Em Minas Gerais, estudantes dos EUA vivem a emoção da Copa do Mundo

por jf - copa - tribuna na copa

Enquanto milhões de torcedores acompanham a Copa do Mundo nos estádios dos Estados Unidos, México e Canadá, os jovens estadunidenses, Pablo Enrique Martinez Bojorquez e Julianna Sarah de Oliveira Schrader, vivem a experiência de um jeito diferente: assistindo aos jogos do interior de Minas Gerais, mais precisamente em São João del-Rei, cidade localizada a cerca de 160 quilômetros de Juiz de Fora. A distância dos países-sede não diminui a emoção. Pelo contrário. O Mundial se tornou também uma oportunidade de refletir sobre identidade, família e pertencimento.

Nascido nos Estados Unidos, mas com pais mexicanos, Pablo participa do Portuguese Flagship Program – programa exclusivo para estadunidenses que desejam alcançar a fluência avançada ou até profissional na língua portuguesa. Aos 25 anos, ele é formado em Interpretação e Tradução nos EUA, tem também um diploma em contabilidade, o estudante está há seis meses no Brasil.

Com essa “mistura” de nações, sendo que os EUA e o México sediam a Copa do Mundo junto com o Canadá, o sentimento é de orgulho e pertencimento aos países.

“Parece uma Copa que também conta um pouco da minha história. Em relação à torcida, meu coração costuma pender mais para o México por causa da minha família e das minhas raízes. Mas nunca foi uma escolha simples, porque também me sinto americano e é graças ao Governo dos Estados Unidos que tive a oportunidade de estudar no Brasil e anteriormente na Espanha. O torneio sempre foi um momento de união. Reunir a família, vestir as cores do time e viver cada jogo com emoção são lembranças que carrego com carinho”, conta.

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Pablo e Julianna (ao centro), em visita, a estádio de futebol ao lado de outros estudantes intercambistas (Foto: arquivo pessoal)

⁠Longe de casa, Julianna sente falta da comida e decorações que a mãe faz.

“Nós festejamos em casa juntos com nossas vuvuzelas antigas dos anos 90. Mas fora de casa eu sinto mais uma cultura da Copa do Mundo aqui no Brasil. Não vejo muita felicidade e ansiedade para o torneio nos Estados Unidos. Não é nosso esporte. É um pouco estranho acompanhar uma Copa em que seu país de nascimento é sede, mas vivendo tudo do interior de Minas Gerais. Ao mesmo tempo, é especial enxergá-la através dos olhos de um país que respira o futebol, reflete.

Junto ao noivo, a estadunidense assiste aos jogos com comentários em português para treinar, já que estuda Português e Psicologia na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), aos 21 anos.

“Eu não sei muito sobre futebol, mas ele é jogador e explica tudo para mim. Desde que eu era criança, minha família torcia para o Brasil em vez dos EUA – minha mãe é brasileira. Mas eu sigo a informação da equipe do meu país também da mesma forma… e eu torço em segredo para nossos jogadores também. Minhas colegas de casa não falam muito sobre a Copa, só os jogos do Cruzeiro”, relata.

Diferenças de cultura

Brasil e Estados Unidos vivem o futebol de maneiras muito diferentes. Do lado dos brasileiros, o que Pablo Enrique mais admira é a paixão pelo esporte.

O futebol parece fazer parte da vida cotidiana, das conversas, das memórias e da identidade das pessoas. Lá nos Estados Unidos, não tem jogadores de futebol – tem atletas. Durante minha vida, tive a oportunidade de jogar com estadunidenses como eu, com pais de diferentes países. Me senti em um ambiente de paz e tranquilidade entre diversas culturas”, comenta.

Para Julianna Sarah, o que mais chamou atenção no período de Copa foi que os supermercados fecham nos dias do jogo do Brasil.

“Achei muito estranho, como se fosse um feriado, mas é muito legal. Brasileiros têm muito orgulho do seu país e querem apoiar os jogadores que os representam. Todo mundo fala sobre futebol, especialmente durante esse mês. Por outro lado, os estereótipos sobre o Brasil e o futebol não fazem justiça ao país e sua paixão”, destaca sobre o que significa assistir à Copa do Mundo no Brasil sendo norte-americana. “Mesmo hoje em dia com o clima polarizado. Eu admiro que é como se todos eles fossem nossos irmãos ou filhos da nossa própria família. Mesmo com os clubes, eles se cuidam”, complementa.

Se pudesse escolher um jogo para assistir no estádio, Pablo Enrique não tem dúvidas: México x Estados Unidos.

“Seria como ver duas partes da minha identidade se encontrando em campo, mas essa Copa é do homem: Cristiano Ronaldo (de Portugal)”, brinca e opina.

Já quanto a uma hipotética reta final da Copa envolvendo Brasil, Estados Unidos e México, a torcida é para os mexicanos.

“Seria impossível ignorar minhas raízes familiares. Serei sempre grato aos Estados Unidos, mas o coração pesa muito”, finaliza.

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