
Empresário, produtor rural e vice-prefeito de Muriaé, Manoel Carvalho (MDB) disputa uma das duas vagas de Minas Gerais no Senado, com o número 150. Com trajetória ligada à gestão municipal e ao setor produtivo, o candidato defende uma atuação voltada às demandas do interior. Para Juiz de Fora e a Zona da Mata, propõe melhorias nas rodovias, a retomada de projetos ferroviários e o fortalecimento dos consórcios públicos, especialmente na saúde. Também defende o acompanhamento da renegociação da dívida estadual e mudanças no processo de indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na edição 2026 do projeto Voto e Cidadania, a Tribuna de Minas entrou em contato com as assessorias dos 16 candidatos ao Senado por Minas Gerais. Todos receberam as mesmas perguntas sobre suas trajetórias, as demandas de Juiz de Fora e da Zona da Mata, a renegociação da dívida estadual e a atuação na fiscalização do governo federal e na análise de indicações para cargos como os de ministros do STF.
As respostas são publicadas conforme encaminhadas pelas assessorias, sem edição de conteúdo pela Tribuna. Houve apenas cortes nos casos em que o limite de caracteres, informado previamente a todas as campanhas, foi ultrapassado.

- Quem é você, qual é sua trajetória e por que decidiu disputar uma vaga no Senado por Minas Gerais?
“Sou Manoel Carvalho, de Muriaé, na Zona da Mata. Tenho 49 anos, sou empresário, produtor rural, zootecnista e mestre pela UFRRJ. Presidi o Sindicato Rural de Muriaé, fui vereador por dois mandatos, secretário municipal de Agricultura e atualmente sou vice-prefeito e ex-diretor suplente da FAEMG.
Decidi disputar o Senado para levar a experiência municipal e do setor produtivo à representação de Minas Gerais. Acredito que Minas são várias e que cada região precisa ter voz, capacidade de decisão e acesso a recursos.
Quero um mandato presente nos territórios, com diálogo, responsabilidade fiscal, transparência e compromisso com resultados, articulado com municípios, consórcios, universidades, setor produtivo e sociedade civil para transformar demandas do interior em legislação, fiscalização, projetos e investimentos.”
- Caso seja eleito, como pretende representar Juiz de Fora e a Zona da Mata no Senado? Quais demandas da região estarão entre suas prioridades?
“A Zona da Mata será uma das bases permanentes do mandato. Para Juiz de Fora e a região, vou defender uma agenda federal construída com municípios, consórcios, universidades e setor produtivo. Entre as prioridades estão a revitalização e melhoria da segurança da BR-267, entre Juiz de Fora e Leopoldina, rodovias federais mais seguras e a retomada da agenda ferroviária, com projetos prontos para captar recursos, terminais intermodais e acompanhamento das concessões.
Também defenderei o fortalecimento dos consórcios públicos, ampliando sua capacidade técnica e o uso compartilhado de serviços em saúde, resíduos, turismo e assistência técnica, especialmente para municípios menores, além de apoiar arranjos regionais tendo Juiz de Fora, Muriaé, Cataguases, Leopoldina, Ubá, Viçosa, Ponte Nova e Manhuaçu como polos. Na saúde, vou trabalhar para que o financiamento federal considere o fluxo real de pacientes atendidos pelos hospitais regionais e reduza filas e deslocamentos.”
- A dívida pública de Minas é um dos principais desafios financeiros do Estado. Qual será sua posição sobre a renegociação dessa dívida e como pretende atuar no Senado nessa discussão?
“A dívida de Minas exige responsabilidade fiscal, transparência e visão de longo prazo. O Propag pode aliviar o custo financeiro, mas precisa ser acompanhado de perto para que ativos, contrapartidas e compromissos não criem novos riscos.
No Senado, vou fiscalizar permanentemente o acordo, com atuação na Comissão de Assuntos Econômicos, audiências, requerimentos de informação e um painel público com saldo da dívida, parcelas, ativos, taxa de desconto, investimentos e cenários de longo prazo.
Defendo que a despesa cresça de forma compatível com a receita, sem recorrer ao aumento da carga tributária, e que recursos extraordinários não sejam transformados em novas despesas permanentes. Renegociar é necessário, mas deve vir acompanhado de avaliação dos gastos, revisão de subsídios e políticas sem resultado, preservando serviços essenciais e a capacidade de investimento de Minas.
Também defenderei prestação de contas anual sobre riscos fiscais, contrapartidas e investimentos obrigatórios.”
- Quais serão suas principais prioridades legislativas e como pretende exercer o papel do Senado na fiscalização do governo federal e na análise de indicações para cargos como os de ministros do STF?
“Minhas prioridades legislativas incluem responsabilidade federativa, autonomia financeira de estados e municípios, fiscalização da dívida de Minas, fortalecimento dos consórcios públicos, agro, infraestrutura, SUS regional, segurança e transparência das emendas.
Defendo uma reforma urgente do Judiciário, com limitação das decisões monocráticas de grande impacto e mandato para os ministros do STF. Minha referência é o modelo alemão, com mandato de 12 anos. Também defendo sabatinas mais rigorosas e transparentes, com consulta pública, divulgação de currículo, conflitos de interesse e voto nominal.
Havendo irregularidades que configurem crime de responsabilidade, ministros do STF devem responder ao processo previsto em lei, inclusive com possibilidade de perda do cargo, sem seletividade e com amplo direito de defesa.
Na fiscalização do governo federal, usarei requerimentos de informação, audiências, acompanhamento do orçamento e prestação de contas pública sobre os resultados.”

