Os republicanos da Flórida devem escolher, nesta terça-feira (18), seu candidato na disputa para suceder o governador Ron DeSantis, que não pode concorrer à reeleição devido ao limite de mandatos, em um processo que, de certa forma, transformou-se em uma disputa interna acirrada, embora haja pouca incerteza quanto ao provável desfecho.
O deputado Byron Donalds, da região de Naples, que conta com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é o favorito nas primárias republicanas para o governo do estado.
DeSantis não o apoiou na disputa e, conforme noticiado pela CNN no mês passado, compartilhou em particular com Trump suas preocupações em relação a Donalds.
No entanto, o governador também não declarou apoio a nenhum outro candidato em uma disputa que inclui seu vice-governador.
Isso gerou um vácuo que abriu espaço para a ascensão de James Fishback, um jovem de 31 anos que incita tensões raciais e que chamou Donalds, que é negro, de “escravo de seus doadores” e de “republicano da DEI” (Diversidade, Equidade e Inclusão), afirmando que ele “transformaria a Flórida em um gueto do programa Section 8.”
As disputas desta terça-feira também marcam a primeira vez que os eleitores irão às urnas sob um novo mapa de distritos congressuais, desenhado por DeSantis para ajudar os republicanos a conquistar quatro cadeiras adicionais, o que desencadeou uma corrida intensa nas demais disputas eleitorais.
À medida que os democratas definem os resultados de uma série de suas próprias primárias nos distritos redesenhados, as disputas também servirão de teste para saber se os socialistas democráticos conseguirão continuar avançando e qual é a posição dos eleitores em relação a questões ligadas a Israel.
Os eleitores republicanos também enfrentarão decisões difíceis, com várias primárias acirradas para a Câmara contando com a participação de candidatos polêmicos.
A Flórida é o destaque de um dia de primárias que também inclui o Alasca e o Wyoming.
Enquanto isso, os eleitores da Califórnia preencherão uma vaga na Câmara em um segundo turno de eleição especial.
Aqui está o que acompanhar nas disputas desta terça-feira:
Quão forte Donalds parece estar?
Apesar das aparentes preocupações de DeSantis em relação a Donalds, os republicanos venceram todas as eleições para governador na Flórida nos últimos 30 anos.
Quem vencer nesta terça-feira — provavelmente Donalds — despontará na manhã de quarta-feira como o favorito indiscutível para a vitória em novembro.
Entretanto, os democratas chegaram perto de conquistar o governo do estado em 2018, a última vez que houve eleições de meio de mandato com Trump no poder.
Um desempenho relativamente fraco de Donalds nesta terça-feira poderia indicar que os democratas teriam uma oportunidade de tornar a disputa pelo governo competitiva.
Além de Fishback, outros candidatos nas primárias do Partido Republicano são o vice-governador Jay Collins, que baseou sua campanha na promessa de proteger o legado de DeSantis, embora o governador não tenha declarado apoio ao seu próprio vice, e o ex-presidente da Câmara Estadual, Paul Renner.
Espera-se que os democratas indiquem o ex-deputado David Jolly, que mudou de partido, para a disputa pelo governo.
Jolly, um crítico notável de Trump, deixou o Partido Republicano em 2018 e, no ano passado, filiou-se oficialmente ao Partido Democrata.
Série de primárias republicanas a Câmara na Flórida
Quando Trump publicou nas redes sociais, no início deste mês e antes das primárias, uma lista de republicanos da Flórida que contavam com seu apoio, houve uma ausência notável: o deputado Cory Mills, do 7º Distrito, a quem o presidente havia declarado apoio em fevereiro.
Quando questionado na semana passada se apoiava Mills, o governador DeSantis respondeu que não.
O deputado, que está em seu segundo mandato, é investigado pelo Comitê de Ética da Câmara por possíveis irregularidades no financiamento de campanha, uma acusação de ameaça de divulgação de pornografia de vingança e uma denúncia de agressão.
Mills tem negado reiteradamente qualquer irregularidade. Ele enfrenta uma disputa nas primárias contra o ex-apresentador de telejornal Ryan Elijah e outros dois candidatos.
Outros dois membros da bancada republicana da Flórida na Câmara, os deputados Anna Paulina Luna e Mike Haridopolos, declararam apoio a Elijah.

