A fabricante de equipamentos catarinense WEG vê espaço para ampliar a nacionalização de componentes dos sistemas de armazenamento de energia em baterias à medida que o mercado brasileiro ganhe escala e previsibilidade de demanda. Segundo Manfred Peter Johann, vice-presidente de Automação e Sistemas da companhia, o avanço deve se concentrar nas etapas em que o país já possui competência e competitividade industrial.

Hoje, boa parte dos equipamentos é importado principalmente de países asiáticos. No curto prazo, Manfred prevê que as células continuarão sendo importadas, já que esses componentes são produzidos por uma cadeia global com escala e competitividade que ainda não existem no Brasil.

“A estratégia é nacionalizar as etapas em que o Brasil já possui competência e competitividade industrial”, afirmou em entrevista.

Entre as áreas citadas estão os sistemas de conversão de potência e inversores, transformadores, painéis de média tensão, controle, automação e os sistemas de gerenciamento de energia, conhecidos pela sigla EMS. A estratégia também abrange engenharia, integração dos equipamentos e serviços.

O executivo defende que o conteúdo local avance de maneira gradual e compatível com a maturidade da cadeia brasileira. “Com escala e previsibilidade de demanda, podemos aumentar progressivamente o conteúdo nacional sem comprometer a competitividade dos projetos”, disse.

Para que isso aconteça, o setor precisa de uma demanda firme. O governo fez a primeira sinalização. Os leilões de reserva de capacidade para armazenamento estão previstos para 2 e 4 de dezembro. O primeiro será destinado a sistemas que atendam aos requisitos mínimos de nacionalização definidos pelo BNDES. O segundo permitirá a participação sem essa exigência.

Oito empresas estão cadastradas no BNDES como fornecedoras de sistemas de armazenamento de energia (SAEs): BYD, Gotion, Moura, TBEA, Trina, SecPower, WEG e You.On. Para a modalidade nacional do leilão, a exigência mínima de conteúdo local é de 15%.

A Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia) estima, no entanto, que quase todos os participantes devem chegar à disputa com índices entre 18% e 25%. Segundo a entidade, essa margem acima do mínimo busca reduzir o risco de descumprimento da regra, que pode levar à rescisão dos contratos.

De olho neste mercado, a WEG ampliou em setembro o projeto de sua fábrica de sistemas de armazenamento em Itajaí, em Santa Catarina. O investimento total estimado é de R$ 330 milhões, com capacidade de produção de 4 GWh por ano e início das operações previsto para o segundo semestre de 2027.

Johann considera o leilão um catalisador para o setor, mas também identifica oportunidades em aplicações comerciais e industriais, geração renovável, data centers e microrredes, no Brasil e no exterior.

Redução de preços

A expansão ocorre em um cenário de queda internacional dos preços das células. Segundo o executivo, essa redução já chegou ao mercado brasileiro e tem impacto direto na competitividade dos projetos..

“O que chegou de maneira muito clara ao mercado brasileiro foi principalmente a redução do preço das células, resultado do enorme ganho de escala da indústria global”, afirmou.

O preço final, acrescentou, também incorpora os demais equipamentos elétricos, controle e segurança, além de engenharia, instalação, impostos e serviços.