Mais de meio milhão de libaneses deslocados pelos conflitos começaram a retornar às suas comunidades, mas dezenas de milhares continuam sem condições ou sem vontade de voltar para casa devido à insegurança, aos danos nas moradias e à falta de serviços básicos, informou a ONU (Organização das Nações Unidas) nesta terça-feira (7).

O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que a situação humanitária no Líbano continua crítica, apesar da redução das hostilidades após um cessar-fogo anunciado em 19 de junho.

“Embora os retornos continuem, atividades militares e incidentes de segurança ainda estão sendo registrados, e as condições permanecem frágeis em muitas áreas”, disse Dujarric a jornalistas.

Ele afirmou que mais de 34 mil pessoas ainda vivem em abrigos coletivos. Muitas famílias estão relutantes ou impossibilitadas de retornar porque suas casas foram danificadas, há munições não detonadas em vilarejos e serviços essenciais continuam indisponíveis.

As crianças foram especialmente afetadas, disse Dujarric, citando estimativas do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) de que 308 mil crianças continuam deslocadas, mais de 1 milhão de crianças precisam de assistência humanitária e 62 crianças desacompanhadas ou separadas de suas famílias foram identificadas.

Parceiros humanitários relataram aumento das preocupações relacionadas à proteção, incluindo trabalho infantil, abandono escolar, exploração, violência de gênero, violência doméstica, assédio, restrições de circulação e obstáculos ao acesso à ajuda humanitária, afirmou o porta-voz.

Dujarric informou ainda que Jean Arnault, responsável interino pelo Escritório do Coordenador Especial da ONU para o Líbano, iniciou uma visita a Israel nesta terça-feira, após reuniões no Líbano com autoridades de alto escalão.

Um pedido revisado de ajuda humanitária da ONU e do Líbano busca arrecadar US$ 640 milhões para auxiliar 1,4 milhão de pessoas até agosto. Até o momento, a iniciativa recebeu 42% do financiamento necessário.