O presidente americano, Donald Trump, foi pessoalmente ao Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (24) para pressionar pela aprovação de uma reforma eleitoral.
Como represália pela resistência dos parlamentares, ele se recusou a sancionar um projeto de lei bipartidário voltado ao barateamento do custo de moradia para a população mais pobre.
O projeto abandonado e suas consequências
A lei que Trump se negou a assinar aumentaria os recursos federais destinados a municípios para projetos habitacionais, impediria fundos de investimento de controlarem mais de 350 domicílios e facilitaria a construção de casas móveis.
Segundo o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna, “ele está escolhendo excluir as pessoas mais pobres da eleição em vez de ajudar as pessoas mais pobres a ter uma casa própria ou a poder alugar a sua casa”.
A correspondente da CNN em Washington Mariana Janjácomo explicou que Trump publicou nas redes sociais, pela manhã, uma mensagem anunciando o cancelamento da assinatura do projeto bipartidário.
A condição imposta foi clara: o Congresso precisaria aprovar a reforma eleitoral desejada por ele antes que a sanção fosse realizada.
A reforma eleitoral e a resistência no Congresso
A reforma eleitoral proposta por Trump é considerada impopular entre a oposição, que acredita que as medidas dificultariam o acesso ao voto de forma justa.
Entre as exigências está a comprovação presencial de cidadania americana para o cadastro de eleitores — o que, segundo Sant’Anna, afetaria desproporcionalmente pessoas mais pobres, mulheres que mudaram de sobrenome ao casar e pessoas transgênero, que muitas vezes não dispõem de documentos emitidos pelo governo federal.
Mesmo entre os republicanos, a proposta encontra resistência. Conforme relatou Mariana Janjácomo, os parlamentares do partido não necessariamente discordam do conteúdo da reforma, mas consideram que o prazo é inviável para implementar todas as mudanças antes das eleições de 3 de novembro.
“Muitos republicanos acreditam que fazer isso agora mais atrapalharia o processo do que ajudaria”, afirmou a correspondente.
Impacto político e análise
Para Lourival Sant’Anna, a estratégia adotada por Trump representa uma inversão da equação eleitoral que o próprio republicano havia construído em eleições anteriores.
“O próprio Trump, em eleições anteriores, conseguiu deslocar o voto dos mais pobres e dos democratas para os republicanos. Ele está invertendo essa equação”, avaliou o analista.
Apesar da recusa de Trump em assinar a lei habitacional, Mariana Janjácomo destacou que o projeto deve entrar em vigor de qualquer forma dentro de 10 dias, caso não haja sanção.
Mesmo que Trump opte pelo veto, há uma supermaioria no Congresso capaz de revertê-lo. O ponto central do impasse, portanto, permanece sendo o embate entre Trump e os parlamentares — inclusive os do seu próprio partido — em torno das prioridades políticas para as eleições de novembro.

