Um dos principais garlalos para o avanço da indústria ainda é a taxa de juros a 14,25%, segundo Bruno Ligório, presidente do Sicepot-MG (Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais).
“Esperamos e precisamos que os juros caia em breve”, afirmou durante participação no Eloos, evento promovido em parceria entre a Itatiaia e a CNN Brasil, em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (3).
Apesar da queda na taxa de juros nas últimas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), isso ainda não é suficiente para que a industria mineira se desenvolva, de acordo com o presidente.
“O patamar de juros inviabiliza parte dos projetos de infraestrutura, porque o retorno é muito lento.”
Além da necessidade de uma queda mais abrupta nos juros, outra solução vista pelo presidente seria a maior concessão de PPPs (Parcerias Público Privadas), sobretudo no setor rodoviário.
“Precisamos somar forças. Temos no Brasil 35% do PIB em infraestrutura, e esse número deveria ser perto de 60%. Por isso, precisamos dessa complementariedade”, disse.
Ligório citou ainda que a falta de infraestrutura onera o custo Brasil, e que Minas Gerais precisa de investimentos em ferrovias, principalmente por já ter uma malha rodoviária de 22 mil quilómetros.
Evento Eloos
Os desafios e as oportunidades da indústria brasileira estarão no centro do debate do quinto ciclo do Eloos.
O evento será realizado no Espaço Ava, em Belo Horizonte, e contará com a presença de lideranças políticas e empresariais para debater os potenciais do setor industrial no Brasil.
Neste ciclo, especialistas, executivos e autoridades debatem o papel da indústria na transformação da economia brasileira, os desafios e potencialidades de um setor estratégico para o desenvolvimento do país.
Programação
A programação será divida em três painéis. O primeiro debate será sobre os dois gargalos que travam a competitividade brasileira no comércio internacional: a fragilidade dos mecanismos de defesa comercial (antidumping) diante da concorrência desleal externa e o chamado “Custo Brasil” (logística cara, malha ferroviária pouco integrada, burocracia e tributação).
Na sequência, os participantes irão discutir sobre novos pactos de trabalho. O foco será na proposta de fim da escala 6×1 e seus efeitos sobre comércio, serviços e indústria, somada ao apagão de mão de obra técnica.
Por fim, o Eloos traz ao debate a diversificação industrial e o futuro do setor em Minas Gerais. Os participantes irão apontar como transformar um estado de base mineral em plataforma de diversificação industrial — siderurgia avançada, bens de capital, eletromobilidade e tecnologia.
Juros altos são uma das principais causas de inadimplência no Brasil

