O jornal britânico Financial Times publicou uma matéria neste sábado (22) afirmando que a tensão entre Lula (PT) e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, escalou tanto que o presidente brasileiro agora tenta recorrer diretamente a Donald Trump para reduzir a crise entre os países.

Fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela CNN na sexta-feira (21) já haviam avaliado que Lula busca construir uma relação pessoal com Trump para lutar contra uma “ala ideológica” na Casa Branca liderada por Rubio, que teria um projeto para América Latina. Trump, segundo as fontes, dá liberdade para esse movimento, mas evita se envolver diretamente.

A reportagem do Financial Times foi publicada um dia após Lula e Trump conversarem por telefone. A Casa Branca não confirmou os assuntos discutidos, mas o Planalto afirmou que os líderes conversaram sobre tarifas, guerras e o combate ao crime organizado. Segundo o governo brasileiro, os presidentes também concordaram com uma nova reunião entre as equipes dos dois países para discutir o tarifaço.

O jornal britânico relembra as recentes trocas de farpas entre Lula e o secretário de Estado de Trump, a poucos meses da eleição presidencial no Brasil. Enquanto Rubio acusou o presidente brasileiro de colocar “o próprio ego” à frente dos interesses do povo, o petista chamou o principal diplomata dos EUA de “latino-americano frustrado”.

Uma autoridade americana teria dito ao Financial Times que Lula estaria “fabricando” uma briga com Rubio porque acredita que o sentimento anti-EUA o ajudaria a derrotar Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas. Já uma autoridade do governo brasileiro teria afirmando ao jornal que há “uma agenda coordenada da direita do Brasil com a direita no Departamento de Estado dos EUA”.

Após a ligação com o presidente americano, Lula afirmou que Trump reconheceu o tarifaço contra o Brasil como incorreto durante o telefonema.

“Eu disse ao presidente Trump que a taxação é irreal e foi feita com base na mentira. Eles falaram do desmatamento, e o Brasil tem o menor desmatamento da história. Falaram do trabalho forçado, e nós combatemos o trabalho forçado”, disse durante ato de campanha realizado em Belo Horizonte.

“E Trump reconheceu e pediu para o secretário de comércio marcar uma reunião com o Márcio [Elias Rosa]”, completou.

A CNN também apurou que o governo Lula vê um canal de diálogo reaberto e fortalecido após a ligação, mas integrantes do Planalto ainda não descartam uma tentativa de alguma interferência eleitoral.