
Os bancários de Juiz de Fora aderem, nesta quinta-feira (20), à paralisação nacional que integra a Campanha dos Bancários 2026. O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Juiz de Fora, Zona da Mata e Sul de Minas (Sintraf JF) mobiliza a categoria na tentativa de suspender as atividades nas agências de toda a base de atuação da entidade. Na cidade, também está previsto ato em frente à agência Manchester, na Avenida Rio Branco, 2340.
A presidenta do Sintraf JF, Taiomara Neto de Paula, afirmou à Tribuna que a expectativa do sindicato é alcançar todas as agências de Juiz de Fora e também dos municípios da Zona da Mata e do Sul de Minas. Segundo ela, a entidade tem intensificado a mobilização dos bancários nos dias que antecedem a paralisação.
O movimento ocorre em meio às negociações da campanha nacional com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Entre as principais reivindicações estão o ganho real dos salários e demais cláusulas econômicas, preservação dos empregos e direitos da categoria e melhoria das condições de trabalho.
Oito rodadas de negociação
De acordo com Taiomara, representantes dos trabalhadores e das instituições financeiras já participaram de oito rodadas de negociação. O Comando Nacional dos Bancários apresentou as reivindicações e dados da categoria, mas, segundo a presidenta do sindicato, os bancos ainda não colocaram uma proposta na mesa.
Para ela, a paralisação desta quinta-feira busca aumentar a pressão sobre as instituições para que as negociações avancem com uma proposta que inclua manutenção das conquistas dos trabalhadores.
Além das reivindicações gerais, as pautas variam conforme a instituição. Na Caixa Econômica Federal, o sindicato destaca as discussões sobre melhorias no Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados. No Banco do Brasil, as reclamações relacionadas à reestruturação da instituição ganharam espaço, acompanhadas de reivindicações por melhores condições de trabalho, valorização das carreiras e avanços econômicos.
A próxima rodada de negociação está marcada para terça-feira (25). Até lá, conforme Taiomara, a orientação do movimento sindical é concentrar os esforços na paralisação desta quinta e aguardar as próximas definições do Comando Nacional.

Juiz de Fora perdeu 31 agências desde 2017
O fechamento de unidades bancárias é outro ponto central da mobilização. Balanço elaborado pelo Sintraf JF neste ano, a partir da comparação entre 2017 e hoje, aponta que 31 agências foram fechadas em Juiz de Fora no período. Segundo o levantamento, o número corresponde a 47% do total de unidades considerado no comparativo.
Santander e Bradesco concentram a maior quantidade de fechamentos na cidade, com oito unidades de cada banco. Na sequência aparecem Itaú, com sete; Banco do Brasil, com três; Mercantil, com duas; e Caixa Econômica Federal, BV e Banco Pan, com uma unidade cada.
O cenário também aparece em municípios da Zona da Mata que integram a base territorial do sindicato. Em Bicas, Rio Pomba, Mar de Espanha, Mercês, São João Nepomuceno, Rio Novo, Tabuleiro e Matias Barbosa, o levantamento contabiliza 11 agências fechadas, número equivalente a 50% do total considerado pelo sindicato nessas cidades. Oito unidades eram do Bradesco e três do Itaú.
Os efeitos, segundo Taiomara, atingem principalmente os clientes que dependem do atendimento presencial, principalmente nos locais onde a redução da rede física deixou moradores sem o serviço no próprio município. “Em algumas cidades da Zona da Mata, o serviço bancário foi extinto”, afirma. Segundo o sindicato, parte da população passou a precisar se deslocar para municípios vizinhos para resolver demandas presencialmente. A situação atinge especialmente aposentados e pessoas que não têm acesso à internet ou encontram dificuldades para utilizar os canais digitais.
Fechamentos e demissões aumentam pressão sobre trabalhadores
Para o sindicato, a redução da estrutura física dos bancos tem reflexos diretos sobre quem permanece nas agências. Taiomara cita a sobrecarga, a insegurança em relação ao emprego e o adoecimento psíquico entre os principais problemas enfrentados atualmente pelos bancários de Juiz de Fora e da região.
A presidenta do sindicato também critica a forma como o avanço tecnológico tem sido acompanhado pela redução de postos de trabalho. Na avaliação dela, ferramentas que poderiam auxiliar a atividade dos bancários passaram a integrar um processo de migração forçada de clientes para os canais digitais, ao mesmo tempo em que as equipes presenciais ficam menores.
“A insegurança com relação ao emprego, as práticas de assédio moral e a sobrecarga têm levado a categoria a ocupar o primeiro lugar com relação a afastamento por doença do trabalho”, diz Taiomara.
Diante desse cenário, a presidenta do Sintraf JF afirma que a manutenção dos empregos e a melhoria das condições de trabalho caminham junto à reivindicação econômica da campanha. A expectativa do movimento sindical é que a paralisação pressione os bancos a apresentar avanços antes da próxima rodada de negociação.
* Estagiário sob supervisão da editora Fabíola Costa

