O militar americano resgatado do Irã após ter sido abatido em abril compartilhou pela primeira vez detalhes da arriscada operação de resgate, durante uma entrevista ao programa “60 Minutes”, neste domingo (13).
Conhecido pelo codinome “Bravo”, usado durante a entrevista para proteger sua identidade, o militar contou que seu paraquedas foi danificado depois que o avião foi atingido. Durante a queda livre, ele fez tudo o que podia para “abrir ou puxar partes do paraquedas”.
“Foi a coisa mais aterrorizante que já vi”, disse. A queda provocou fraturas na coluna, em um braço e em um ombro, além de uma torção no tornozelo e ferimentos com sangramento na cabeça e no rosto, segundo o militar.
Depois de ejetar do F-15, o oficial de sistemas de armas conseguiu evitar ser detectado pelas forças iranianas que se aproximavam. Mesmo ferido, ele subiu uma montanha de cerca de 2.100 metros de altitude, equipado com pouco mais do que uma pistola, um dispositivo de comunicação e um sinalizador de localização, segundo relatos anteriores de autoridades americanas e o próprio relato de “Bravo” no domingo.
Enquanto o piloto da aeronave foi resgatado pouco depois da queda, “Bravo” só foi encontrado 50 horas mais tarde.
Os dois integrantes da tripulação não foram identificados publicamente pelo Pentágono, por preocupação com a segurança deles e para evitar a divulgação de informações sensíveis.
“Assim que encontrei um lugar que achei que oferecia algum tipo de proteção, comecei a tentar estabelecer comunicação”, disse “Bravo” à apresentadora da CBS Norah O’Donnell. “Quando tive um momento para olhar para trás e pensar em tudo o que havia acontecido, enviei ‘Deus é bom’”, acrescentou, descrevendo a primeira mensagem que enviou.
A CNN informou no sábado (12) que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e autoridades políticas de sua pasta pressionaram os dois integrantes da tripulação a participarem da entrevista exclusiva e de grande repercussão, segundo várias fontes familiarizadas com o assunto.
Inicialmente, os dois militares demonstraram resistência à ideia, enquanto autoridades militares também estavam preocupadas com a possibilidade de informações classificadas sobre a operação de resgate serem reveladas, segundo três fontes.
O piloto se recusou a participar da entrevista. A CNN também informou que autoridades políticas do gabinete de Hegseth insistiram para que a entrevista fosse realizada, apesar das ressalvas apresentadas pela cadeia de comando militar.
“Toda essa história é uma mentira completa”, afirmou Sean Parnell, principal porta-voz do Pentágono, quando questionado sobre a reportagem da CNN a respeito dos planos para a entrevista.
“A decisão de participar da entrevista foi exclusivamente de cada piloto — porque essa é a história deles”, acrescentou. “Como a CNN observou, um dos pilotos decidiu participar e o outro não. Além disso, o Departamento teve muito cuidado para garantir que a segurança operacional, as fontes e os métodos fossem protegidos.”
Como evitou ser capturado
“Bravo” contou à CBS que ficou escondido sozinho durante horas em uma fenda na montanha, enquanto militares americanos de elite, acompanhados por aeronaves dos EUA que lançavam bombas para limpar a área, corriam para localizar o oficial.
A operação de resgate envolveu centenas de militares e agentes de inteligência americanos, incluindo integrantes de forças de operações especiais como a Delta Force, do Exército, e a SEAL Team Six, da Marinha.
Antes da operação, agentes da CIA realizaram uma campanha de desinformação para despistar o Irã, cujos líderes haviam oferecido uma recompensa pela captura do militar.
A transmissão da CBS exibiu imagens do Pentágono, posteriormente desclassificadas, que mostraram integrantes de uma equipe de resgate da Força Aérea dos EUA avançando em direção a “Bravo” para retirá-lo do local.
Ele se recusou a revelar o que os militares disseram quando finalmente chegaram até ele.
A operação de resgate ainda teve outros imprevistos. Os militares americanos destruíram dois aviões de transporte de operações especiais MC-130J que aguardavam para retirar os comandos e o militar resgatado do país.
As aeronaves, porém, foram danificadas em algum momento da operação, deixando temporariamente mais de 90 integrantes das forças especiais isolados.
Depois que todos foram resgatados, os EUA decidiram destruir os aviões danificados para impedir que caíssem nas mãos dos iranianos e enviaram novas aeronaves para realizar a retirada.
“Bravo” disse que toda a experiência permanecerá com ele. Ao ver seus resgatadores surgindo no alto da montanha onde estava escondido, afirmou que aquele “foi um dos maiores momentos da minha vida” e que não sabia como expressar sua gratidão além de dizer “obrigado” por tudo o que fizeram.

