
A soma de eleitores que não compareceram às urnas ou que votaram em branco ou nulo ficou abaixo da faixa de cerca de 30% projetada por especialistas à Tribuna para as Eleições 2026. Em Juiz de Fora, os três grupos representam 23,66% do eleitorado no primeiro turno, realizado neste domingo (4), conforme apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao todo, 72.952 eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 18,45% do eleitorado. Outros 6.610 votos foram registrados em branco (2,05%), enquanto 10.205 foram nulos (3,16%).
Em reportagem publicada antes da votação, especialistas ouvidos pelo jornal apontaram que seria difícil prever o comportamento do eleitor, mas avaliaram que os percentuais poderiam permanecer próximos da faixa histórica de 30%.
A doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Christiane Jalles de Paula, afirmou que a estimativa dependeria de variáveis conjunturais e que a porcentagem poderia se manter próxima desse patamar. O cientista político e professor da UFJF, Eduardo Salomão Condé, também avaliou que não haveria motivo para esperar números muito distantes dos registrados desde 2014.
O resultado em Juiz de Fora ficou, portanto, 6,34 pontos percentuais abaixo dos 30% considerados como referência pelos especialistas.
Abstenção representa maior parcela
Entre os três indicadores, a abstenção foi responsável pela maior parcela. Dos 394.921 eleitores aptos a votar na cidade, 72.952 não compareceram às urnas. Na taxa oficial de abstenção, entram também os eleitores com 70 anos ou mais que estão aptos a votar, mas não comparecem, mesmo que, para eles, o voto seja facultativo. Assim como adolescentes com mais de 16 anos que já tenham tirado o título de eleitor, mas não compareceram às urnas.
Já os votos em branco representaram 2,05% do eleitorado, enquanto os nulos corresponderam a 3,16%.
Apesar de serem situações diferentes, pois o eleitor pode deixar de comparecer às urnas ou comparecer e optar pelo voto branco ou nulo, os três dados são considerados na análise da participação eleitoral.
Na reportagem publicada antes do primeiro turno, o professor de Ciência Política da UFJF, Diogo Tourino, explicou que não há uma única razão capaz de explicar a decisão de não comparecer ou de votar em branco ou nulo. Entre as hipóteses levantadas estavam a percepção de falta de representação pelos candidatos, questões conjunturais e até fatores como condições climáticas.
Tourino também destacou que, em disputas mais acirradas, a tendência é de maior comparecimento, porque o eleitor pode perceber que sua participação terá maior influência sobre o resultado.
Queda em relação às eleições anteriores
O percentual atual também ficou abaixo do registrado nas duas últimas eleições presidenciais, quando considerados conjuntamente os eleitores que não compareceram e os votos brancos e nulos.
Em 2014, esse grupo representou 30,49% do eleitorado de Juiz de Fora. Em 2018, foram 30,29%. Nas eleições de 2022, o percentual havia sido de 25,27%, conforme levantamento publicado anteriormente pela Tribuna.
Com os dados de 2026, o índice chegou a 23,66%, uma redução de 1,61 ponto percentual em relação a 2022. No cenário nacional, os percentuais também apresentaram redução nas últimas eleições presidenciais: foram 29,03% em 2014 e 29,12% em 2018, 25,36% em 2022 e, um leve aumento em 2026 com 25,85%.
Segundo turno
Antes da votação, os especialistas ouvidos pela Tribuna alertaram que a participação pode mudar na segunda etapa da eleição. Diogo Tourino afirmou que há uma tendência de maior abstenção no segundo turno, já que há menos cargos em disputa, com deputados e senadores definidos no primeiro turno.

