O comentarista Ricardo Bulgarelli se pronunciou nesta segunda-feira (19) em suas redes sociais, três meses após ser desligado do Prime Video, ao lado do narrador Rômulo Mendonça.
A dupla se envolveu em uma polêmica com a também comentarista Alana Ambrosio durante as finais da NBA entre San Antonio Spurs e New York Knicks.
Segundo Bulgarelli, “muitas informações foram divulgadas de forma incompleta, fora de contexto ou simplesmente incorretas”. Inicialmente, ele explicou que a emissora teria usado questões financeiras para vetar viagens de profissionais aos EUA.
“Em fevereiro deste ano, todos os profissionais envolvidos foram informados de que nenhuma equipe internacional viajaria para a cobertura das finais. A justificativa apresentada foi a financeira. Foi informado que os custos estavam muito elevados e que essa decisão havia sido tomada globalmente. A orientação era clara. Apenas profissionais que já estivessem baseados nos Estados Unidos poderiam ser aproveitados na cobertura”, declarou o comentarista.
“A empresa já tinha esse profissional que mora em Orlando à disposição. Havia sido dessa maneira a NBA Cup no final da temporada passada. Ele foi informado de que finalmente, depois de três temporadas sendo preterido em cima da hora, dessa vez seria ele o repórter que cobriria as finais”, prosseguiu.
Mudança de postura e questionamento
Porém, de acordo com Bulgarelli, a empresa adotou nova postura e decisões tomadas anteriormente, passaram a ser deixadas de lado em detrimento de novas diretrizes, até então vetadas.
“Próximo ao início das finais de conferência, a situação mudou repentinamente, sem qualquer explicação. Profissionais que inicialmente não viajariam passaram a viajar. Recursos que até então não existiam passaram a existir. Alguns elementos sugerem ainda uma possível participação da profissional destacada na decisão. O repórter que já estava, inclusive, credenciado, foi substituído sem qualquer justificativa e, por conta disso, pediu desligamento da empresa”, explicou ele, que aproveitou para questionar algumas decisões do Prime Vídeo para a cobertura das finais da NBA.
“O que mudou? Qual foi o critério utilizado? Por que algumas decisões foram revistas e outras não? Perguntas que nunca receberam respostas claras”.
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“Não fiz nenhum comentário”
O episódio envolvendo o comentarista e Rômulo Mendonça aconteceu durante uma live do “Jararaca Podcast”, no YouTube. Mendonça, ao lado de Bulgarelli, reproduziu de forma irônica trechos de um vídeo publicado pela repórter Alana, que relembrava a primeira vez em que assistiu a uma partida da NBA, além de ter compartilhado um momento difícil de sua vida pessoal.
“Eu sequer participei da fala que gerou a controvérsia. Não disse nada, não fiz nenhum comentário. Ainda assim, fui incluído na punição. Rômulo ainda me defendeu internamente, falando que isso não fazia sentido, que não era razoável responsabilizar alguém por algo que sequer havia dito, mas esse argumento não foi considerado”, revelou.
A íntegra dos esclarecimentos de Bulgarelli
Depois de algum tempo de reflexão, decidi gravar esse vídeo para esclarecer alguns fatos.
Não para criar polêmicas, não para atacar ninguém, não para alimentar discussões nas redes sociais, mas porque muitas informações foram divulgadas de forma incompleta, fora de contexto ou simplesmente incorretas.
E acredito que quem construiu uma carreira baseada em credibilidade tem o dever de falar quando sente que a história não foi contada da maneira certa.
Minha trajetória no jornalismo começou em 1995. Ao longo de 17 anos trabalhei em praticamente todas as funções possíveis dentro de uma transmissão esportiva Fui estagiário, produtor, editor, editor-chefe, coordenador de transmissões E participei da cobertura dos maiores eventos esportivos do planeta.
Tive o privilégio de cobrir Copa do Mundo da França em 98, Jogos Olímpicos de Londres em 2012, Olimpíada de Inverno em Vancouver em 2010 jogos Pan-americanos do Rio e de Guadalajara, Mundial de Basquete em Indianápolis, entre os principais campeonatos de futebol, tênis e basquete do mundo.
Em 2012, iniciei minha carreira como comentarista. Desde então, passei por diferentes projetos e emissoras, sempre tentando contribuir da melhor forma possível para a cobertura esportiva e respeitando colegas, profissionais e o público.
Esse sempre foi um princípio inegociável para mim. Respeito, respeito às pessoas, respeito às equipes, respeito aos companheiros de profissão que trabalham ao meu lado.
Por isso, quando tudo aconteceu, ganhou proporções maiores do que deveria, senti a necessidade de colocar alguns fatos em ordem.
Primeiro, sobre a cobertura das finais da NBA.
Em fevereiro deste ano, todos os profissionais envolvidos foram informados de que nenhuma equipe internacional viajaria para a cobertura das finais. A justificativa apresentada foi a financeira.
Foi informado que os custos estavam muito elevados e que essa decisão havia sido tomada globalmente. A orientação era clara. Apenas profissionais que já estivessem baseados nos Estados Unidos poderiam ser aproveitados na cobertura.
E a empresa já tinha esse profissional repórter que mora em Orlando à disposição. Havia sido dessa maneira a NBA Cup no final da temporada passada.
Ele foi informado de que finalmente, depois de três temporadas sendo preterido em cima da hora, dessa vez seria ele o repórter que cobriria as finais.
Essa situação permaneceu inalterada por meses. Porém, próximo ao início das finais de conferência, a situação mudou repentinamente, sem qualquer explicação.
Profissionais que inicialmente não viajariam passaram a viajar. Recursos que até então não existiam passaram a existir. Alguns elementos sugerem ainda uma possível participação da profissional destacada na decisão.
