A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) determinou a prisão administrativa de três policiais militares suspeitos de ceder uma viatura policial para a gravação de uma “pegadinha” do influenciador digital Carlinhos Maia. A ação ocorreu no sábado (8) no bairro de Ipioca, em Maceió, onde fica a propriedade rural “Rancho do Maia”, reality show criado pelo influenciador. Os policiais faziam uma ronda no bairro, quando teriam cedido a viatura de patrulhamento para o programa.

A “pegadinha” simulava a prisão e colocação na viatura dos participantes do programa gravado pelo influenciador. Carlinhos, que tem 35,1 milhão de seguidores no Instagram, fez o registro do momento no próprio stories da rede social.

Os PMs detidos não tiveram os nomes divulgados, o que impossibilitou o contato com suas defesas.

Carlinhos Maia foi procurado pela reportagem e ainda não respondeu. Em seu canal oficial, o influenciador reproduziu notícias sobre o recolhimento dos policiais sem fazer comentários.

Ao Estadão, a Polícia Militar de Alagoas confirmou que o comando adotou as medidas previstas no regulamento da corporação, após ser informada sobre possível uso indevido de uma viatura policial para finalidade diversa da atividade de policiamento.

Como funciona o regulamento da PM?

O recolhimento administrativo é uma medida interna de cautela prevista no regimento da PM, em que o policial é afastado de suas funções e fica detido temporariamente em um quartel para averiguação conduta ou apuração de desvio funcional.

O comando determinou que a Corregedoria-Geral da corporação apure as circunstâncias do possível uso da viatura e a conduta individual dos policiais envolvidos, bem como os demais elementos relacionados ao caso. Imagens que mostram as viaturas sendo usadas na gravação já foram anexadas ao procedimento.

Em nota, a PM de Alagoas diz que os militares já se encontram recolhidos administrativamente, conforme previsto no Regulamento Disciplinar da Corporação e irão responder pelos atos praticados

“Destacamos que, no curso da apuração, serão assegurados aos militares envolvidos o contraditório e a ampla defesa, nos termos dos direitos e garantias previstos na Constituição Federal”, diz a nota.

A PM-AL ressaltou que “não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus integrantes e reitera que a instituição é regida por normas e regulamentos que prezam pela legalidade, pelo respeito e pela conduta irrepreensível, tano no exercício da função quanto fora de serviço”.