A morte de um homem marroquino sob custódia policial provocou uma onda de protestos – alguns violentos – na cidade de Bolonha, no norte da Itália, após viralizar um vídeo da abordagem que mostra policiais subjugando o homem à força.
Promotores na Itália disseram à CNN que dois policiais e quatro socorristas estão sendo investigados por homicídio culposo, no caso de um homem de 42 anos que morreu após ser algemado e imobilizado por policiais.
O homem foi identificado por sua família como Abderrahim Fakir, que, segundo eles, era residente legal no país.
Em um vídeo de sua prisão, Fakir pode ser ouvido gritando por socorro enquanto pelo menos dois policiais o imobilizam.
O caso gerou comparações com o assassinato de George Floyd pela polícia dos Estados Unidos em Minneapolis, em 2020.
Foi solicitada uma autópsia para determinar a causa da morte de Fakir, de acordo com o gabinete do legista.
A polícia não forneceu detalhes à CNN sobre o incidente, alegando que a investigação está em andamento.
No entanto, eles disseram à afiliada da CNN e emissora nacional italiana, RAI, que chegaram ao local no domingo, em resposta a chamadas de emergência de moradores locais sobre um homem que estava causando perturbação, gritando e chutando portas de garagem.
Eles disseram que os policiais chamaram uma ambulância, mas o vídeo do incidente mostra a equipe médica esperando que a polícia permitisse que eles se aproximassem de Fakir.
Ele foi declarado morto no local pouco antes das 10h, horário local, informou a prefeitura de Bolonha à CNN.
Não está claro pelo vídeo o que aconteceu no início do confronto e como a polícia interagiu inicialmente com Fakir.
Milhares de manifestantes saíram às ruas de Bolonha no domingo e na segunda-feira (20).
Alguns foram vistos incendiando carros, quebrando vitrines e entrando em confronto com a polícia de choque, que usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersá-los.
Nesta terça-feira (21), a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pediu calma, afirmando que alguns manifestantes usaram a morte de Fakir como pretexto para a violência.
“Em relação à morte de Abderrahim Fakir, é imprescindível que todas as responsabilidades sejam rigorosamente apuradas. A verdade deve ser buscada minuciosamente, sem preconceitos e sem concessões”, disse ela nas redes sociais.
“Mas nada justifica a violência contra as forças da lei. Aqueles que escolheram usar esse incidente como pretexto para devastar a cidade, atacar policiais e semear a violência, colocando em risco a segurança de cidadãos que nada tinham a ver com os distúrbios, não estavam buscando a verdade: estavam buscando o confronto”, acrescentou ela.
O prefeito de centro-esquerda de Bolonha, Matteo Lepore, que havia incentivado as pessoas a se reunirem na cidade para exigir justiça para Fakir, disse à multidão que a Itália não queria “agentes do ICE e vítimas como George Floyd”, mas classificou a violência como “cega, injustificada e sem sentido”.