Mills não é o único republicano a enfrentar um desafio nesta terça-feira.
O deputado do 6º Distrito, Randy Fine — um defensor fervoroso de Israel que tem sido alvo de críticas por sua retórica antimuçulmana —, enfrenta a personalidade das redes sociais Dan Bilzerian, que chamou Fine de “judeu gordo e nojento” e conduziu uma campanha abertamente antissemita.
Enquanto isso, a disputa no 19º Distrito para substituir Donalds figura entre as mais acirradas das primárias da Flórida, contando com a participação de dois ex-membros do Congresso de outros estados, Madison Cawthorn, da Carolina do Norte, e Chris Collins, de Nova York, além de um ex-senador estadual de Illinois, Jim Oberweis.
Trump declarou apoio a Catalina Lauf, ex-funcionária do Departamento de Comércio, de 33 anos, na corrida eleitoral.
Democratas da Flórida buscam sinais de vida
A disputa pelo governo e a eleição para o Senado darão aos democratas da Flórida — que se encontram em baixa e viram o antigo status de estado decisivo de sua região se esvair à medida que ela se inclinava rapidamente para a direita na última década — a chance de demonstrar que ainda conseguem competir em pleitos estaduais.
A disputa das primárias para enfrentar a senadora republicana Ashley Moody coloca frente a frente o tenente-coronel reformado do Exército Alex Vindman, testemunha-chave no primeiro processo de impeachment de Trump, e a deputada estadual Angie Nixon, uma socialista democrática que defende o fim do apoio militar dos Estados Unidos a Israel.
Esse candidato, assim como o vencedor das primárias para o governo do estado, tentará reverter a rápida guinada à direita na Flórida.
Entre os fatores que contribuem para essa mudança estão os ganhos do Partido Republicano junto ao eleitorado hispânico, a chegada de novos moradores conservadores e a desorganização do Partido Democrata no estado.
No início deste século, a Flórida era talvez o estado decisivo mais importante do país, fundamental na eleição presidencial de 2000 e um campo de batalha eleitoral até 2026.
No entanto, Trump venceu no estado em 2020, embora tenha perdido a eleição geral e, posteriormente, conquistou uma vitória tranquila com 13 pontos de vantagem em 2024.
Da mesma forma, DeSantis, que havia conquistado o governo do estado por uma margem inferior a meio ponto percentual em 2018, arrasou seu adversário democrata em 2022, vencendo com quase 20 pontos de vantagem.
Os democratas também estão resolvendo disputas internas nas eleições primárias para a Câmara, realizadas em distritos com novos traçados.
Entre essas disputas está a do 25º Distrito, na costa leste do sul da Flórida, onde socialistas democráticos buscam derrotar outro democrata no cargo: o deputado Jared Moskowitz, que conta com o apoio de grupos pró-Israel e do setor de inteligência artificial.
O candidato do grupo é Oliver Larkin, um ativista e organizador sindical de 34 anos.
Outra disputa nas primárias democratas que merece atenção ocorre no 20º Distrito, onde a deputada de longa data Debbie Wasserman Schultz enfrenta a ex-deputada Sheila Cherfilus-McCormick.
Está última renunciou ao cargo em abril para evitar uma votação no Comitê de Ética sobre uma possível expulsão do Congresso; a comissão havia concluído anteriormente que ela cometeu diversas violações éticas, incluindo acusações de desvio de milhões de dólares em fundos de auxílio à pandemia para financiar sua campanha de 2021.
Cherfilus-McCormick também responde a acusações criminais em outro processo e declarou-se inocente.
Schultz, no entanto, enfrentou acusações de oportunismo eleitoral nas primárias, ao mudar-se para concorrer no distrito historicamente negro, que há muito tempo é representado por um parlamentar negro no Congresso, depois que os limites de seu atual distrito foram redesenhados para favorecer o Partido Republicano.
A AIPAC conseguirá o que quer na Califórnia?
A Califórnia realiza, nesta terça-feira (18), a eleição especial para substituir o ex-deputado Eric Swalwell pelo restante do ano, e a AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense) gastou milhões para tentar afastar os eleitores da senadora estadual Aisha Wahab e direcioná-los à sua candidata de preferência: Melissa Hernandes, presidente do conselho BART (Transporte Rápido da Área da Baía).
