A mineradora australiana St George Mining anunciou que a ATL (Amperex Technology Limited), gigante global do setor de baterias de íon-lítio, vai se tornar acionista “estratégica” da companhia, em um movimento que dá à empresa exposição ao projeto Araxá, de nióbio e terras raras, em Minas Gerais.

A ATL é controlada integralmente pela japonesa TDK Corporation e foi descrita pela St George como uma das líderes mundiais na produção de baterias de íon-lítio.

O anúncio foi feito em comunicado ao mercado na última quarta-feira (3).

A entrada no capital da mineradora ocorrerá por meio de uma reestruturação da Lithium Star, joint venture criada em 2023 para explorar projetos de lítio na Austrália Ocidental.

Pelo acordo, a St George comprará a fatia de 10% que a ATL detém na Lithium Star. Como pagamento, a ATL receberá 12,5 milhões de ações ordinárias da St George, ao preço de A$ 0,16 por ação, em uma transação avaliada em A$ 2 milhões. O valor representa um prêmio de 36% sobre o preço médio ponderado das ações da St George nos 30 dias anteriores a 29 de maio de 2026.

Com a operação, a Lithium Star passará a ser uma subsidiária integral da St George. A ATL, por sua vez, deixará de ter participação direta apenas na empresa de lítio e passará a ter participação acionária na St George, que tem como principal ativo o projeto Araxá, em Minas Gerais.

O projeto fica ao lado das operações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), referência global na produção de nióbio. A St George afirma que Araxá é um projeto de classe mundial e de menor risco relativo, por estar em uma região com histórico de produção mineral, infraestrutura disponível e mão de obra qualificada.

Em comunicado, o presidente-executivo da St George Mining, John Prineas, afirmou que a ATL já era uma parceira de longo prazo da companhia e que a conversão da participação na Lithium Star em ações da St George reforça a relação estratégica entre as empresas.

Segundo ele, a entrada da ATL na base acionária da St George mostra o avanço da companhia na construção de relações com grandes atores globais ligados à cadeia de minerais críticos.

A ATL também manterá direitos sobre até 25% da eventual produção futura de lítio dos projetos da Lithium Star.

Apesar de o acordo envolver diretamente a reestruturação de ativos de lítio na Austrália, o principal ponto de interesse para o Brasil é a aproximação de uma gigante global de baterias com uma mineradora que desenvolve um projeto de nióbio e terras raras em Minas Gerais.

As terras raras são usadas em ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. O nióbio, por sua vez, é aplicado principalmente na produção de ligas metálicas especiais, com uso em setores como siderurgia, infraestrutura, energia e tecnologia.

A operação ocorre em meio ao aumento da disputa global por minerais críticos, segmento considerado estratégico para a transição energética, a indústria de defesa, a eletrificação da economia e a redução da dependência da China nas cadeias de suprimento.

A St George adquiriu 100% do projeto Araxá em fevereiro de 2025. Em março de 2026, a companhia anunciou uma atualização de recursos minerais, com estimativa total de 70,91 milhões de toneladas, com teor médio de 4,06% de TREO, sigla em inglês para óxidos totais de terras raras.

O projeto, que ainda está em fase de desenvolvimento, vem sendo acompanhado de perto por empresas e governos estrangeiros.

A operação ainda depende da aprovação dos acionistas da St George em assembleia prevista para o início de julho de 2026. Além disso, os projetos de lítio da Lithium Star permanecem em estágio exploratório, e os direitos de compra da ATL só terão efeito prático caso essas áreas avancem até uma produção comercial.