A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) realiza sua cúpula de 25 anos de fundação em Bishkek, capital do Quirguistão. O encontro reúne países da Eurásia com o objetivo de encontrar convergências e se apresentar ao Ocidente como um contraponto à influência global de Washington.
Segundo Pfeifer, coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP, a organização foi criada em 1996 para resolver disputas de fronteiras entre China, Rússia e países da Ásia Central, como Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão. Com o tempo, outros países passaram a integrar o bloco, que hoje inclui Índia, Paquistão, Irã e Turquia, entre outros. “Hoje em dia, ela é uma grande frente de questionamento da ordem global, não como oposição aos Estados Unidos, mas sim como uma alternativa”, afirmou Pfeifer.
A temática central da cúpula deste ano é encontrar, por meio da cooperação, alternativas para a prosperidade e a segurança mundial. De acordo com Pfeifer, trata-se de “um esforço para se encontrar alguma lógica, alguma razoabilidade num novo mundo”, em que regras, direitos e estruturas de cooperação estão sob crescente questionamento. A iniciativa é capitaneada pela China, que pretende estabelecer um braço financeiro denominado Banco do Desenvolvimento da OCX, com o objetivo de dar maior musculatura ao bloco, composto por países de realidades bastante distintas.
Pfeifer destacou que o Brasil não faz parte desse tabuleiro, uma vez que a OCX se refere ao continente eurasiático. Embora o país já tenha participado de reuniões de cúpula como membro observador, seu alinhamento principal se dá com China, Rússia, Índia e África do Sul, no âmbito dos BRICS. “O tabuleiro do Brasil é o Hemisfério Ocidental, são as Américas, é a América Latina, é a América do Sul”, pontuou o analista.
Ainda assim, Pfeifer ressaltou que o Brasil deve acompanhar de perto os desdobramentos da cúpula. Segundo ele, acordos futuros que unam os dois lados do mundo “podem ser interessantes” para o país e ter impactos sobre a reorganização do tabuleiro regional, que é prioridade do governo dos Estados Unidos. A reunião, portanto, carrega um grande simbolismo: não representa uma confrontação direta com Washington, mas aponta para possibilidades concretas de desenvolvimento e prosperidade entre os países membros.

