O cenário de empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve permanecer até o segundo turno das eleições, segundo especialistas em pesquisas eleitorais ouvidos pela CNN Brasil. A avaliação predominante é de que a semana que antecede o segundo turno será decisiva para a definição do resultado final. O analista de Política da CNN Pedro Venceslau comenta o tema ao CNN 360°.
A mais recente rodada da pesquisa Nexus, contratada pelo banco BTG Pactual e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ouviu 2.002 eleitores de todo o país entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos seguem tecnicamente empatados: Flávio aparece numericamente à frente com 46%, enquanto Lula marca 45%. Votos brancos, nulos e nenhum ficaram em 8%, e os indecisos permanecem em 1%.
Análise dos especialistas
Pedro Venceslau conversou com três especialistas em pesquisa eleitoral — Murilo Hidalgo, diretor-presidente da Paraná Pesquisas, Wilson Pedroso, estrategista e sócio do instituto Real Time Big Data, e uma terceira fonte que preferiu não se identificar. Segundo ele, as três opiniões convergiram para a mesma conclusão.
“Por mais que as placas tectônicas se movimentem dos dois lados, com escândalos, com desgastes, a eleição não vai mudar”, relatou Venceslau, sintetizando a visão dos analistas.
Os especialistas avaliaram ainda que o crescimento recente de Augusto Cury representa um movimento decorrente do desgaste político geral, mas que essa onda já estaria passando. “A terceira via não empolgou, e Augusto Cury começou a minguar”, disse o analista, acrescentando que o eleitorado já estaria consolidado nos dois polos da polarização.
Semana decisiva e o papel do noticiário
Na avaliação dos especialistas, a tendência é que a eleição seja decidida pelo noticiário na véspera do segundo turno.
Para ilustrar esse cenário, Pedro Venceslau recordou dois episódios considerados determinantes no segundo turno de 2022 — a ação de Carla Zambelli nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, e o ataque de Roberto Jefferson a policiais federais em sua residência no Rio de Janeiro.
“Até os bolsonaristas hoje culpam esses dois episódios pela derrota de Jair Bolsonaro”, afirmou o jornalista.
Seguindo essa lógica, os especialistas avaliam que, se uma operação da Polícia Federal vier a se concentrar em Flávio Bolsonaro, o pêndulo pode favorecer Lula. Por outro lado, se surgirem novas revelações envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva ou o desgaste do STF pesar na conta do atual governo, a eleição pode pender para o outro lado.
“A Polícia Federal pode estar no centro da decisão da eleição nesse ano de 2026”, concluiu Venceslau. No geral, o empate deve persistir com pequenas oscilações até o segundo turno, sem mudanças mais substanciais no quadro atual.
Outros cenários de segundo turno
A pesquisa Nexus também avaliou outros possíveis confrontos no segundo turno. Em um embate entre Lula e Ronaldo Caiado (PSD), há empate técnico, com Lula marcando 46% e Caiado, 43%. Votos em branco ou nulos marcaram 10%, enquanto os indecisos seguem em 1%.
Contra Romeu Zema (Novo), Lula lidera com 47% ante 40% do adversário. Votos em branco ou nulos marcaram 11%, enquanto indecisos chegam a 2%.
Já em um eventual duelo com Renan Santos (Missão), Lula aparece com 47% contra 39% do oponente. Votos brancos e nulos ficam em 13%, e os indecisos voltaram a 2%.
No cenário entre Lula e Augusto Cury (Avante), os candidatos também empatam tecnicamente, com Cury numericamente à frente com 45% e Lula com 43%. Votos brancos ou nulos ficam em 10%, enquanto os indecisos ficam em 1%.
No quesito de potencial de voto e rejeição, 50% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 26% disseram que ele seria o único em quem votariam.
Em relação a Lula, 49% declararam que não votariam nele de forma alguma, e 35% afirmaram que ele seria o único candidato de sua preferência. A aprovação do governo Lula registrou 45% de aprovação e 50% de desaprovação na rodada mais recente.

