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Faltando quatro dias para a votação, o Brasil chega a uma das eleições mais disputadas e incertas das últimas décadas. Doze candidatos estão inscritos na disputa pela Presidência da República, mas a maior parte das atenções está concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL.

As pesquisas desta reta final mostram uma disputa acirrada, com diferenças relativamente pequenas entre os dois principais concorrentes. O cenário demonstra que o resultado continua aberto e que a decisão definitiva somente será conhecida após a manifestação dos eleitores nas urnas.

A preocupação maior, entretanto, está na qualidade da campanha. Em vez de propostas concretas para economia, saúde, educação, segurança pública, geração de empregos e desenvolvimento, boa parte do debate tem sido ocupada por acusações, provocações e confrontos ideológicos.

A eleição não se resume à escolha do presidente da República. Os brasileiros também votarão para governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Portanto, a responsabilidade do eleitor será enorme.

A polarização política continua dificultando o debate. Muitas vezes, candidatos gastam mais tempo tentando desqualificar seus adversários do que explicando aquilo que pretendem realizar caso sejam eleitos.

O eleitor, por sua vez, precisa aproveitar essa oportunidade para analisar propostas, trajetórias e compromissos públicos. A escolha não deveria ser determinada apenas pela ideologia, pelo rancor, pela simpatia ou pela rejeição a determinado candidato.

O país também necessita avançar na discussão sobre seu sistema político e eleitoral, buscando regras capazes de fortalecer as instituições, diminuir conflitos e ampliar a confiança da população na democracia.

Espera-se que os eleitos contribuam para a pacificação nacional e para uma relação mais equilibrada entre os Poderes da República.

O voto é uma das maiores responsabilidades concedidas ao cidadão em uma democracia. Por isso, não deve ser transformado em instrumento de vingança ou confronto.

Quem vota apenas para atingir um adversário político pode acabar ignorando as consequências que aquela escolha produzirá para toda a sociedade.

É preciso escolher com responsabilidade, porque uma decisão tomada por rancor hoje poderá atingir amanhã o próprio eleitor.

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo (Aspomil).

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