O suspeito de ter cometido o aparente ataque com um carro contra as celebrações da Parada do Orgulho em Berlim, na noite de sábado (25), foi identificado como integrante do “meio islamista” da cidade, mas ainda não foi preso, informou um porta-voz da polícia de Berlim.
“Já identificamos um suspeito. Estão em andamento as medidas para localizá-lo e prendê-lo. Esse suspeito, que ainda não foi detido, é conhecido pela polícia como integrante do meio islamista aqui de Berlim”, disse o porta-voz a jornalistas no local do incidente.
Uma pessoa morreu e outras 17 ficaram feridas, algumas em estado grave, depois que um veículo avançou contra uma multidão nas proximidades das celebrações da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim, na noite de sábado, desencadeando uma operação para localizar o motorista, informaram a polícia e o Corpo de Bombeiros.
Horas após o aparente ataque, muitos detalhes ainda permaneciam desconhecidos, mas a polícia informou que o veículo atingiu várias pessoas depois de entrar em alta velocidade no parque Tiergarten, na região central da cidade, próximo ao Portão de Brandemburgo.
“De acordo com nossas informações mais recentes, o veículo entrou no Tiergarten por volta das 22h (17h em Brasília), ferindo várias pessoas, e só parou depois de colidir contra uma árvore no parque”, disse um porta-voz da polícia no local.
“O veículo estava vazio, por isso estamos trabalhando intensamente para localizar o autor ou os autores.”
Oito feridos em estado grave
Entre os 17 feridos, oito sofreram ferimentos graves e, destes, três correm risco de morte, informou um porta-voz do Corpo de Bombeiros.
A polícia disse que o veículo era branco e pode ser um carro, uma van ou um micro-ônibus. O jornal Bild citou uma testemunha que afirmou se tratar de uma van e disse que um homem saiu do veículo e fugiu a pé.
Centenas de milhares de pessoas participavam pacificamente das celebrações anuais do Christopher Street Day (CSD), um dos maiores eventos LGBTQIA+ da Europa, antes que o aparente ataque interrompesse abruptamente as festividades.
Um grande número de viaturas dos serviços de emergência foi mobilizado para o local.
“É um dos piores dias para a comunidade queer e um dia que, pessoalmente, eu esperava nunca ter de viver… Estou em choque”, disse Julian Methig, que participava do evento.
O Christopher Street Day reúne centenas de milhares de pessoas na capital alemã todos os anos. O evento homenageia a Revolta de Stonewall, ocorrida em Nova York em 1969, e combina uma parada com reivindicações políticas por igualdade, inclusão e proteção contra a discriminação.
Série de ataques com veículos
Realizado pela primeira vez em Berlim Ocidental em 1979, o CSD cresceu de uma pequena manifestação para um dos principais eventos do calendário cultural e político da cidade. A parada é o ponto central da programação, acompanhada por diversos eventos políticos, culturais e festivos realizados por toda Berlim.
Nos últimos anos, a Alemanha registrou uma série de ataques em que veículos avançaram contra multidões, causando mortes.
Em maio, um homem que, segundo as autoridades, sofria de problemas de saúde mental atropelou pessoas em uma área de pedestres no centro da cidade de Leipzig, no leste do país, matando duas pessoas e ferindo gravemente outras três.
No ano passado, duas pessoas morreram na cidade de Mannheim, no oeste da Alemanha, quando um homem de 40 anos, descrito pelas autoridades como psicologicamente instável, avançou com um carro contra um grupo de pedestres. Algumas semanas antes, um cidadão afegão realizou um ataque semelhante durante uma manifestação sindical em Munique, matando duas pessoas e ferindo mais de 40, incluindo muitas crianças.
Em dezembro de 2024, várias pessoas morreram após um carro atingir uma multidão em um mercado de Natal na cidade de Magdeburgo, no leste da Alemanha. O principal suspeito era um psiquiatra saudita, conhecido por seu histórico de discursos anti-islâmicos, que vivia na Alemanha havia quase duas décadas.

