A tarifa zero no transporte público ficou fora do plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a campanha avalia mecanismos para financiar a medida. Segundo Giancarlo Gama, integrante da equipe do petista, o tema é considerado “muito estruturante” e continua em análise.

A ausência da proposta no documento, segundo ele, não significa que a campanha tenha abandonado a discussão, mas o assunto só seria discutido posteriormente em um possível quarto governo Lula.

Gama afirmou que embora haja uma cobrança interna para que o tema avance, a equipe pretende tratar a questão com cautela antes de assumir um compromisso de adotar a gratuidade da passagem de ônibus.

O tema já vinha sendo discutido pelo governo federal e pelo PT ao longo de 2026. Estudos realizados pelo governo apontaram que a implementação nacional exigiria uma reformulação do modelo de financiamento do transporte e poderia representar um custo elevado para o poder público.

Medidas para redução

O integrante da campanha também falou, em conversa com jornalistas após o evento Conexão ANPTrilhos, sobre a possibilidade de reformular o vale-transporte e criar mecanismos de financiamento que reduzam a dependência da tarifa paga diretamente pelo passageiro.

A campanha também avalia um modelo de tributação progressiva, com a previsão de destinar parte dos tributos do transporte individual como fonte de financiamento do transporte coletivo.

Outra frente é o uso da Cide Combustível como fonte de recursos para o transporte público, como previsto no novo Marco Legal da Mobilidade Urbana.

Na lei, sancionada recentemente, foi vetado pelo presidente o uso de 60% da Cide para financiar as gratuidades do transporte púbico. Gama disse que esse tema deve ser tratado posteriormente em regulamentação.