A Largo recebeu autorização da ANM (Agência Nacional de Mineração) para produzir e comercializar cobre, platina, ouro, paládio, prata, cobalto e níquel como subprodutos da mina Maracás Menchen, na Bahia, principal operação de vanádio da companhia no Brasil.
Com o aval regulatório, a mineradora iniciou o aumento gradual da produção de um concentrado de cobre que reúne metais do grupo da platina e outros elementos associados. As informações foram divulgadas em comunicado ao mercado na última segunda-feira (10).
A empresa pretende aproveitar minerais que já estão presentes no minério extraído e que, até então, não eram recuperados comercialmente.
A estratégia permite à Largo ampliar o valor obtido a partir da operação sem a necessidade, neste primeiro momento, de abrir uma nova mina ou construir uma planta de processamento totalmente nova.
Isso porque o concentrado será produzido utilizando a infraestrutura já instalada em Maracás Menchen, incluindo a planta de processamento de vanádio e o circuito de flotação usado para a produção de ilmenita, mineral rico em titânio.
Testes realizados em escala industrial neste ano indicaram, segundo a Largo, viabilidade técnica e potencial comercial para a produção de concentrados contendo cobre, platina, ouro, paládio, prata, cobalto e níquel.
A empresa decidiu suspender temporariamente a produção de concentrado de ilmenita para direcionar essa infraestrutura à recuperação do cobre e dos metais associados.
A Largo afirma esperar margens de lucro superiores com o novo concentrado em comparação às obtidas com a ilmenita, caso o aumento da produção e a comercialização ocorram como planejado.
Nos próximos meses, a companhia pretende avaliar a instalação de equipamentos adicionais que permitam também recuperar ilmenita a partir dos rejeitos gerados após a flotação do concentrado de cobre.
Na prática, a estratégia busca aumentar o aproveitamento do mesmo minério: primeiro, recuperando o concentrado de cobre e metais de maior valor e, posteriormente, tentando extrair também a ilmenita do material restante. O concentrado será obtido a partir de sulfetos presentes no minério rico em magnetita já extraído em Maracás Menchen.
A companhia já negocia com fundições e tradings as condições comerciais para um primeiro embarque do novo produto.
A Largo ainda não divulgou quanto pretende produzir nem qual será a receita potencial com os novos metais. A empresa informou que pretende apresentar projeções de produção e vendas junto com o resultado trimestral previsto para 14 de agosto.
Segundo a companhia, a estratégia também reduz a necessidade de novos investimentos, já que utiliza equipamentos e atividades de mineração existentes em Maracás.
“O que torna essa oportunidade particularmente atraente é que ela recupera elementos críticos valiosos da nossa planta de processamento de minério de vanádio e utiliza infraestrutura e atividades de mineração já existentes”, afirmou Alberto Arias, presidente-executivo do conselho e co-CEO da Largo.
A oportunidade foi identificada pela companhia no fim de 2025. Desde então, segundo o co-CEO Jim Bannantine, a Largo avançou dos primeiros estudos até o início do aumento gradual da produção em poucos meses.
Maracás Menchen é atualmente voltada principalmente à produção de vanádio. Com a recuperação dos novos subprodutos, a Largo busca diversificar as receitas da operação e ampliar sua exposição a minerais críticos e metais preciosos, sem abandonar o vanádio como principal produto da mina.