Wahab, um crítico declarado da campanha militar de Israel em Gaza, obteve quase 43% dos votos nas primárias especiais de 16 de junho, bem à frente de Hernandez, que ficou em segundo lugar com cerca de 17% da preferência em uma disputa com muitos candidatos.
Ambos os candidatos que buscam representar o 14º Distrito de East Bay são democratas. Eles também se enfrentarão novamente, disputando um mandato completo de dois anos.
Devido ao redesenho dos distritos eleitorais da Califórnia realizado no meio da década, o eleitorado do 14° Distrito será ligeiramente diferente em novembro.
A eleição especial ocorre sob os limites distritais atuais, enquanto os novos limites estarão em vigor para a eleição geral.
Dois “Dan Sullivans” na célula eleitoral no Alasca
A liderança democrata acredita que a ex-deputada Mary Peltola pode dar ao seu partido uma chance real de conquistar a cadeira do Alasca no Senado, atualmente ocupada pelo republicano Dan Sullivan.
Mas, no sistema incomum de primárias do estado, no qual os quatro candidatos mais votados, independentemente do partido, avançam para a eleição geral, a questão mais importante talvez seja se outro Dan Sullivan conseguirá se classificar.
Os republicanos fracassaram em suas tentativas de remover das urnas um segundo Sullivan, um ex-professor que compartilha o mesmo nome e sobrenome do atual ocupante do cargo.
O senador aparece nas cédulas como Dan S. Sullivan e consta como republicano registrado e titular do cargo.
O outro Sullivan é identificado como Daniel J. Sullivan Jr. e não aparece com filiação partidária, embora tenha registrado sua candidatura como republicano.

É uma peculiaridade que não deve ameaçar seriamente o titular do cargo — pelo menos não nas primárias desta terça-feira —, mas que poderia fazer a diferença em uma eleição geral extremamente acirrada, caso mesmo um pequeno número de eleitores fique confuso.
Trump se manifestou na manhã desta terça-feira, incentivando os eleitores a escolherem o Dan Sullivan “verdadeiro” na eleição e criticando o candidato rival como um “impostor”, embora tenha afirmado que a campanha deste é legítima.
Os eleitores do Alasca também estão escolhendo os adversários para a eleição geral que enfrentarão o deputado estadual Nick Begich III (eleito em âmbito estadual), bem como candidatos para substituir o governador Mike Dunleavy, que não pode concorrer à reeleição devido ao limite de mandatos.
Influência de Trump é posta à prova em Wyoming
Há pouco suspense sobre qual partido vencerá em novembro no Wyoming, um dos estados do país onde o Partido Republicano tem vitória praticamente garantida.
No entanto, o estado deve passar por uma grande reviravolta política, com vagas em aberto para governador, Senado e Câmara.
As eleições primárias para substituir o governador Mark Gordon, que não pode concorrer à reeleição devido ao limite de mandatos, colocarão à prova a influência de Trump.

A candidata apoiada por ele, a superintendente estadual de Instrução Pública Megan Degenfelder, enfrenta três outros concorrentes viáveis: o peão de rodeio profissional Curt Blake, o senador estadual Eric Barlow e Brent Bien, ex-coronel do Corpo de Fuzileiros Navais.
Degenfelder, de 37 anos, é uma defensora de escolas “charter”, um colégio público independente que recebe verbas do governo, mas tem gestão privada ou comunitária, e “vouchers”, certificados ou auxílios financiados pelo governo que permitem aos pais utilizar recursos públicos para pagar a mensalidade de escolas particulares.
A superintendente tem apoiado amplamente as políticas educacionais de Trump, incluindo a redução do tamanho do Departamento de Educação.
A senadora Cynthia Lummis está se aposentando, e a deputada Harriet Hageman, que conquistou sua cadeira ao derrotar a ex-deputada Liz Cheney em 2022, conta com o apoio de Trump e é a favorita para emergir, entre cinco candidatos, como a sucessora republicana da senadora.
Nove candidatos disputam a cadeira na Câmara que Hageman deixará vaga, embora o presidente não tenha se envolvido nessa disputa.
Entenda como funcionam as eleições primárias presidenciais dos EUA

