O Painel de Rodovias que Perdoam – apontando a situação das rodovias brasileiras – é revelador: as rodovias sob concessão estão em melhor condição do que as que permanecem sob controle direto dos estados ou da União. A constatação parece óbvia, mas é contundente: os entes federados e o Governo federal precisam, necessariamente, aumentar seus investimentos nesse modal, já que a maior parte das rodovias não tem movimento suficiente para se tornarem pedagiadas.

 O painel, como a Tribuna divulgou, analisa a capacidade da infraestrutura rodoviária brasileira de mitigar as consequências de acidentes a partir de dados sobre a relação entre mortes e feridos graves, o volume de tráfego e as características físicas da rodovia, como pavimento, sinalização, acostamento e dispositivos de contenção.

 A Confederação Nacional dos Transportes defende investimentos focados em segurança passiva e infraestrutura resiliente, mas faz outras observações que precisam ser levadas em conta.

Os autores do painel analisaram duas rodovias federais que cortam Juiz de Fora. A BR-040, sob concessão em toda a sua extensão, tem um desempenho bem melhor do que a BR-267, sob responsabilidade do Dnit. Não há surpresa, sobretudo quando se avalia o trecho entre Juiz de Fora e Belo Horizonte, que passa por obras de grande porte implementadas pela EPR, detentora da concessão.

No sentido do Rio, sob controle da Elovias, o índice também é bom, o que não afasta a necessidade das obras na Serra de Petrópolis, especialmente as que atenderão as demandas de segurança. Hoje, como já foi avaliado com frequência neste espaço, o trecho é de pleno risco, sobretudo pela convivência de veículos de passeio e caminhões de grande porte. A subida em direção a Petrópolis é desafiadora.

 Pelo contrato, a concessionária dará continuidade às obras que preveem a construção de um túnel de cinco quilômetros para tirar todo o tráfego dos trechos sinuosos. Trata-se de um investimento robusto iniciado no ciclo da Concer e paralisado em razão do desencontro de contas entre a concessionária e o Governo federal.

 Ainda não foi apresentado o calendário de obras, mas é necessária a sua antecipação, uma vez que o ciclo das chuvas, de acordo com as previsões meteorológicas, será intenso, o que comprometerá ainda mais o fluxo dos veículos na região.

 O cenário das rodovias estaduais é mais preocupante. O painel apontou diversas inconsistências a despeito de o Governo de Minas ter implementado um plano de construção e recuperação de rodovias. De interesse direto da região, a MG-353 ainda não recebeu obras nem foi avaliada pelo painel. 

 

 

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