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Transformação de vida“: É assim que Ricardo de Souza Souto Maior Lopes, de 22 anos, mais conhecido como Ricardo Dekker, define a sua experiência com a luta. O atleta conta que, mais novo, gostava de brigar, era indisciplinado e irresponsável, mas foi por meio da luta que a sua história mudou. Dentro dos ringues, aprendeu a reconhecer a importância de figuras de autoridade, ter mais responsabilidade e ser uma pessoa melhor. “Eu nunca mais me envolvi em problema nenhum com ninguém, muito pelo contrário, hoje em dia eu sou uma pessoa muito pacífica”, afirma Dekker à Tribuna de Minas.

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(Foto: Arquivo Pessoal)

Competidor nas modalidades muay thai, kickboxing e boxe, Ricardo conta que sua trajetória na luta começou de forma inusitada: enquanto voltava de um treino de futebol, foi abordado por um jovem que o perguntou se praticava alguma luta, “porque eu tinha, segundo ele, eu tinha físico de lutador”, relembra. Quando respondeu que não, o jovem, que estava em uma academia, o convidou para fazer uma aula experimental na modalidade.

“Na minha cabeça eu ia para esse treino, eu ia bater em todo mundo lá, e eu ia embora, porque eu achava que eu era bom, e aí eu cheguei lá e apanhei muito, muito, muito. Aí eu falei assim, ‘nossa, agora eu só vou parar de treinar quando eu devolver, quando eu bater nesses caras aqui'”, brinca. Mas apesar da história incomum, esse foi apenas o início da paixão pelo esporte que se tornou também uma carreira.

A decisão de transformar o esporte em profissão aconteceu em abril de 2025, quando competiu em Belo Horizonte e sua carreira alcançou projeção nacional, com um convite para competir em Florianópolis. Neste momento, Dekker decidiu abrir mão de outras atividades para dedicar-se ainda mais à luta.

 

Na ocasião, o atleta, apesar de ser considerado o ‘azarão’, surpreendeu o público com sua performance na luta: “era a sétima edição do evento e eu lutei contra o campeão do evento. Eu cheguei lá sem muito glamour, porque eu só lutava aqui em Juiz de Fora, então ninguém lá me conhecia. Por mais que eu já tivesse bastante luta, já fosse bastante conhecido aqui na cidade, em Belo Horizonte era como se eu fosse um iniciante. E aí eu cheguei lá para lutar contra o melhor da categoria que tinha, e tava todo mundo esperando que eu perdesse rápido, que ele me nocauteasse, só que a gente fez uma luta muito dura”, narra.

Dekker relembra que após três rounds, a vitória foi dada ao adversário: “muita gente questionou falando que eu tinha ganhado, mas essa luta me marcou muito, porque mesmo que dê uma vitória pra ele, eu fiquei muito satisfeito de chegar nesse evento, que era o maior que eu já tinha competido, lutar contra um campeão que já era super reconhecido lá na cidade de Belo Horizonte, e conseguir entregar uma luta muito boa”. Neste dia, muitas portas se abriram para o atleta.

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(Foto: Arquivo Pessoal)

Mas apesar de ter conquistado espaço no cenário brasileiro das lutas, a tensão minutos antes de subir no ringue nunca muda: “sempre vai ter a adrenalina, o frio na barriga de subir em cima do ringue, só que uma coisa que eu sempre tento conversar quando vem alguém me perguntar como é que é essa questão, é de que você tem que se lembrar pelo motivo de que você está ali”, propõe.

Para Ricardo, o segredo é sempre manter a diversão no seu horizonte: “eu subo no ringue porque eu gosto, porque é um esporte que eu amo praticar, que eu me apaixonei, não tem pressão nenhuma. Eu não sou obrigado a estar ali em cima do ringue, eu faço porque é uma coisa que eu gosto. Eu tento sempre me divertir em cima do ringue. Por mais que às vezes você leve um golpe ou outro ali, sinta dor, sinta cansaço, mas é uma questão que me diverte. Eu gosto de estar praticando aquele esporte, e acho que quando você consegue atingir esse nível de maturidade, de consciência, de estar satisfeito com o que você está fazendo, a pressão de estar ali em cima fica muito menor”.

E ele encoraja os lutadores que estão começando agora a competir. “É muito importante que você acredite que é possível. Existem muitas dificuldades, é muito difícil, porque você não vai ter apoio, você não vai ter reconhecimento. Muitas das vezes vai faltar recursos, você vai precisar de ajuda de terceiros, às vezes fazer uma rifa, fazer algo do tipo, só para poder competir. O processo é um pouco lento, mas as coisas vão acontecendo. Aos poucos vai dando certo”, reflete.

“E o mais importante é sempre se manter preparado. Porque a oportunidade aparece e se você não estiver pronto, outra pessoa vai conseguir agarrar uma chance que podia ser sua. Então estar sempre na academia, estar sempre trabalhando, buscando melhorar e na hora certa a oportunidade aparece”, completa.

Próximos desafios

Dekker se consagrou vice-campeão na categoria de 67 quilos no evento Open Aron, disputa de muay thai que ocorreu em Porto Alegre no último dia 20. O atleta passou por diversas etapas no campeonato e afirma que não era o favorito da modalidade: “dos oito atletas que estavam escalados para participar desse torneio, eu fui classificado como o último entre os favoritos”.
Só da gente ter conseguido chegar na final e ir desbancando dois atletas que eram favoritos para estar ganhando esse torneio, eu já consegui colocar meu nome em uma posição muito alta no cenário do muay thai no Brasil“, comemora o atleta.
E os planos não param: para o futuro, Ricardo pretende conhecer novas regiões do Brasil e do mundo por meio da luta. “Talvez umas viagens para a Tailândia com um tempo de treinamento lá e algumas lutas. Talvez alguns países da Europa, como a Holanda, que é o país onde a minha academia se originou”, finaliza.

*Estagiária sob supervisão do editor Arthur Raposo Gomes.

O post Luta mudou a vida e levou juiz-forano ao cenário nacional; conheça Ricardo Dekker apareceu primeiro em Tribuna de Minas.