O repórter que já estava, inclusive, credenciado, foi substituído sem qualquer justificativa e, por conta disso, pediu desligamento da empresa.
Dias depois, ele recebeu um pedido de desculpas do interlocutor da empresa, o que soa estranho, visto que estavam tão certos de suas decisões.
E justamente nesse momento surgiram dúvidas legítimas.
O que mudou? Qual foi o critério utilizado? Por que algumas decisões foram revistas e outras não? Perguntas que nunca receberam respostas claras.
E é importante dizer que questionar decisões não significa atacar pessoas. Questionar critérios é algo natural em qualquer ambiente profissional.
Especialmente quando os próprios envolvidos não recebem explicações.
E aqui cabem dois pontos de atenção.
Primeiro, a empresa que até então não tinha verba para enviar a equipe de transmissão completa, enviou uma equipe com três pessoas, alugou uma cabine para a reportagem, Além disso, o repórter que já mora nos Estados Unidos e foi preterido sempre, fez tudo sozinho, sem ninguém para produzir ou filmar.
Ou seja, os custos para ter essa equipe de fora foram muito mais elevados do que utilizar um repórter já baseado e experiente na transmissão.
Segundo ponto, em uma cobertura internacional existem programações fixas, já pré-agendadas pelas ligas que estão recebendo jornalistas.
Entrevistas, atletas disponibilizados, treinos, coletivas, tudo é feito e agendado pelas ligas. Os jornalistas precisam apenas comparecer no horário pré -determinado.
E apenas isso foi feito durante a cobertura das finais, em que o mesmo repórter que sempre se virou sozinho e ainda assim em anos anteriores entregou exclusivas com Neymar e Spike Lee.
Trato Feito, entre outras, foi sumariamente retirado da escala para alguém que nem é repórter pudesse ir. Lembrando que os meios de comunicação detentores dos direitos de transmissão têm facilidades para fazer conteúdos exclusivos.
Mas nem com essa ajuda a equipe que foi para as finais se preocupou em produzir um conteúdo legal para as transmissões.
Outro ponto que precisa ser esclarecido é a associação feita entre uma situação ocorrida em um podcast e o que aconteceu posteriormente.
Muitas pessoas passaram a tratar os acontecimentos como se fossem consequência direta um do outro, mas a cronologia dos fatos mostra uma história completamente diferente.
Na terça-feira foi ao ar um episódio do Jararacas Podcast. Na quarta-feira aconteceu o jogo 4 das finais entre San Antonio e Nova York, marcado pela maior virada da história da NBA Finals.
Na quinta -feira, a narração do Romulo daquele jogo viralizou internacionalmente. Também na quinta foi publicado um novo episódio do podcast.
Na sexta-feira pela manhã, veio a informação de uma possível suspensão para o jogo 5 entre San Antonio e Knicks por conta de uma denúncia que seria averiguada. Porém, sem que fosse revelada qual era o problema.
Mais tarde, fui informado que a decisão estaria relacionada a uma paródia feita durante o episódio do podcast de terça-feira.
E vale lembrar que o podcast é independente.
Naquele momento, foi solicitado um pedido de desculpas pela empresa. O pedido foi aceito e seria feito exatamente no lugar onde a situação ocorreu, no Jararacas.
Mas antes mesmo que isso acontecesse, ainda na sexta à noite, a informação foi vazada para a imprensa, de forma incompleta, distorcida, sem ouvir os envolvidos, sem ouvir os dois lados, sem respeitar algo que considero básico em qualquer atividade jornalística.
Na segunda seguinte, conforme combinado, o pedido de desculpas foi realizado publicamente no podcast, ou seja, a correção aconteceu, da forma acordada, no espaço em que deveria acontecer.
Existe ainda um detalhe importante que praticamente desapareceu de toda a discussão. Eu, Ricardo Lugarelli, sequer participei da fala que gerou a controvérsia.
Não disse nada, não fiz nenhum comentário. Ainda assim, fui incluído na punição. Rômulo ainda me defendeu internamente, falando que isso não fazia sentido, que não era razoável responsabilizar alguém por algo que sequer havia dito, mas esse argumento não foi considerado.
Por fim, existe um aspecto pessoal que me entristece mais do que qualquer discussão profissional. Ao longo da minha carreira sempre procurei ajudar as pessoas, da mesma forma que muitos me ajudaram quando eu estava começando.
Fiz isso com inúmeros profissionais ao longo dos anos. Quando alguém demonstrava talento, dedicação e vontade de crescer, eu procurava abrir portas, indicar caminhos e contribuir como pudesse.
Não porque esperava algo em troca, mas porque acredito que o jornalismo esportivo se fortalece quando bons profissionais recebem oportunidades.
Esse sempre foi o meu modo de agir e continuará sendo depois de mais de três décadas de profissão.
Sigo acreditando nos mesmos valores que me trouxeram até aqui.
Respeito, lealdade, gratidão, sou apaixonado pelo que faço e, acima de tudo, honestidade.
Não estou aqui para convencer ninguém.
Cada pessoa é livre para tirar suas próprias conclusões, mas considero importante que essas conclusões sejam tomadas a partir dos fatos completos e não de versões de torcidas dos acontecimentos.
Obrigado a todos que ouviram, apoiaram, questionaram E principalmente se dispuseram a conhecer a história por inteiro Seguimos em frente, como sempre foi, com trabalho, seriedade e respeito. Queria agradecer a minha namorada, os meus filhos que estão sempre do meu lado. Amo vocês, Luciano, Maurício, Fernandinha.
Obrigado a todos, tchau.
Após saída da Amazon Prime, Rômulo Mendonça acerta com novo canal

