Caso Master e ataques ao STF entram na campanha em Minas e acirram embates entre candidatos

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O Caso Master e os pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganharam espaço na campanha eleitoral em Minas Gerais. Nas redes sociais digitais, candidatos ao Governo e ao Senado utilizaram os desdobramentos do caso para criticar adversários, questionar instituições e associar suas candidaturas a debates nacionais. Os embates também chegaram à disputa estadual, com trocas de acusações entre candidatos.

É o que mostra um levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX), que analisou publicações no Instagram entre 31 de agosto e 15 de setembro. O relatório identifica como temas nacionais, incluindo as investigações sobre o INSS, passaram a fazer parte das estratégias de comunicação das candidaturas mineiras.

O levantamento é realizado em cooperação com a Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), além de parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Universidade Federal do ABC (UFABC), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Caso Vorcaro e ofensiva contra o STF

Os desdobramentos do Caso Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro dominaram parte das publicações dos candidatos ao Governo de Minas e ao Senado no período analisado.

“Cleitinho Azevedo transformou o tema no centro de sua atuação, usando a tribuna do Senado para pedir o impeachment de Alexandre de Moraes e apontar as trocas de mensagens do ministro com o banqueiro, ao lado da relação do escritório da esposa com as empresas dele, chegando a cobrar publicamente de Davi Alcolumbre uma previsão para pautar o pedido e a anunciar um requerimento a Fachin no mesmo sentido”, aponta o levantamento.

Do lado oposto, Patrus Ananias (PT) republicou um trecho de um discurso de Lula em que o presidente atribui a criação do Banco Master ao governo Bolsonaro e responsabiliza Vorcaro pelo “maior rombo nas finanças públicas”.

Alexandre Kalil (PDT) também abordou o caso, negando qualquer contato com o banqueiro e afirmando que “o que não falta nesse atual governo é corrupção e político ligado a esse caboclo”.

Ben Mendes (Missão) pediu orações pelo ministro André Mendonça no processo contra Moraes, dando um enquadramento religioso ao tema.

Na disputa pelo Senado, Carlos Viana (PSD) “transformou o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes em pauta diária”, segundo o relatório. O candidato apontou o ministro e o filho de Lula como envolvidos nas irregularidades relacionadas ao Banco Master e ao INSS. Ao mesmo tempo, apresentou o ministro do STF André Mendonça como aliado, pedindo que ele permanecesse no julgamento dos dois casos.

Viana também pediu a prisão do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e criticou o presidente do Senado, Casa na qual ele próprio ocupa uma cadeira. Segundo o levantamento, o jornalista e candidato à reeleição para mais oito anos na cadeira de senador, deu um ultimato para que Davi Alcolumbre pautasse o impeachment de Moraes, sob pena de pedir o afastamento do próprio presidente do Senado. Após a recusa, disse que só haveria duas explicações: “covardia ou conveniência”. Nessa quarta (23), o também ministro do STF, Cristiano Zanin, negou pedido para obrigar o Senado a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) focada em analisar a situação do Banco Master.

Já Domingos Sávio (PL), por sua vez, publicou uma convocação para um comício no dia 7 de setembro, com a frase “Fora Lula, Fora Moraes”. Marco Antônio Superman (Novo), por sua vez, publicou um vídeo ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), no qual afirma que Moraes “já deveria estar preso”. O candidato também prometeu estender o pedido de afastamento aos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, caso seja eleito.

Caso Master e ataques ao STF entram na campanha em Minas e acirram embates entre candidatos
(Fotos: Esfera Brasil – Divulgação // Gustavo Moreno – STF)

“No caso da crise institucional que o STF vem passando, para a direita, pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes é simplesmente uma continuação de um discurso que iniciou há vários anos, desde o bloqueio do X, passando pelo 8 de Janeiro, julgamento de Jair Bolsonaro e demais casos envolvendo as decisões do ministro que prejudicassem o campo direitista de alguma forma (no entendimento deles)”, analisa Lucas Isidio, cientista político e pesquisador da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Já o caso do INSS, explorado pelos candidatos ao Senado, também ganhou espaço na disputa pelo Governo de Minas.

“O caso mais claro é o do Mateus Simões (PSD), candidato da continuidade da gestão Zema, que aparece ao lado do próprio Viana comentando a operação da Polícia Federal que emitiu mais de vinte e cinco mandados de prisão no caso, prometendo que Minas vai garantir que cada envolvido vá para a cadeia”, destaca o pesquisador.

“Isso revela uma estratégia de coordenação entre as candidaturas de um mesmo campo, onde o tema nacional funciona como o denominador comum que permite ao candidato ao governo, que teoricamente deveria debater segurança, saúde e contas do estado, entrar numa conversa que é federal”, afirma.

Segundo Isidio, a esquerda também participa do debate nacional, mas com o argumento de que, mesmo diante de problemas, as instituições e seus processos devem ser respeitados.

“Nessa linha, não consegue centralizar suas críticas em um único partido, o que pode dificultar o processo de ‘nós e eles’ que a direita consegue mobilizar tão bem”, frisa o cientista político.

Ataques entre oponentes

Os candidatos ao Governo de Minas também trocaram ataques entre si, pelas redes sociais, nas últimas semanas. Alexandre Kalil (PDT) reagiu a um vídeo publicado anteriormente por Cleitinho Azevedo (Republicanos), em que o senador criticava o tamanho de um windbanner do candidato pedetista, afirmando que seria custeado com dinheiro público. “O senhor nunca mexeu comigo e vai mexer pela última vez”, afirmou Kalil. “O senhor não tem currículo, não tem moral pra falar de mim”, defendeu.

Kalil também citou polêmicas envolvendo Cleitinho e pessoas ligadas a ele, mandou o adversário “dobrar a língua falastrona e mostrar alguma coisa que fez pelo povo” e encerrou o vídeo chamando-o de “molecote”.

Gabriel Azevedo (MDB) protagonizou o embate on-line mais grave das últimas semanas, segundo o relatório, ao responder a uma acusação de fake news feita por Ben Mendes (Missão). Na publicação, Gabriel apresentou alegações sobre o histórico policial e judicial do adversário. “Em 2015, foi preso em flagrante em Itambacuri. Depois houve transação penal, com apresentação em juízo, prestação pecuniária e proibição de frequentar bares ou similares. A partir de 2019, surgem sucessivos procedimentos em Betim”, disse o candidato do MDB.

“Hoje, documentos oficiais da Polícia Civil e do Tribunal de Justiça registram mais de vinte ocorrências policiais e judiciais, entre ações penais, indiciamentos, inquéritos, representações e termos circunstanciados. Há registros envolvendo ameaça, calúnia, desacato, difamação, injúria, intimidação sistemática e vias de fato. Alguns continuam em investigação ou instrução”, prosseguiu.

“E há algo especialmente grave. Em um inquérito, uma mulher afirma que ele a agrediu fisicamente. Uma testemunha declarou à Polícia Civil que o viu agredindo essa mulher e tentando agredi-la também. Investigação não é condenação, e a presunção de inocência vale para todos. O eleitor tem o direito de saber que esse episódio está sob apuração”, concluiu Gabriel, na legenda do vídeo.

Ben Mendes, por sua vez, havia iniciado o embate ao publicar um trecho de um debate em que chama o emedebista de “Gabriel Mentirinha” e o cobra por não citar Marcelo Aro ao falar sobre corrupção no estado.

Azevedo também publicou um vídeo em tom humorístico, no qual “debate” com um garçom de bar que imita Kalil e Cleitinho.