Pelo menos 919 pessoas morreram e cerca de 4.800 continuam desaparecidas no Nepal e na China após o colapso de uma geleira provocar enchentes e deslizamentos de detritos na região de fronteira, enquanto equipes de resgate enfrentam dificuldades para chegar a comunidades isoladas.
O número de desaparecidos aumentou significativamente à medida que as operações de busca entraram no sexto dia. O Nepal registrou 903 mortes e 4.247 desaparecidos, enquanto autoridades chinesas informaram que 16 pessoas morreram e 546 seguem desaparecidas no condado de Gyirong, no Tibete.
O desastre também causou danos a infraestruturas estratégicas, incluindo pelo menos 12 projetos hidrelétricos nos distritos nepaleses de Nuwakot e Rasuwa, segundo a Associação Independente de Produtores de Energia do Nepal. Dados oficiais mostram que 933 pessoas desapareceram apenas em projetos hidrelétricos.
As Forças Armadas do Nepal seguem trabalhando para resgatar pessoas presas em túneis de várias hidrelétricas, afirmou o porta-voz do Exército, Raja Ram Gautam. Equipes da China, Índia e África do Sul participam das operações em diferentes locais.
Mais de 10 mil pessoas já foram resgatadas, com quase 20 mil agentes de segurança mobilizados, informou a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal.

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Uma das economias mais pobres da Ásia, o Nepal enfrenta agora uma complexa tarefa de reconstrução em um momento em que já sofre pressão do aumento dos custos de combustíveis provocado pela guerra no Irã, além da desaceleração do turismo e do crescimento econômico. A tragédia agrava os desafios do primeiro-ministro Balendra Shah, de 36 anos, que chegou ao poder neste ano impulsionado pelo descontentamento da geração Z com a política tradicional.
A catástrofe teve início na quarta-feira, quando o colapso de uma geleira liberou uma massa de gelo, lama, pedras e água em alta velocidade por um vale no Nepal, destruindo assentamentos e isolando vilarejos ao interromper acessos rodoviários.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores tentando fugir enquanto a enxurrada engolia prédios, derrubava pontes e linhas de transmissão de energia e arrastava veículos. Acredita-se que muitas vítimas ainda estejam soterradas sob escombros, lama e água.
No sábado, o ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o país busca apoio internacional especializado para as operações de resgate e recuperação. Entre os pedidos estão assistência para abrir túneis onde há pessoas presas, drones de grande porte para levar suprimentos a áreas isoladas e apoio forense para identificação das vítimas.
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