O vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Marcelo Bacci, afirmou nesta sexta-feira (31) que as recentes disputas envolvendo o Conselho de Administração não interferiram na operação da mineradora e que a companhia saiu do processo com sua governança fortalecida.
“Em relação ao conselho, o primeiro ponto importante é que não houve interferência no operacional. O que temos ouvido dos investidores é que a governança da companhia prevaleceu”, afirmou Bacci durante coletiva sobre os resultados da Vale no segundo trimestre.
A declaração ocorre após semanas de turbulência na cúpula da Vale. A crise começou quando a Previ, maior acionista individual da mineradora, pediu a saída antecipada de Daniel Stieler da presidência do conselho e passou a apoiar Ollie para o posto. O movimento provocou resistência de integrantes do colegiado e acusações de possível interferência política do governo na companhia, hipótese negada pela fundação. Stieler renunciou antes da assembleia convocada para discutir sua destituição.
Na assembleia, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, derrotou Marcelo Gasparino na disputa pela presidência do conselho. Os acionistas também elegeram Ieda Gomes Yell para ocupar a cadeira aberta após a saída de Stieler, rejeitando o nome apoiado pela Previ para a vaga e dividindo forças dentro do colegiado.
Horas depois da votação, o conselho decidiu aplicar a Gasparino uma sanção de destituição, sob a acusação de que ele teria vazado informações confidenciais de uma reunião realizada em junho. O conselheiro negou a acusação, criticou a condução da governança da companhia e apresentou sua renúncia, com efeitos a partir de 1º de agosto.
Após a saída, o conselho elegeu Reinaldo Duarte Castanheira Filho como vice-presidente e indicou Wilfred Theodoor Bruijn para a função de lead independent director, responsável por coordenar a atuação dos conselheiros independentes.
Segundo o diretor financeiro, as regras internas da companhia foram respeitadas durante todo o processo, apesar das divergências entre acionistas e integrantes do conselho.
“Todas as regras foram aplicadas, as coisas foram se desenrolando e terminamos o processo sem nenhum resultado diferente do que determina a governança da companhia”, disse.
Bacci também avaliou como positivo o fato de a presidência do conselho ter ficado sob o comando de um integrante independente.
“Ter um chairman independente também é um ganho importante de governança. A leitura é essa: saímos do processo mais fortalecidos do que entramos”, afirmou.

