Eleições 2026: Em Juiz de Fora, Kalil defende investimentos na Zona da Mata e gestão compartilhada do Novo HPS

Voto e Cidadania 2026

“A região está pendurada em uma próxima tragédia que virá na próxima chuva”, apontou o candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PDT), quando perguntado sobre o apoio do Estado à Zona da Mata após as ocorrências em fevereiro de 2026, em entrevista à Tribuna de Minas, nessa segunda-feira (31). O ex-prefeito de Belo Horizonte também destacou que o Poder Executivo estadual não pode assistir a uma região como essa, classificada pelo mesmo como “lugar pendurado”, e não fazer nada.

Em 2020, Kalil passou pela experiência de liderar a reconstrução de um município, Belo Horizonte, enquanto prefeito, após fortes temporais. Entretanto, ele reforça que a situação era diferente. “Nós não precisávamos nem do governo federal e nem do estadual. Fizemos mais de R$ 700 milhões na época em obras e recuperamos a cidade inteira, porque não dependíamos de ninguém. Todo mundo sabe que vai ter outra chuva”, observou.

“Enquanto São Paulo está fazendo túneis debaixo do mar, enquanto Salvador faz ponte sobre o mar, nós estamos achando super normal o que acontece aqui. Como que um governo entrega R$ 40 milhões para toda essa região após a tragédia achando que é suficiente? Estão com a ‘cara de pau’ de falar que estamos no trilho, porque viramos um ‘Estado RH’. Alguém é capaz de me levar em um obelisco que o Estado fez em Juiz de Fora, Ubá, São João del-Rei ou qualquer lugar da região? Eu sei que a resposta é ‘não’. Isso está acontecendo no estado inteiro. Como estamos com a antiga ‘Manchester Mineira’ parada e todo mundo de braço cruzado? Alguma coisa está errada”, criticou.

Eleições 2026: Em Juiz de Fora, Kalil defende investimentos na Zona da Mata e gestão compartilhada do Novo HPS
(Foto: Leonardo Costa)

Nova candidatura e dívida com a União

Depois de atuar como prefeito em Belo Horizonte, Kalil se candidatou a governador de Minas em 2022 – quando Romeu Zema (Novo) foi reeleito. Em 2026, volta a disputar a administração estadual. Na perspectiva dele, fez o que todo político deve fazer: “Perdi uma eleição, e quem perde vai para casa e espera a outra”.

“Apareceu a pesquisa, eu pontuei, então achei que estava apto. E tem uma coisa que foi importante: até eu me manifestar, ninguém governa com esse Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Agora, todos os candidatos descobriram que nós não podemos aceitar esse envelope pronto que botaram na garganta de Minas Gerais”, ressaltou.

Sobre a dívida com a União, o candidato logo reforçou: um plano de renegociação foi montado.

“Não é um programa novo, aconteceu na época do Fernando Henrique Cardoso. Ele veio aqui e tomou quatro bancos de Minas Gerais por uma dívida – e, pelo visto, não adiantou nada. Queremos utilizar um percentual do que o Estado arrecada. Claro que com compromisso de ajustes e por tempo indeterminado”, respondeu. De acordo com ele, isso já foi feito na iniciativa privada.

Enxugamento para investir na educação

Sobre o desafio no âmbito da Educação, Kalil lembra que, em seus mandatos como prefeito de BH, a parte positiva aconteceu porque trabalhou “na ponta” – ou seja, nas escolas – e que tirou investimento de outros setores que podia e colocou na educação. “Temos um projeto muito bem feito por uma professora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que transversaliza a escola com a universidade e com as empresas regionais. Ocuparemos as crianças em tempo integral, sem aquela bobagem de sair de manhã, almoçar e voltar para a escola, porque ninguém aguenta isso”, destacou.

Mesmo com a situação complicada que Minas enfrenta financeiramente, o candidato destacou que a população nunca ouviu falar em enxugamento no Estado. “Nós não ouvimos falar em cortar, economizar. Ouvimos em não pagar o que deve por força de uma liminar do STF e pegar o dinheiro para gastar mal, porque não conseguem nem estaquear uma obra, pôr nada em pé, como é o caso dos hospitais”, citou.

Novo HPS

Sobre o imbróglio envolvendo o Novo HPS de Juiz de Fora, onde seria o antigo Hospital Regional, Kalil considera um erro um Município, independente do tamanho, assumir uma unidade de saúde deste porte sozinho. Por isso, defendeu a atuação tripartite, dividida entre União, Estado e Município.

“Juiz de Fora é cidade-polo. O Novo HPS não é para atender só aqui, mas sim toda a região. Vamos fazer um hospital de portas abertas ou fechadas? Estão transferindo por inteligência artificial pessoas de Juiz de Fora para tratar em Teófilo Otoni, e de lá para Varginha, porque é a IA  (Inteligência Artificial) que resolve. A coisa mais humana e que precisa de gente que eu conheço é a saúde”, refletiu, tratando sobre o sistema unificado de regulação e unificação no Sistema Único de Saúde.

Segurança pública

Segundo as pesquisas eleitorais recentes, a principal demanda da população mineira atualmente para o pleito de 2026 é a Segurança Pública. Respondendo sobre seu projeto, Alexandre Kalil iniciou a fala que Minas tem a polícia mais mal paga do país, com a defasagem de quase 7.600 policiais. Além disso, segundo ele, as próprias prefeituras estão pagando a gasolina das viaturas.

“Ano passado, a polícia ficou sem nenhum curso de treinamento. Me perguntaram o que acho de câmera na farda. Falei: ‘nós estamos discutindo gasolina na viatura e treinamento. Quem pode discutir câmera é a polícia de São Paulo, do Paraná, do Rio Grande do Sul. Eu acho que o assunto tem que ser debatido para o próximo governador, quando tivermos o básico – inclusive o salário. E debater com a polícia. É um ledo engano alguém achar que 100% da polícia é contra”, elencou.

Pela experiência nos dois mandatos como prefeito, Kalil acha que é possível replicar algumas ações desse porte no Estado, mesmo com a pobreza em algumas cidades. “Vai precisar de coragem e botar a mão na massa. Falar em microfone é muito fácil. Não acho que tem a menor chance de resolver todos os problemas de Minas Gerais em 4 anos, mas nós vamos começar a resolver a colocando no lugar que é dela. Por isso que eu não estou apoiando nem Lula e nem (Flávio) Bolsonaro, porque seja quem for, vão ter que assentar na mesa com o governador de Minas trajado de terno e gravata que não come banana com casca”, finalizou.