
O fechamento da Estrada Engenheiro Gentil Forn, ainda na época da tragédia causada pelas fortes chuvas de fevereiro em Juiz de Fora, continua gerando impactos a diferentes pontos da cidade. Na região da Cidade Alta, a estrutura de alguns bairros não foi preparada para suportar o aumento expressivo no volume de trânsito durante o dia. Não apenas dos carros, mas também do próprio transporte público.
Com a mudança operacional, 23 linhas de ônibus utilizam a Rua José Lourenço como parte do itinerário. Antes da interdição da Gentil Forn, apenas as linhas 513 e 514 (Borboleta), 538 (Morada do Serro/Jardim Casablanca) e 548 (Adolpho Vireque) já circulavam pela via. Ou seja, o trecho, no momento, se tornou parte do trajeto de 19 linhas a mais que o habitual.

A região do Bairro Jardim Casablanca é uma das principais afetadas. Moradores da Rua Adão Barbosa Lima, por exemplo, relatam problemas referentes à falta de estrutura. A Tribuna foi até o local e constatou que a via é estreita e desvia para curvas acentuadas o suficiente para que os veículos, principalmente ônibus, invadam a contramão para completar a manobra.
Além disso, a falta de sinalização em um trecho de acesso à rua confunde tanto moradores quanto condutores, o que aumenta a possibilidade de ocorrência de acidentes, principalmente pelo movimento de pessoas no local, já que há uma instituição para crianças e uma igreja. A reportagem presenciou também pessoas com mobilidade reduzida e idosos atravessando a rua, em um trecho em que veículos até de grande porte transitam com velocidades relativamente altas.
Embora a população acrescente que o aumento no número de linhas de ônibus é positivo para os usuários do bairro, a preocupação com a segurança dos moradores é mais reforçada. O pastor David Leonídio conta que o fluxo de veículos que passam pela rua aumentou consideravelmente, implicando em transtornos já presenciados pela comunidade. “É um perigo constante principalmente para as crianças da região que passam pela Rua Adão Barbosa Lima.”

Volta às aulas aumenta sensação de insegurança
O pastor Marcos Adão, que também faz parte da comunidade local, destaca que, desde que o fluxo aumentou, o perigo existe – mas a preocupação aumenta com o retorno do período letivo. “As crianças descem o escadão que leva direto à rua, onde o volume de veículos cresceu. É um perigo. Pedimos ajuda às autoridades para resolvermos essa situação o mais rápido possível. O movimento ficou muito intenso. A rua não comporta. Parece que foi uma medida tomada no improviso.”
O controle do trânsito também é questionado pelos moradores da região, tanto pela falta de clareza na sinalização como na falta de agentes. “O problema de acesso existe para quem vem de qualquer lado: seja na direção do Borboleta, vindo do São Pedro ou até entrando na rua. Já houve incidentes causados por isso. Há necessidade de quebra-molas ou talvez até um semáforo. Nessa volta às aulas, ficamos inseguros”, afirma David.
A população local também cita veículos que estacionam em lugares proibidos, dificultando ainda mais a passagem, e cobra uma fiscalização que, segundo uma moradora que preferiu não se identificar, é “inexistente”.
A reportagem questionou a Prefeitura de Juiz de Fora sobre as demandas apresentadas pelos moradores. Em nota, o Executivo municipal diz que “monitora continuamente o fluxo de veículos na Rua Adão Barbosa Lima e tem adotado medidas para melhorar a circulação e ampliar a segurança viária. Entre as intervenções realizadas estão a implantação de um binário, e a recomposição da sinalização.”
Rua José Lourenço fica ainda mais movimentada
Via naturalmente movimentada, a Rua José Lourenço também sofre consequências com a alteração no itinerário das linhas de ônibus. Comerciantes relataram à Tribuna que, desde a interdição da Estrada Engenheiro Gentil Forn, o fluxo se intensificou. Apesar de preferirem manter o anonimato, destacaram a piora da situação com a volta às aulas.

Assim como na Rua Adão Barbosa Lima, a José Lourenço tem a sinalização questionada no local. O único quebra-molas próximo ao trecho em que as duas vias se encontram foi instalado próximo a um condomínio, junto a um ponto de ônibus em cada sentido da rua. Somado ao passeio curto e às poucas placas, foram relatados acidentes. A reportagem também constatou pessoas atravessando a via sem faixa de pedestres.
Por meio de nota à reportagem, a Prefeitura de Juiz de Fora reforçou que, também neste caso, monitora o fluxo de veículos e tem adotado medidas para melhorar a circulação e ampliar a segurança viária. Entre as intervenções realizadas, cita, além do binário e da recomposição da sinalização, a instalação de um quebra-molas, a pedido da comunidade, para reforçar a segurança dos pedestres que utilizam o local para acessar o transporte público.
“A Secretaria de Mobilidade Urbana segue acompanhando a situação e avaliando a necessidade de novas intervenções, que poderão ser adotadas conforme a evolução das condições de tráfego”, finaliza, referindo-se tanto a Adão Barbosa Lima quanto a José Lourenço.

