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Bem, o que se imagina é que esta hora a eleição presidencial, e de alguns poucos governadores, já esteja decidida. No próximo domingo voltaremos às urnas para sacramentarmos nossas escolhas. É bem verdade que ainda temos um debate pela frente, tido e havido como definidor de vitoriosos, mas, pessoalmente acredito que ele serve apenas para consolidarmos e justificarmos nossas escolhas. É que esta eleição está tão radicalizada que, sinceramente, não vejo ninguém debatendo propostas, fazendo suas escolhas em função de um programa de governo.

De um lado Lula só fala no que já fez e, o que poderia fazer num próximo mandato, está tentando implantar agora, antes das urnas de segundo turno, na expectativa de abocanhar os votos que sumiram no primeiro turno. De outro, Flávio Bolsonaro fica apenas garantindo que manterá e melhorará os programas sociais implantados em governos passados de seu adversário e, sem explicar como, garantindo que fará cortes em despesas, tirando dinheiro do Estado e deixando no bolso dos contribuintes. Ambos ocupam seus horários de propaganda, seus palanques com promessas que, de antemão, o eleitor sabe que não serão cumpridas. Mas insistem e o eleitor permanece firme em seu apoio, em sua escola, como mostram as pesquisas. Isto só se explica pela radicalização da política.

Desde o período da ditadura militar não se vê um ambiente político tão pesado, tão radicalizado. E isto não vai mudar, seja quem for o presidente eleito. Basta dar uma olhada nas bancadas eleitas para o Senado e Câmara Federal. São muitos os parlamentares sem formação política, sem consistência ideológica. Gente sem qualquer experiência que não se iludam terão discursos radicais só para agradar o público, mesmo que isto implique em confronto com o governante eleito.

O Brasil, se cuidem, vai passar por momentos difíceis.

* Paulo César de Oliveira é jornalista e diretor-geral da Revista Viver Brasil.

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