As ações da Cyrela (CYRE3) operam em alta nesta quinta-feira (6) com investidores repercutindo a assinatura de acordo preliminar para vender um portfólio de ativos imobiliários não residenciais ao fundo TRXF11 e à gestora TRX. A operação foi avaliada em cerca de R$ 2,14 bilhões, podendo alcançar R$ 2,2 bilhões, a depender do cumprimento de determinadas condições.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (6), os papéis da construtora subiam 3,42%, a R$ 22,36, entre os destaques positivos do Ibovespa.
Segundo o Goldman Sachs, a transação é positiva ao permitir que a companhia converta ativos geradores de renda não estratégicos em capital, aumentando a flexibilidade financeira do balanço. O pagamento será dividido igualmente entre dinheiro e cotas do TRX.
Apesar da avaliação favorável, o Goldman Sachs destaca que a Cyrela ainda não informou como pretende utilizar os recursos em caixa nem qual será o prazo de permanência da participação recebida em ações do TRX.
Na avaliação do JPMorgan, o anúncio é positivo para a Cyrela, pois destrava valor para os acionistas e sinaliza um potencial retorno atrativo via dividendos. O JPMorgan destaca que considera elevada a probabilidade de esse pagamento se concretizar, dado o histórico da companhia de remunerar os acionistas em eventos corporativos relevantes, como o IPO da Cury, em 2020, e a distribuição extraordinária de dividendos no fim de 2025 diante das mudanças tributárias.
O Bradesco BBI também classificou o anúncio como positivo, pois supera a expectativa de uma venda de cerca de R$ 1 bilhão em ativos não estratégicos, considerando a inclusão de galpões logísticos além da torre corporativa.
Já o Itaú BBA avalia que a venda de ativos anunciada pela Cyrela pode gerar ganhos líquidos de cerca de R$ 800 milhões, equivalente a aproximadamente 8% do valor patrimonial da companhia.
Segundo o banco, a operação pode reduzir o múltiplo P/VP (preço sobre valor patrimonial) da Cyrela de 0,8 vez para cerca de 0,75 vez após o reconhecimento do ganho. Além disso, a entrada de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,5 bilhão em recursos — sendo metade em cotas do TRXF11, que devem ser monetizadas gradualmente — teria impacto relevante na estrutura de capital.
O Itaú BBA estima que a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido (ND/PL) poderia cair de 19,6% no primeiro trimestre de 2026 para 6%, abrindo espaço para uma distribuição de dividendos mais robusta.
O banco calcula um potencial retorno adicional em dividendos de 10% a 15%, enquanto a companhia poderia voltar ao nível de alavancagem considerado ideal, entre 15% e 20%, o que poderia levar o múltiplo P/VP para aproximadamente 0,7 vez.
Recomendação de compra para Cyrela
Apesar de reconhecer um cenário ainda desafiador para o segmento imobiliário de média e alta renda, o Itaú BBA mantém recomendação de compra para as ações da Cyrela, com preço-alvo de R$ 33, citando a execução da empresa, a maior exposição ao segmento de baixa renda, considerado mais resiliente, e a avaliação atrativa dos papéis.
O Bradesco BBI, Goldman Sachs manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 36, R$ 31.
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