João Saldanha (1917-1990) tinha classificado a seleção brasileira para a Copa de 1970, no México. Entretanto, ele foi demitido setenta e oito dias antes da estreia da equipe nacional. As razões, até hoje, são discutidas. Comunista, o treinador incomodava o regime militar.
Em dezembro de 1969, Saldanha concedeu uma entrevista histórica ao Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro. Gaúcho de Alegrete, ele dizia que a vida valia a pena e que “a melhor coisa da vida, é a vida”. Em 1957, o jornalista foi campeão carioca pelo Botafogo-RJ. Já fora do comando do clube, voltou a se dedicar à imprensa esportiva e era um dos principais críticos da seleção, principalmente depois da eliminação precoce na Copa de 1966.
Questionado se um dia sonhou em treinar a equipe brasileira, ele respondeu: “(…) Nunca tive assim esse propósito. E eu, por exemplo, não estaria me encaminhando, vamos dizer, politicamente para ser treinador da seleção brasileira, criticando da maneira que eu criticava a cúpula do futebol brasileiro, que eu nunca perdoei. (…).”
Ao convidar João Saldanha para o cargo, em 1969, o presidente da CBD (atual CBF), João Havelange, visava calar o maior crítico da seleção. Durante a entrevista ao MIS, o técnico revela que tinha sido sondado para o cargo em 1958, mas recusou. Naquele ano, na Suécia, o Brasil foi campeão mundial pela primeira vez.
Ouça, a gravação histórica com João Saldanha, recuperada pela Jovem Pan:
