A deputada democrata Ilhan Omar publicou nas redes sociais a frase “Não serei silenciada”, após uma operação de busca realizada na madrugada desta segunda-feira (12), em sua residência na região de Washington.

“Estou bem. Não se enganem: trata-se de uma tentativa de atacar adversários políticos e instrumentalizar as forças de segurança federais. Há dez anos, Trump me ataca com mentiras infundadas e campanhas de difamação. Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não serei silenciada”, dizia a publicação de Omar na rede social X.

Sua declaração foi feita poucas horas após a operação. Uma pessoa a par de uma investigação em curso do Departamento de Justiça sobre Omar afirmou que o caso está relacionado a uma suposta fraude imigratória; parte da apuração diz respeito à documentação de imigração da parlamentar — nascida na Somália —, a qual foi preenchida por seu falecido pai quando ela ainda era criança.

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“Hoje, na região de Washington, D.C., a HSI (divisão de Investigações de Segurança Interna) cumpriu um mandado de busca autorizado judicialmente e obtido pelo Departamento de Justiça. Essa ação faz parte de uma investigação federal em andamento”, informou um porta-voz do Departamento de Justiça por e-mail.

A operação ocorreu pouco mais de três semanas antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, nas quais o partido de Trump tentará defender suas maiorias apertadas no Congresso dos EUA.

Omar, uma figura progressista de destaque que concorre à reeleição, representa um distrito eleitoral de maioria democrata consolidada. Ela foi reeleita em 2024 com uma vantagem de 50 pontos percentuais.

Entenda o caso

Autoridades dos Estados Unidos fizeram buscas na casa da deputada democrata Ilhan Omar, do estado de Minnesota, na madrugada desta segunda-feira. A operação faz parte de uma investigação federal em andamento, segundo o Departamento de Justiça americano.

Uma pessoa familiarizada com o caso disse à Reuters que a busca decorre de uma investigação criminal relacionada a uma possível fraude migratória. Parte das apurações envolve documentos de imigração da parlamentar, nascida na Somália, que teriam sido preenchidos por seu falecido pai quando ela ainda era criança.

Em comunicado, um porta-voz do Departamento de Justiça afirmou que agentes do HSI (Investigações de Segurança Interna), órgão ligado ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos), cumpriram um mandado de busca autorizado pela Justiça na região de Washington. O departamento não detalhou o objeto da investigação.

Tom Homan, responsável pela política de fronteiras do governo Trump, disse à emissora Fox Business Network que o Departamento de Justiça conduz a investigação em conjunto com o Departamento de Segurança Interna. Ele não deu detalhes sobre o caso.

Um representante de Omar não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

A operação ocorre pouco mais de três semanas antes das Eleições de Meio de Mandato, marcadas para 3 de novembro. O Partido Republicano tentará manter suas estreitas maiorias no Congresso.

Omar, uma das principais representantes da ala progressista do Partido Democrata, concorre à reeleição em um distrito considerado seguro para os democratas. Ela venceu a disputa de 2024 por uma margem de 50 pontos percentuais.

Democratas de Minnesota condenaram a operação. O governador do estado, Tim Walz, acusou Trump de usar o poder presidencial para perseguir adversários políticos às vésperas da votação.

“Os americanos estão vendo isso pelo que é”, escreveu Walz nas redes sociais. “O presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição.”

As regras do Departamento de Justiça proíbem promotores e agentes federais de programar ações para influenciar o resultado de eleições ou beneficiar candidatos e partidos. Historicamente, a pasta evita medidas investigativas contra candidatos nos cerca de 60 dias anteriores a uma votação.

Investigações contra críticos de Trump

Durante o segundo mandato de Trump, o Departamento de Justiça abriu investigações e apresentou acusações contra diversas pessoas consideradas adversárias políticas do presidente.

Entre elas estão o ex-diretor do FBI (Departamento Federal de Investigação) James Comey, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump que se tornou crítico do presidente.

O departamento também investigou parlamentares democratas que pediram às Forças Armadas que não cumprissem ordens ilegais, o senador Adam Schiff e autoridades do Federal Reserve, o banco central americano, incluindo Jerome Powell e Lisa Cook.

O processo contra James e um dos dois casos apresentados contra Comey foram arquivados por um juiz federal. Bolton se declarou culpado e tem sentença prevista para o fim deste mês. Em outras investigações, júris de acusação e juízes federais impediram o avanço dos casos.

Trump já atacou Omar publicamente

Nascida na Somália, Omar é uma crítica frequente de Trump e tem sido alvo de ataques verbais do presidente. Ele já associou a comunidade somali-americana a uma ameaça para Minnesota e fez declarações contra somalis e muçulmanos.

A deputada descreveu a atenção de Trump sobre ela como uma “obsessão doentia e assustadora”. Ela também afirmou que sua família recebeu ameaças de morte que atribui à retórica política hostil, especialmente à do presidente.

Na semana passada, Trump chamou Abdul El-Sayed, candidato democrata muçulmano ao Senado por Michigan, de “extremista radical” e “simpatizante de terroristas”, ao declarar apoio ao adversário republicano dele, Mike Rogers.

Organizações de defesa dos direitos civis criticaram declarações de Trump contra minorias e imigrantes. Em outra ocasião, o presidente chamou somalis de “lixo”.

Em fevereiro, Trump disse que Omar e a deputada democrata Rashida Tlaib, de Michigan, também muçulmana, deveriam ser internadas e enviadas de volta para os lugares de onde vieram. As duas haviam criticado o presidente durante seu discurso sobre o Estado da União, no qual ele defendeu a política migratória rigorosa de seu governo.

No mês passado, um homem de Minnesota que jogou vinagre em Omar foi condenado a um ano e dois meses de prisão após se declarar culpado de agredir uma autoridade federal. Anthony James Kazmierczak admitiu ter atacado a parlamentar por discordar de suas posições políticas progressistas.

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