas de viver o futebol”, destaca o jornalista e editor de esportes da Tribuna de Minas, Arthur Raposo Gomes.

Memórias de outras Copas

Além do noticiário diário, a Tribuna abriu espaço para preservar histórias ligadas ao Mundial.
Uma das entrevistas foi com o fotógrafo juiz-forano Benito Maddalena, que cobriu cinco edições da Copa do Mundo e relembrou momentos vividos ao lado de alguns dos principais personagens da história do futebol.
“Tem que abraçar a profissão com amor e dedicação. Sempre pense grande, seja qual for a carreira que você abraçar”, afirmou.


No início da cobertura, o jornalista, pesquisador e professor Chico Brinati falou sobre a forma como a imprensa ajudou a construir a memória da Seleção Brasileira, especialmente após as derrotas de 1950 e 2014, conhecidas, respectivamente, como Maracanazo e Mineiratzen.
No dia da abertura da Copa, o treinador Sérgio Moraes, o jornalista Márcio Guerra e Eneida Santos, mãe do paratleta Gabrielzinho, relembraram, por sua vez, o pentacampeonato conquistado em 2002.
Outra reportagem recuperou a trajetória de Heleno de Freitas, nascido em São João Nepomuceno, um dos maiores ídolos da história do Botafogo e que nunca disputou uma Copa do Mundo em razão das guerras que interromperam o torneio.

Histórias que fugiram do roteiro

Nem todos os personagens da cobertura estavam dentro dos estádios ou diante da televisão.
Em Piedade do Rio Grande, sete gansos de estimação do blogueiro e aposentado Kelver Santos “vestiram camisas do Brasil” e percorreram as ruas da cidade com a bandeira da Seleção.
Em Juiz de Fora, a Copa também serviu de inspiração para uma ação do Canil Municipal, que adotou nomes de jogadores brasileiros para divulgar animais disponíveis para adoção.
Mas uma pessoa que teve repercussão foi Juan Filho, conhecido pela semelhança com Vini Júnior. Após a primeira entrevista à Tribuna de Minas, o sósia participou de mais de 30 campanhas publicitárias e voltou a ser ouvido durante o Mundial para contar como sua rotina havia mudado.

Uma cobertura que também circulou nas redes

A repercussão da cobertura ultrapassou as páginas do jornal e o site da Tribuna de Minas. Apenas no Instagram, uma das plataformas de mídias sociais em que os conteúdos foram compartilhados, houve mais de 50 mil interações nos conteúdos relacionados à Copa. Entre os materiais de maior alcance estiveram o registro de que “Juiz de Fora comemora gol de empate do Brasil contra o Japão”.

Para o editor, Arthur Raposo Gomes, a proposta foi acompanhar os principais fatos do Mundial sem deixar de observar como o torneio foi vivido na região.
“Buscamos combinar o noticiário esportivo tradicional com memória, comportamento, histórias locais e diferentes formas de torcer. A Copa é um evento mundial, mas também acontece nos bairros, nas casas, nos bares e nas relações que as pessoas constroem com o futebol”, afirma.

O papel do jornalismo esportivo local e regional

“O jornalismo local e regional é fundamental nas sociedades”, destaca a professora de Jornalismo Esportivo no UniAcademia, Gilze Bara.
Gilze segue a reflexão: “Mesmo em um evento mundial, como a Copa do Mundo de Futebol, o jornalismo local e regional permite uma cobertura diferenciada, com olhares que têm a ver com a cidade e a região”.
“Então não é uma cobertura fria, distante, como veículos nacionais e internacionais fazem. Ao contrário, é uma cobertura aproximada, com laços de pertencimento com o público – mesmo que as pessoas não tenham consciência disso, elas acabam sentindo algo diferente”, avalia a jornalista e docente.

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(Fotos: Leonardo Costa e Felipe Couri / Montagem: Leonardo Costa)

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