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(Foto: Vittor Sales / divulgação)

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) deve ter, a partir do início da campanha eleitoral, comícios em cidades simbólicas para o eleitorado bolsonarista e alguns de seus principais públicos. São Paulo, Rio e Minas Gerais devem ser o foco das viagens.

O PL dá o pontapé em sua campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro, no próximo domingo (16). Além de ser sua terra natal, o Estado é fundamental para os planos de chegar à Presidência da República, uma vez que concentra aproximadamente 8% do eleitorado.

No dia seguinte, Flávio deve vir a Juiz de Fora (MG), cidade que foi palco em 2018 do atentado a faca sofrido por seu pai, o então deputado federal Jair Bolsonaro.

O episódio marcou a história das campanhas no Brasil, tirou o candidato dos comícios e dos debates e gerou consequências na saúde de Bolsonaro sentidas até hoje, após diversas cirurgias em decorrência dos ferimentos.

A ideia é que o ato em Juiz de Fora represente a retomada da jornada de Bolsonaro rumo a uma eventual vitória na eleição de outubro. Conta a favor da agenda o fato de se tratar de uma cidade mineira, prioridade da campanha do PL pela importância eleitoral do Estado: mais de 10% dos votos estão ali.

Maceió, origem do vice de Flávio, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), deve ser destino nos dias seguintes. A cidade foi a única das nove capitais do Nordeste a dar vitória a Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, consolidando-se como um enclave conservador no meio de uma região que eleição após eleição entrega votações massivas ao PT.

Nos planos da campanha também estão a Festa do Peão de Barretos e uma agenda com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e lideranças evangélicas, com data ainda incerta.

Até o início da campanha eleitoral, Flávio vai concentrar sua agenda em Brasília e São Paulo. Ele deve divulgar seu programa de governo entre quinta (13) e sexta-feira (14) desta semana numa transmissão ao vivo nas redes sociais. O plano será apresentado junto do registro da chapa de Flávio e Gaspar na Justiça Eleitoral.

Nesta terça-feira (11), ele recebe candidatos do PL ao Senado para a gravação de vídeos a serem usados como propaganda eleitoral, alinhamento de discurso durante a campanha e integração do “time”.

Numa coletiva de imprensa nesta manhã, enquanto os convidados ainda chegavam, Flávio afirmou que o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes será cobrado pelos eleitores dos candidatos ao Senado, mas evitou defender ele próprio a pauta.

O PL já confirmou 33 nomes do partido para disputar o Senado. Desses, ao menos 27 defendem o impeachment de Moraes, segundo um levantamento do Estadão. A escolha do tema não foi aleatória: a deposição de ministros do STF é encarada como um ativo eleitoral por bolsonaristas.

O senador também disse nesta manhã que “não deve explicação nenhuma” sobre o caso Master, quando perguntado se sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro está suficientemente esclarecida, e afirmou que Moraes age como um “articulador do Lula” ao sediar um jantar em sua casa entre o presidente da República e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Como o Estadão mostrou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fechou apoio a Hugo Motta (Republicanos) por sua reeleição à presidência da Câmara em 2027 e tentou um pacto com Alcolumbre em jantar na casa de Moraes.

“Alexandre de Moraes virou o grande articulador do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele”, quando questionado por jornalistas sobre a presença do ministro em discursos de candidatos do PL ao Senado.