O candidato para a presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Lula, realizou uma entrevista a um podcast, no mesmo momento em que os demais presidenciáveis se organizavam para um debate, cancelado posteriormente, em que debateu sobre o formato atual dos debates eleitorais. A decisão de não comparecer ao debate, segundo aliados do petista, representaria um “nó tático”.

De acordo com a apuração de Pedro Venceslau ao CNN 360º, Lula foi questionado no Flow Podcast pelo entrevistador sobre sua ausência no debate da Globo. Após brincar dizendo que preferia a companhia do apresentador, ele passou a criticar o modelo vigente e defendeu um formato proporcional, que foi comparado com as divisões do futebol brasileiro.

Pela proposta, candidatos com percentuais de intenção de voto semelhantes debateriam entre si: candidatos de “Série D” com outros da “Série D”, os da “Série C” com os da “Série C”, e assim por diante. O grande debate, na visão de Lula, deveria ocorrer apenas no segundo turno.

Referências históricas e contradições

Lula também recorreu a exemplos históricos para justificar sua ausência no debate. Ele lembrou que, em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso não participou dos debates da Rede Globo e não houve cadeira vazia. Segundo ele, o recurso da cadeira vazia teria surgido apenas na eleição de 2006, quando o próprio Lula optou por não comparecer ao debate. Em 2018, Jair Bolsonaro também não participou do debate da Globo — por motivos de saúde, após ter sido esfaqueado — e, igualmente, não foi deixada cadeira vazia. Lula reclamou da diferença de tratamento entre ele e os demais candidatos.

No entanto, a fala de Lula gerou uma certa contradição interna. Ele começou afirmando ter participado de todos os debates, inclusive em 1989, com mais de 15 candidatos. Mais adiante, porém, admitiu que em 2006 optou por não ir ao debate por não querer enfrentar Geraldo Alckmin — então candidato adversário, que na época era do PSDB — e três ex-companheiros do PT. “Para que eu vou no debate me desgastar, debatendo com outros candidatos que já foram do meu partido?”, disse Lula, segundo o relato de Pedro Venceslau.

Debate com muitos candidatos desgasta o incumbente

Lula defendeu ainda que debates com muitos participantes tendem a prejudicar quem já ocupa o cargo, pois todos os demais candidatos concentram seus ataques no incumbente. Essa avaliação é compartilhada por aliados e interlocutores de sua campanha. Como contraponto, Pedro Venceslau relembrou que Tarcísio Gomes de Freitas, que liderou as pesquisas desde a pré-campanha, participou de todos os debates e deve vencer no primeiro turno.

A proposta de divisão dos debates em “séries” gerou questionamentos sobre seu impacto democrático. A apresentadora do CNN 360º, Débora Bergamasco, ponderou que o formato prejudicaria candidatos em início de carreira política — como o próprio Lula teria sido em 1989 —, dificultando a visibilidade de nomes menos conhecidos. “Me parece um tanto limitador da democracia”, avaliou, durante o programa.

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