O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia colocou mais uma vez o mercado de crédito privado no radar dos investidores. Além disso, o prejuízo foi de cerca de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. 

No documento enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) o grupo afirma que foi afetado pelo ambiente macroeconômico desafiador, juros elevados, restrição de crédito e pelo aumento do custo financeiro.

As Casas Bahia já haviam recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024. Agora, a empresa optou pela recuperação judicial, que envolve a participação do Judiciário na negociação com os credores.

Porém, para quem investe a principal questão é o que acontece com os títulos de dívida emitidos pela empresa e quais efeitos uma crise desse tipo provoca no restante do mercado. 

A recuperação judicial é especialmente relevante para quem possui algum crédito da companhia. Debêntures e outros títulos de dívida emitidos pela empresa podem sofrer forte desvalorização, enquanto os pagamentos aos credores ficam sujeitos às condições que serão definidas no processo de recuperação.

Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, explica que o impacto para o investidor pode aparecer imediatamente na carteira.

“Para quem possui algum crédito da Casas Bahia, as corretoras imediatamente passam a precificar esse crédito a zero. Então, se o investidor tem R$ 100 mil em debêntures da Casas Bahia, esse valor vai aparecer como zero na corretora. Depois, caso alguma parte do dinheiro seja recuperada, o valor volta a ser contabilizado como crédito”, afirma.

Essa situação provoca uma forte desvalorização do papel antes mesmo de haver uma definição sobre quanto será recuperado pelos credores. Isso ocorre porque o mercado passa a atribuir um risco muito maior ao crédito da empresa.

Além disso, a companhia fica praticamente impedida de utilizar o mercado de capitais da mesma forma para levantar novos recursos.

“A empresa passa a não conseguir se financiar, não consegue emitir títulos de dívida e suspendem as negociações”, acrescenta Fontes. 

O investidor, portanto, pode enfrentar dois problemas ao mesmo tempo: a incerteza sobre quanto receberá de volta e a dificuldade de vender o título pelo valor que tinha antes da crise.

O impacto não fica necessariamente restrito a quem comprou diretamente um título da Casas Bahia. Fundos de crédito privado, por exemplo, podem ter em suas carteiras papéis de diferentes empresas. 

Quando a percepção de risco no mercado aumenta, os preços desses títulos podem cair, provocando perdas por marcação a mercado.

A recuperação judicial também mostra que o risco não termina quando o título é comprado. Uma mudança na percepção sobre a saúde financeira do emissor pode provocar forte queda no preço do papel e afetar também fundos que investem em crédito privado.

“Essa crise no setor de crédito privado por conta de juro alto e economia desacelerada acaba batendo diretamente no bolso do investidor de crédito privado, que inclusive foi um dos produtos mais colocados na carteira dos clientes nesses últimos dois anos”, complementa a apresentadora.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos e Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

O Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.