As Forças Armadas de Israel reconheceram, pela primeira vez nesta quarta-feira (19), que abriram fogo contra o veículo que transportava Hind Rajab, de 5 anos, na Faixa de Gaza, e informaram ter aberto uma investigação criminal sobre a morte.

As IDF (Forças de Defesa de Israel) haviam negado anteriormente qualquer envolvimento na morte ocorrida em janeiro de 2024, afirmando, meses depois, que uma investigação preliminar constatou que suas tropas “não estavam presentes nas proximidades do veículo nem ao alcance de tiro” dele.

Rajab era uma das sete pessoas da mesma família que viajavam em um veículo no norte de Gaza quando foram alvo de disparos israelenses. Ela sobreviveu ao ataque inicial e implorou por telefone, durante horas, para que paramédicos palestinos fossem resgatá-la.

Posteriormente, uma ambulância enviada para socorrê-la também foi alvo de disparos. Doze dias depois, o corpo de Rajab foi encontrado em um carro crivado de balas.

As gravações da ligação da menina para os socorristas ganharam repercussão internacional, impulsionando exigências de responsabilização por sua morte e pela de milhares de outras crianças em Gaza.

O filme “A Voz de Hind Rajab”, que retrata o caso, foi indicado ao Oscar em 2026.

As mortes de outros 15 trabalhadores de emergência e ajuda humanitária em março de 2025 também serão investigadas, informaram as Forças Armadas de Israel nesta quarta-feira (19); no entanto, grupos de direitos humanos afirmam que tais investigações raramente resultam em condenações.

Investigações israelenses

Os militares declararam que as decisões de investigar seguiram apurações realizadas pelo seu Mecanismo de Apuração de Fatos e Avaliação. O órgão divulgou decisões referentes a cinco casos que envolveram a morte de palestinos.

Entre eles estava a análise das mortes de sete trabalhadores humanitários da organização beneficente World Central Kitchen, ocorrida em abril de 2024. Sobre o ocorrido, os militares afirmaram não haver “nenhuma suspeita razoável de conduta criminosa que justificasse a abertura de uma investigação criminal”.

“Há mais de mil dias, as FDI (Forças de Defesa de Israel) vêm conduzindo combates intensos em diversas frentes, realizando uma ampla gama de missões militares em uma realidade operacional excepcionalmente complexa”, afirmaram as Forças Armadas de Israel.

“Como parte das obrigações das FDI sob o direito internacional e a legislação interna de Israel, a instituição examina incidentes excepcionais ocorridos durante o combate”, acrescentaram os militares.

Grupos israelenses de direitos humanos afirmam que investigações sobre conduta criminosa de tropas israelenses em casos de morte de palestinos raramente levam a condenações.

“Quase não há denúncias formais apresentadas em relação ao número de queixas contra soldados e comandantes que cometem infrações. Nos raros casos em que comandantes ou soldados são condenados, eles recebem penas ridiculamente brandas em comparação com a gravidade da infração”, disse um porta-voz da organização israelense de direitos humanos Yesh Din.