O Manchester City foi considerado culpado de todas as acusações relacionadas a graves violações das regras financeiras da Premier League ao longo de nove temporadas, bem como de três das quatro acusações relativas à falta de cooperação com a investigação, informou a liga nesta terça-feira.
O City foi acusado em fevereiro de 2023, após uma investigação de quatro anos sobre supostas violações ocorridas entre as temporadas 2009/10 e 2017/18.
O clube, que nega qualquer irregularidade, afirmou em comunicado que entrará com recurso “com base no fato de que o parecer contém erros materiais evidentes de direito, de princípio e de fato e não é confiável”.
“CONTRATOS FALSOS”
Uma comissão independente constatou que o City elaborou contratos “falsos” que deturpavam os acordos reais com diversos parceiros comerciais e se baseavam em acordos semelhantes com outros parceiros para inflar suas receitas e reduzir custos artificialmente, informou a liga.
Também foi constatado que vários patrocinadores foram obrigados a pagar apenas parte dos valores registrados nos acordos relevantes, sendo o saldo custeado pelos proprietários do clube, a Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG).
A comissão também identificou acordos financiados pela ADUG que permitiram ao City registrar despesas operacionais menores.
Esses esquemas inflaram a receita do City e reduziram seus custos em mais de 900 milhões de libras (US$ 1,2 bilhão), criando a aparência de que o clube cumpria as regulamentações financeiras, afirmou a liga.
O relatório também concluiu que várias testemunhas do clube apresentaram provas falsas durante as audiências, que duraram 42 dias, e que algumas delas induziram a comissão ao erro de forma consciente.
A comissão concluiu que o City teria violado os limites de gastos tanto da Premier League quanto da Uefa “em um montante muito substancial” caso os contratos tivessem sido reportados com precisão.
“A decisão principal detalha como o clube violou sistematicamente as regras da Premier League por quase uma década”, disse Richard Masters, presidente-executivo da Premier League.
Masters descreveu o caso e a decisão como “os mais significativos da história da Premier League”, mas afirmou que elementos-chave permanecem sem definição, principalmente a sanção a ser aplicada.
“Agora que temos a decisão da Comissão, estamos empenhados em avançar rapidamente pelo restante do processo para proporcionar certeza à liga, aos nossos clubes e aos torcedores”, disse.
CITY VAI RECORRER
O City afirmou estar decepcionado e surpreso com o parecer da comissão.
“O clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e existe um conjunto abrangente de provas irrefutáveis que sustenta todas as suas posições relacionadas a este caso”, afirmou.
“O Manchester City FC agora recorrerá pelas vias disponíveis, com base no fato de que o parecer contém erros materiais evidentes, tanto de direito quanto de princípio e de fato, e não é confiável.”
O clube tem até 2 de outubro para apresentar recurso.
O anúncio foi feito perto do fim da assembleia geral da ECA (Associação de Clubes Europeus), em Copenhague, deixando representantes dos clubes ingleses consultando seus celulares nos minutos finais do evento.
Representantes de Arsenal e Nottingham Forest se recusaram a comentar quando abordados.
Um representante do Manchester United também não comentou o caso quando procurado pela Reuters.
O presidente da ECA, Nasser Al-Khelaifi, não se pronunciou sobre o caso e elogiou o trabalho do CEO do City, Ferran Soriano, como membro do conselho da entidade.
“Seu conhecimento, como vocês sabem, ao longo de toda a sua carreira, é fantástico. É por isso que acho que eles também fizeram muitas coisas positivas”, disse Al-Khelaifi.
A ministra britânica dos Esportes, Lisa Nandy, afirmou que o relatório da liga foi “incrivelmente contundente” e pediu uma conclusão rápida e justa do caso.
“Isso não está causando apenas muita preocupação aos torcedores do Manchester City. Obviamente, também está causando muita preocupação a todos os torcedores da Premier League”, disse ela à BBC.
“A Premier League é uma das nossas joias da coroa. Precisamos que a investigação seja concluída de forma rápida e justa, mas rápida principalmente porque precisamos defender a integridade do esporte.”
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