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Foto: Leonardo Costa

Inaugurado há 12 anos para facilitar a ligação entre os bairros Vila Ideal e Guaruá, na Região Sudeste de Juiz de Fora, o acesso entre a Avenida Antônio Miranda e a Rua Anhanguera está interditado desde 2020. Os problemas estruturais que motivaram o fechamento da via, no entanto, são ainda mais antigos e se agravaram após o desastre climático de fevereiro de 2026. As chuvas provocaram deslizamentos de terra nas encostas do entorno e atingiram imóveis da região, levando à interdição de casas pela Defesa Civil, algumas das quais precisarão ser demolidas.

Em novembro de 2025, antes do desastre, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) contratou a empresa Barra Nova Engenharia, especializada em obras e projetos geotécnicos, para executar serviços de contenção das encostas ao longo da via. O contrato, firmado por meio de concorrência eletrônica, prevê investimento de R$ 10.127.089,28.

Entretanto, segundo a Administração municipal, os impactos das chuvas de fevereiro exigiram a revisão do projeto de recuperação do acesso. Com isso, a reabertura da ligação entre os bairros segue sem data definida. “A previsão é de que os serviços sejam retomados ainda em 2026, com prazo estimado de conclusão de 15 meses a partir do início dos trabalhos.”

A Prefeitura informou ainda que o bloqueio da via ocorreu antes do início da atual gestão e decorre de problemas estruturais, que já haviam motivado intervenções anteriores no local. “A Avenida Antônio Miranda, no Bairro Vila Ideal, permanece evacuada desde as chuvas de fevereiro de 2026.”

Problemas na encosta antecedem a inauguração da via

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A ligação entre Vila Ideal e Guaruá dois anos após a inauguração. Foto: Marcelo Ribeiro

Embora tenha sido inaugurada em maio de 2014, a ligação entre Vila Ideal e Guaruá já apresentava problemas antes mesmo da execução das obras. Conforme publicado pela Tribuna em outubro de 2013, o barranco no entorno da via tinha sinais de erosão e risco de deslizamento de terra. O local também apresentava mato alto e acúmulo de lixo, além de problemas de segurança e de circulação para os moradores.

A instabilidade das encostas da região, porém, já havia sido evidenciada em novembro de 2009, quando duas pessoas morreram soterradas após o deslizamento de um barranco na Rua Giuseppe Novelino, localizada abaixo da Avenida Antônio Miranda.

Na madrugada de 13 de novembro daquele ano, a casa onde viviam Fabiana Cristina da Silva Nascimento, de 25 anos, e sua filha Lídia Carvalho da Silva, de 2, foi encoberta pela terra. O marido de Fabiana e pai da criança, Luiz Fernando de Carvalho Nascimento, conseguiu escapar com vida. As chuvas também afetaram outras famílias e levaram à interdição de cerca de 12 imóveis da região. A tragédia completa 17 anos em 2026.

arquivo tribuna de minas
Imagem: Aquivo Tribuna de Minas

Anos depois, em 2013, tiveram início as obras de abertura da ligação entre Vila Ideal e Guaruá. A intervenção atendia a uma demanda antiga dos moradores e era apontada como alternativa para reduzir a retenção do trânsito na região. Na época, um morador relatou que a comunidade aguardava a realização do projeto havia mais de três décadas. “Pedimos a várias administrações, mas isso aqui ficou abandonado, ninguém teve interesse”.

A via foi inaugurada em maio de 2014, durante as comemorações do aniversário de Juiz de Fora, pelo então prefeito Bruno Siqueira (MDB). Na cerimônia, o secretário de Obras da gestão, Amaury Couri, destacou a importância do acesso para a ligação entre as regiões Sudeste e Sul da cidade.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura à época, a obra recebeu investimento de R$ 400 mil e contemplou intervenções voltadas à estabilidade da encosta e à infraestrutura da via. Entre os serviços executados estavam a implantação de uma nova rede de drenagem e de um dreno para captação de águas pluviais na encosta, a remoção de barreiras e pedras e a construção de muros de contenção.

Também foram realizados serviços de reaterro, terraplanagem, pavimentação, instalação de meio-fio, construção de passeios e implantação de guarda-corpo com corrimão.

Apesar das intervenções, o acesso voltou a apresentar problemas estruturais e acabou interditado em 2020, apenas seis anos após a inauguração. Desde então, a ligação permanece fechada, e os danos registrados durante as chuvas de fevereiro deste ano ampliaram a necessidade de intervenções nas encostas.

Família atingida pelas chuvas espera por Compra Assistida

Além de agravar os problemas estruturais no entorno da via, as chuvas de fevereiro de 2026 afetaram diretamente famílias que viviam na Avenida Antônio Miranda. Entre elas está a de Jorge Luiz Francisco Feu, que precisou deixar a residência após o desabamento de um muro de contenção sobre a cozinha do imóvel.

“Foi só eu sair e o negócio veio abaixo. Uma casa boa, feita com carinho. Gastamos muito para fazer essa casa e, de repente, perdemos. Bom que nós estamos vivos, né?”, conta.

Com a interdição da casa, Jorge e a família buscaram abrigo temporário na residência de parentes, até conseguirem alugar outro imóvel. Além da perda da moradia, o episódio trouxe dificuldades financeiras para o casal.

Jorge e a esposa são aposentados, mas continuavam trabalhando para complementar a renda familiar. Segundo ele, após a interdição do imóvel, os dois deixaram os empregos para se enquadrar no limite de renda familiar mensal de até R$ 5 mil, uma das exigências do programa habitacional Compra Assistida.

Embora tenha sido contemplado pelo programa e já tenha escolhido um imóvel, Jorge afirma que ainda aguarda a conclusão dos procedimentos necessários para a aquisição da nova moradia.

“Ganhamos a casa há um mês. Só que agora está agarrando lá na Caixa, o banco não libera o engenheiro para ir na casa que escolhemos. Inclusive a proprietária já está aguardando para dar o aval, só está faltando isso”, diz preocupado.

Questionada sobre a situação habitacional das famílias atingidas, a Prefeitura informou que elaborou os planos de trabalho e realizou a busca ativa dos moradores elegíveis ao Compra Assistida para cadastramento na Dataprev. “A aquisição dos imóveis é coordenada pela Caixa Econômica Federal, em diálogo com o Município.”