
Há cerca de um mês, a atual administração Mateus Simões cumpriu uma das grandes promessas de gestão ao leiloar a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Por R$ 5,5 bilhões, a Equatorial Energia comprou 30% da estatal na Bolsa de Valores. No mesmo dia, a revista inglesa The Economist publicou reportagem analisando a economia de Minas Gerais, dando destaque à ideia que o estado era um “espelho” da economia brasileira, com seu alto déficit fiscal.
Romeu Zema, que renunciou ao cargo para ser pré-candidato à presidência nas eleições, cumpre através do vice aquilo que tentou desde seu primeiro mandato. A privatização vai no cerne da preocupação da The Economist: ajuste das contas públicas e corte de gastos, políticas que a revista recomendou para a administração pública. Segundo a revista, as “finanças de Minas Gerais estão em ruínas” e quem vencer a eleição “terá que cortar gastos drasticamente”.
A pergunta que fica é: onde esses gastos devem ser cortados? O Estado sofrer críticas na imprensa internacional é um sintoma de uma péssima gestão do ex-governador que, nos últimos oito anos, fez políticas de austeridade fiscal que não resolveram o problema. Zema saiu do cargo deixando o maior déficit fiscal de todos os estados e um aumento de 298% do próprio salário. Cortes feitos em despesas essenciais, como nos salários dos servidores públicos estaduais, podem gerar uma série de problemas e não resolveram o problema inicial. Os cortes de gastos públicos são uma estratégia velha e falsa.
Em São Paulo, as críticas à venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aumentaram quando os consumidores perceberam aumento das tarifas, além da tragédia envolvendo duas mortes, quando uma obra da Sabesp explodiu na capital. A companhia Equatorial Energia, que comprou parte da Copasa, também é a principal acionista da Sabesp. Mas esse movimento de privatizações no saneamento não é restrito à região Sudeste e acontece também em Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul, este últimoprivatizou a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) um ano antes das enchentes que destruíram parte do estado, em 2024.
Vender as empresas de saneamento, como provado pelo caso paulista, piorou a qualidade dos serviços e, no caso gaúcho, fez a situação pós-enchente piorar. A empresa cobrou tarifas acima de R$1 mil meses depois das chuvas. As privatizações vão na contramão do mundo, cuja tendência, em vários países, é reestatizar empresas públicas de saneamento.
Ao privatizar a Copasa, Minas Gerais mergulha no atraso. As finanças do Estado não são ajustadas, os serviços de saneamento básico entram em risco e quem sofre é a população mineira, em um momento de intensificação de desastres climáticos, como a que vivemos este ano em Juiz de Fora.
*Olavo Claus é estudante da Faculdade de Comunicação da UFJF
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