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Referência em todo o mundo, o sistema eletrônico de votação brasileiro, para as Eleições 2026, começa a ganhar forma em Juiz de Fora nesta quinta-feira (27), com a chegada das 1.296 urnas destinadas ao município. Os equipamentos foram recebidos no 2º Batalhão da Polícia Militar, no Bairro Santa Terezinha, na região Nordeste da cidade. 

Até chegarem a Juiz de Fora, as urnas percorrem um trajeto cercado por protocolos de segurança. Armazenados em um centro de apoio do Tribunal, em Belo Horizonte, os equipamentos deixaram a capital mineira em duas carretas e só serão retirados dos veículos após a conferência dos lacres e na presença dos chefes de cartório. Na cidade, as urnas permanecerão no Batalhão até serem distribuídas ao locais de votação, em outubro, às vésperas da eleição.

Do total de urnas que serão usadas em todo o processo, 40 são equipamentos de contingência — disponíveis em diferentes locais da cidade para que a substituição, caso ocorra algum problema, seja dentro de até 10 minutos.

As urnas serão direcionadas para as quatro zonas eleitorais de Juiz de Fora. A Zona Eleitoral 152 receberá 317 equipamentos; a 153, 340; a 315, 310; e a 349, 329. Por causa do desastre ambiental e fevereiro, seis locais de votação serão alterados neste ano (veja ao final da matéria). A eleição também terá uma novidade para os moradores do Bairro Aeroporto, que conseguiram, por meio de um abaixo-assinado, a criação de um ponto de votação mais próximo de casa. O Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos passará a receber 324 eleitores.

De acordo com o analista judiciário e chefe do Cartório da 153ª Zona Eleitoral, Eduardo Braga, o pedido foi formalizado pela associação de moradores da Cidade Alta, que apontou a necessidade de um local de votação na região. Até então, parte dos eleitores precisava se deslocar para outros bairros para votar. 

O processo eleitoral de 2026 elegerá o próximo presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais. As urnas eletrônicas, que completam três décadas de utilização neste ano, são usadas também por outros 17 países. Ao lado do Brasil estão nações como Índia, França, Peru e Paraguai, entre outras, segundo o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (Idea). 

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(Foto: Leonardo Costa)

Como o TSE testa a segurança das urnas antes das eleições 

Nos últimos anos o sistema de votação brasileiro vem sendo alvo de ataques orquestrados que questionam sua integridade. Mas o processo de segurança do equipamento eletrônico passa por uma série de mecanismos de segurança. “São mais de 30 camadas de proteção que analisadas em conjunto a torna inviolável”, destaca Eduardo Braga.

Antes do pleito, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) testa as urnas para que elas não possam ser invadidas. E o meio para fazer isso é justamente a tentativa de invadi-las. Conforme explica o chefe do cartório, são estimulados ataques na adulteração de sistemas ou resultado de voto para corrigir possíveis falhas antes que elas aconteçam.

“Sistemas que são inseridos nas urnas são lacrados e assinados digitalmente. Qualquer software não autorizado a urna bloqueia o seu funcionamento”, explica Braga. No dia da eleição, as etapas de verificação da segurança das urnas continuam. Desta vez, o objetivo é conferir se os sistemas instalados nos equipamentos são os mesmos que foram desenvolvidos, testados e lacrados pelo TSE.

Uma dessas etapas é o Teste de Integridade, conhecido como votação paralela. Urnas sorteadas na véspera são submetidas a uma votação filmada, enquanto os mesmos votos são registrados em cédulas de papel. Ao final, os dois resultados são comparados para verificar se o equipamento registrou exatamente os votos que recebeu. Há ainda o Teste de Autenticidade, feito antes da emissão da zerésima — documento que comprova que a urna inicia a eleição sem nenhum voto registrado.

Durante todo o processo, as urnas não têm conexão com a internet e cada operação realizada no equipamento fica registrada em um arquivo de log. Ao fim da votação, cada urna emite o Boletim de Urna (BU), com o resultado daquela seção eleitoral. O documento permite conferir se os números registrados no equipamento correspondem aos que serão posteriormente totalizados pela Justiça Eleitoral.

Tempo de votação é desafio

Se, do ponto de vista da segurança, as urnas passam por uma série de testes antes e durante o pleito, no dia da eleição outro aspecto do processo entra em foco: o tempo de votação. Dos 394.921 eleitores aptos a votar em Juiz de Fora, 362.662, ou 91,83% do total, já têm a biometria cadastrada. Ainda assim, a Justiça Eleitoral prevê a formação de filas no município, principalmente pelo número de escolhas que o eleitor terá de fazer neste ano: serão seis votos. “Então, por si só, já é um tempo demorado para se votar”, explica Braga.

A identificação biométrica também pode aumentar o tempo de permanência na seção. Quando a digital não é reconhecida de imediato, são necessárias novas tentativas, situação mais comum, segundo ele, entre pessoas idosas. Por isso, a expectativa é de maior movimento principalmente pela manhã, período tradicionalmente escolhido pelos eleitores. “Uma das orientações que a gente tenta dar, nem todo mundo segue, é votar à tarde, porque é mais vazio.”

Para tentar reduzir o impacto, os mesários receberão orientações específicas para organizar o fluxo de eleitores, com separação entre filas preferenciais e comuns. Ainda assim, ele reconhece que evitar completamente a espera será difícil. “É muito difícil fazer com que não haja filas por conta do número de votos e, especialmente, do reconhecimento da biometria do eleitor.”

Relembre as mudanças no local de votação

Além da distribuição dos equipamentos, as eleições deste ano terão mudanças nos locais de votação. Há a já citada inauguração de um novo ponto no Ginásio Municipal Jornalista Antônio Marcos, mas a maior parte das alterações tem relação com as chuvas de fevereiro, que atingiram diferentes regiões da cidade e comprometeram a estrutura de seis locais. Há ainda uma mudança provocada por uma obra pública. Relembre as mudanças:

No Morro da Glória, as seções que funcionavam no Colégio de Aplicação João XXIII e na Escola Estadual Maria das Dores de Souza serão transferidas para a Universidade Salgado de Oliveira (Universo). No Carlos Chagas, o Centro Comunitário Carlos Chagas será substituído pela Capela Nossa Senhora das Graças.

Também haverá mudanças nos bairros São Benedito, Santa Rita de Cássia e Linhares. As seções da Escola Municipal Santa Cândida passarão para a Escola Estadual Professor Cândido Motta Filho; as da Escola Municipal Murilo Mendes, para a Escola Municipal Professor Oscar Schmidt; e as da Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, para a Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves.

Uma sétima alteração ocorre por outro motivo. Na Remonta, devido a uma obra da Cesama, as seções da Capela São Francisco de Assis serão transferidas para o salão do grupo AA Caminho da Salvação, no Parque das Torres.