
Minas Gerais está entre os estados que tiveram as maiores áreas fiscalizadas durante a Operação Mata Atlântica em Pé 2026, realizada entre os dias 17 e 27 de agosto. Segundo o balanço preliminar divulgado nesta sexta-feira (28), mais de 3 mil hectares foram fiscalizados no estado. A operação identificou, em todo o país, 8.370,28 hectares de Mata Atlântica desmatados ilegalmente no último ano.
A força-tarefa foi realizada nos 17 estados que fazem parte do bioma, tendo sido coordenada nacionalmente pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Ao todo, foram fiscalizados 1.520 alertas de desmatamento apontados pelo sistema de monitoramento do MapBiomas. As ações resultaram em mais de R$ 100 milhões em multas. Os dados ainda são preliminares, já que alguns estados continuam reunindo as informações sobre as autuações e outras medidas adotadas.
Além de Minas, Paraná, com cerca de 2 mil hectares, e Pernambuco, com mais de 470 hectares, também aparecem entre os estados com maiores áreas fiscalizadas. A operação contou com a participação dos Ministérios Públicos estaduais, órgãos ambientais e forças policiais. Os alertas de possíveis áreas desmatadas foram identificados por imagens de satélite e, posteriormente, analisados pelas equipes, que fizeram fiscalizações presenciais ou remotas.
A operação também apontou que, apesar da redução do desmatamento na Mata Atlântica nos últimos anos, áreas de floresta mais antigas e conservadas continuam sendo destruídas. Entre os principais alvos estão grandes propriedades rurais que retiram a vegetação para ampliar atividades como agricultura e pecuária.
Dados do Atlas de Desmatamento, divulgado neste ano pela Fundação SOS Mata Atlântica, apontam que o desmatamento no bioma caiu 40% desde 2024. No mesmo período, a fiscalização aumentou proporcionalmente: a cobertura fiscalizatória passou de 85,8% para 96,7% dos alertas. A operação deste ano marcou também os 20 anos da Lei da Mata Atlântica, criada em 2006 para estabelecer regras específicas de proteção do bioma.
*Estagiária sob a orientação do editor Arthur Raposo Gomes.

