O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, 66, fez um pronunciamento nesta segunda-feira (3) ao afirmar que possui provas de uma suposta fraude nas eleições presidenciais e alertar que o país pode caminhar para uma “guerra civil” com a chegada ao poder do presidente eleito Abelardo de la Espriella, 48.

As declarações foram dadas à imprensa diretamente do Palácio Presidencial, em Bogotá, poucos dias antes da posse do sucessor.

Petro, que está no fim do mandato, voltou a questionar a legitimidade do resultado eleitoral e afirmou que a posse de De la Espriella representa uma grave crise institucional.

Ao comentar o cenário político e de segurança do país, o presidente disse temer uma escalada da violência. Segundo ele, há indícios de que grupos armados estariam se mobilizando em diferentes regiões da Colômbia.

“Obviamente, meu compromisso é com o povo, com o país e com aquilo com que me comprometi há mais de 30 anos. E é que eu me comprometi a não levar a Colômbia para as armas e a violência”, afirmou.

Na sequência, Petro alertou: “Aqui está muito claro o que pode ser uma guerra civil na Colômbia. Já com pessoas agindo, mataram líderes de autoridades indígenas de Cauca e, no mesmo dia, atentaram contra o deputado do Pacto Histórico em Cauca, ou seja, onde haveria a posse”.

O presidente também afirmou que recebeu informações sobre a existência de explosivos em diferentes cidades do país. “Temos informações de dezenas de toneladas de explosivos em Cali, Valle del Cauca e outros lugares. E estamos tentando pegá-los porque, se chegar a esse ponto, o que teremos é terrorismo.”

Segundo Petro, esse cenário estaria sendo usado para justificar medidas de exceção capazes de reverter avanços conquistados durante o governo dele. “Mas isso se combina com uma lógica que é a de decretar o estado de comoção interior para, por meio de decretos-lei, acabar com as reformas sociais que meu governo fez com muito esforço no Congresso da República.”

As declarações acontecem dias antes da posse de De la Espriella, marcada para a próxima sexta-feira (8).

Quem é Abelardo de la Espriella?

Abelardo de la Espriella é carismático, apela para o espetáculo e faz declarações categóricas e provocativas. Ele se apresenta como um empresário de sucesso, amante do que chama de alta cultura e bom gosto.

De la Espriella estruturou seu discurso para conquistar o eleitorado conservador e enfurecer o governo atual. Já moveu processos contra jornalistas, foi acusado de sexismo e afirma ser o maior inimigo do comunismo.

Ele entrou na campanha com propostas populistas. Lançou sua campanha presidencial prometendo interromper a continuidade do projeto político do presidente Gustavo Petro.

Com seu movimento Defensores da Pátria, seu ímpeto político começou no final de 2025 com o lançamento de sua candidatura, quando as pesquisas começaram a posicioná-lo como a principal voz do voto anti-Petro no país.

Ao longo da campanha, De la Espriella se declarou aberto a receber apoio de todos os setores políticos, exceto daqueles alinhados a Petro, e apareceu consistentemente como favorito nas pesquisas, apesar de não ser filiado a nenhum partido político.

O advogado afirma ter sido inspirado “pelo alarme gerado pela fraude eleitoral na Venezuela em 29 de julho de 2014” e busca evitar “o risco de um governo que ameace nossas liberdades fundamentais ou tente se perpetuar no poder”.

Como o resultado da eleição na Colômbia afeta o Brasil