Uma análise realizada por especialistas em armamentos nesta quinta-feira (3) aponta que a explosão que atingiu uma festa de casamento no Irã na terça-feira (1°) provavelmente foi causada por um impacto direto de um projétil americano, e não um ricochete vindo de outro alvo.

As imagens e vídeos examinados foram verificados pela Reuters.

Mais cedo, nesta quinta-feira, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse que os Estados Unidos estavam investigando o ataque letal contra um casamento iraniano.

Os Estados Unidos não assumiram a responsabilidade pela ocorrência. O governo do presidente americano Donald Trump enfrenta uma pressão crescente da opinião pública interna para encerrar uma guerra que está afetando seus índices de aprovação antes das cruciais eleições de meio de mandato em novembro.

A televisão estatal iraniana informou na quinta-feira que uma mulher de 22 anos morreu no hospital após o ataque que atingiu uma casa durante um casamento, elevando o número total de mortos relatados para cinco. Autoridades iranianas disseram que cerca de 70 pessoas ficaram feridas.

Pessoas que participavam dos funerais reuniram-se no final da tarde de quinta-feira nos arredores do vilarejo de Kuhestak, no condado de Sirik — em um trecho da costa do Estreito de Ormuz atingido por intensos ataques aéreos americanos na noite de terça-feira — para lamentar a perda de seus entes queridos.

Vance disse a repórteres na quinta-feira que os Estados Unidos estavam analisando.

“Estamos investigando porque, obviamente, nos importamos. Queremos saber”, afirmou.

“Se cometemos erros — e, novamente, essa é uma grande diferença entre nós e o Irã —, quando nossos militares cometem erros, eles aprendem com eles para tentar melhorar”, acrescentou Vance.

As forças armadas dos EUA disseram estar cientes dos relatos iranianos, mas afirmaram que “nunca têm civis como alvo”.

Uma autoridade americana, falando sob condição de anonimato, disse que o governo está analisando vários cenários relacionados às vítimas no casamento, incluindo se elas foram causadas por um ataque americano, por algum tipo de ricochete de um míssil de defesa aérea iraniano ou pelo próprio míssil interceptador que saiu de sua trajetória.

A Reuters compartilhou vídeos e imagens com quatro especialistas em armamentos militares, que afirmaram que os danos eram compatíveis com um impacto direto, e não com danos secundários decorrentes de um projétil que ricocheteou em outro alvo.

Três dos especialistas afirmaram que a munição provavelmente era uma arma dos EUA, e não um míssil de defesa aérea iraniano que se desviou da rota. Um dos especialistas disse que a arma pode simplesmente ter errado o alvo.

O episódio ocorreu cerca de seis meses depois que um míssil destruiu uma escola de ensino fundamental, em um episódio que, segundo autoridades iranianas, matou mais de 175 crianças e professores.

A Reuters noticiou anteriormente que uma investigação militar interna inicial dos EUA indicava que as forças americanas provavelmente foram responsáveis ​​por aquele ataque.

O Pentágono não divulgou publicamente as conclusões de sua investigação.

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