O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca na manhã desta terça-feira (30) em Assunção para participar da Cúpula do Mercosul, ao lado dos demais presidentes do bloco comercial.

Também estão confirmadas as participações do anfitrião, Santiago Peña, de Javier Milei, da Argentina, de Yamandu Orsi, do Uruguai, de Rodrigo Paz, da Bolívia, além dos presidentes dos estados associados do bloco: José Antonio Kast do Chile e Daniel Noboa do Equador.

A previsão é que a reunião presidencial inaugure as negociações de associação econômica entre o bloco sul-americano e o Japão. O intuito é chegar a um acordo não orientado somente à troca comercial, mas também à cooperação entre as partes.

O encontro acontece em um momento de ampla diversidade de negociações entre o bloco e países extra-regionais. Recentemente, o bloco fechou acordos com a União Europeia e o Efta, formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, e atualmente negocia com Canadá, Vietnã, Índia, Emirados Árabes e inicia diálogos com o Reino Unido.

No entanto, há fortes divergências nas visões comerciais entre os integrantes do Mercosul. Uma delas é sobre como abordar a divisão de cotas de exportação isentas de tarifas para a ue (União Europeia). Os sul-americanos têm até setembro para informar os europeus sobre como será o esquema de cotas.

Além disso, nesta segunda-feira (29), o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira afirmou aos demais chanceleres do bloco haver “iniciativas que atentam contra o espírito” do bloco e “ameaçam a manutenção da tarifa externa comum”.

“Temos tomado conhecimento, por parceiros regionais e às vezes pela imprensa, de iniciativas gestadas à margem deste Conselho de Ministros”, disse, em reunião com seus pares. “Essas iniciativas não estão em consonância com as decisões que determinam negociações em conjunto com parceiros externos”.

Recentemente, a Argentina anunciou a assinatura de um acordo comercial com os Estados Unidos. Ainda não há detalhes específicos no nível de abrangência do tratado. Além disso, o país tem pressionado por uma maior flexibilidade do bloco, que afirma ser fechado e que prejudicaria a economia do seu país.

O Mercosul, atualmente, é formado principalmente por presidentes de direita. Entre os líderes de esquerda presentes nesta terça estarão somente Lula e Orsi.

Outro anúncio desta cúpula deve ser o aumento da contribuição brasileira para o Focem (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul), criado para reduzir desigualdades entre os países do bloco.

Esses recursos são utilizados principalmente para financiamento de obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais no Paraguai e no Uruguai, menores países do Mercosul.

Também há a expectativa de que os presidentes do bloco emitam algum pronunciamento sobre a Venezuela, que lida com as devastadoras consequências dos terremotos de 7,2 e 7,5 graus de magnitude que deixaram pelo menos 1.700 mortos e milhares de desaparecidos.